Rui Borges analisou o triunfo do Sporting frente ao Rio Ave. Técnico respondeu a uma questão do Bola na Rede na conferência de imprensa.
Rui Borges fez a análise à goleada do Sporting sobre o Rio Ave por 4-1. O Bola na Rede esteve presente no Estádio dos Arcos e teve a oportunidade de colocar uma questão ao técnico da equipa dos leões.
Lê também a questão colocada a Sotiris Sylaidopoulos, treinador do Rio Ave.
Bola na Rede: Na primeira parte, o Rio Ave procurou explorar o 4×4 e a igualdade numérica com os defesas do Sporting através do jogo direto. Pergunto-lhe de que forma tentou contrariar essa dinâmica, sobretudo quando o Tamble ou o Blesa baixavam no terreno? E pergunto-lhe também se considera que o Sporting poderia ter explorado mais as conduções de bola dos centrais, tendo em conta que o Tamble pressionava sozinho na primeira linha e o Blesa estava mais preocupado em fechar a linha de um dos médios do Sporting.
Rui Borges: Sim, essa última parte, mais do que a condução, nós facilmente quebramos a pressão do Rio Ave e sabíamos que íamos conseguir quebrá-la facilmente. Até pelos nossos dois centrais, pelo guarda-redes, porque eles faziam a pressão a um homem e era facilmente batida nesse sentido. Numa fase inicial do jogo, estávamos a exagerar no jogo interior, mesmo com homens livres. Tínhamos espaço, mas falhámos aqui ou ali alguns passes e não tínhamos essa necessidade. Poderíamos fazer a bola andar a correr mais por corredores e depois sim, atrair dentro, ou atrair dentro e sair fora, porque havia espaço dentro e fora. Numa fase inicial insistimos demasiado no jogo interior e perdemos algumas bolas. Depois, o Rio Ave, em transição, é fortíssimo, nós sabíamos disso e criou-nos algumas transições perigosas. Na primeira parte da tua pergunta, sobre o 4×4, nós sabíamos que íamos bater o 4×4. Nós tentámos ajustar ali a meio da primeira parte e o Morita acaba por ganhar duas ou três bolas nesse sentido, porque nós sabíamos bem o que é que o Rio Ave fazia: ia esticar a primeira bola e, quando a bola do Rio Ave ia direta do redes ou de central para central e nós acionávamos a pressão, os nossos dois médios não precisavam de estar os dois expostos à referência, porque eles não procuravam os médios. Então, um dos médios tinha de estar na cobertura frontal dos centrais, precisamente por isso, pelo aproximar de um avançado, e tínhamos sempre essa superioridade. Numa fase inicial, e por termos sofrido o golo cedo, a equipa ficou ansiosa e queria pressionar as referências e focou-se muito só nas referências, e fomos facilitando nessas coberturas. Ao intervalo, tentámos ajustar e, no início da segunda parte, conseguimos fazer isso, só que depois ficámos logo em superioridade numérica e acabámos por controlar o jogo do início ao fim. Mas era só mais as coberturas dos médios andarem mais nas costas um do outro. O médio do lado contrário à bola vir só à diagonal do outro médio, atrasada, e dava a cobertura frontal. Ajustávamos e isso ajudava muito a linha defensiva e íamos ganhar muitas segundas bolas. Mesmo perdendo o primeiro duelo, ganhávamos o segundo momento. Era um ajustamento simples, mas que demorou a ajustarmos.

