Filipe Martins foi o mais recente entrevistado pelo Bola na Rede. O treinador português avaliou a época no Chaves.
Filipe Martins foi entrevistado pelo Bola na Rede e passou em revista vários dos momentos da carreira. O treinador português olhou para o trabalho feito no Chaves, onde esteve até janeiro de 2026.
«Muitas vezes na minha cabeça, até mesmo em relação a mim próprio, questionei-me sobre o que é que tinha faltado. O tempo é um barómetro muito grande. O tempo diz-nos muita coisa e muitas das vezes nós damos voltas e voltas e voltas – e é óbvio que nós como líderes e como treinadores temos sempre de nos autoculpabilizar -, mas depois vi o resto da época e senti sempre uma discrepância muito grande em relação ao comportamento da equipa. Muitas vezes fazíamos exibições muito boas e o Desportivo de Chaves continua a fazer boas exibições como a seguir… Aliás, depois da minha saída, o máximo que se conseguiu fazer foi duas vitórias seguidas e eu senti os meus Aliás, depois da minha saída, o máximo que se conseguiu fazer foi duas vitórias seguidas. E eu senti os mesmos sinais. Nós falamos, e acho que os treinadores portugueses têm uma relação muito aberta uns com os outros, e eu acho que os sinais foram exatamente os mesmos, o que nos levou a tirar as nossas ilações. E eu também, como treinador, tenho que tirar as minhas ilações. É óbvio que temos que fazer uma autocrítica a nós próprios, mas também temos que fazer uma autoanálise ao nosso redor. E eu, sinceramente, não sei se tenho que olhar para a época do Desportivo de Chaves como um fracasso ou se tenho de achar que a primeira volta é que foi um engano. Andámos lá em cima, fomos muitas vezes considerados como um claro candidato à subida da divisão. Acho que houve um fator que é muito importante também de referir, que foi o número de lesões. Em 21 jogos que fiz no Desportivo de Chaves fiz duas ou três convocatórias em que deixei dois ou três jogadores fora da convocatória, onde não foram todos à convocatória. Por exemplo, nós na pré-época não tivemos nenhuma lesão. Enquanto não começou a chover, enquanto não começaram os campos a ficarem enlameados, não tivemos lesões e de um momento para o outro começámos a ter lesões em catadupa. Levou-nos a contratar mais jogadores para colmatar essas lesões e quando demos por nós tínhamos 30 jogadores dentro de um balneário».
«E quando tens 30 jogadores dentro de um balneário, às vezes com cinco ou seis jogadores que nem têm a ambição de jogar porque estão lesionados, e contam para o Totobola, como eu costumo dizer… Parece que não, mas é muita gente. Por isso é que eu gosto muito dos planteis curtos e comprometidos, onde toda a gente tem o objetivo bem ligado. Esse número de lesões levou-nos a ter um plantel mais extenso e, na minha opinião, foram-se desligando da equipa ao longo do tempo. Muita gente, muito pouco compromisso uns com os outros e isso muitas das vezes já fez diferença entre os meus balneários para o positivo. Tínhamos um grupo mais pequeno e se calhar com menos opções, mas que se uniu. E ali, eu não sinto que fosse um balneário mau, mas também não era um balneário que cheirava a vitória e onde havia aquela ambição desmedida de subir de divisão. Isso custou-me um bocadinho, foi o que me custou mais. Foi achar que, se calhar, havia possibilidade de fazermos melhor e por um motivo ou outro não conseguimos atingir os objetivos. Mas também acho que houve muita coisa que deu sinais que o trabalho estava a ser bem feito, como o facto de termos sido a equipa que mais tarde sofreu o sabor da derrota. Neste campeonato muito competitivo, fomos a equipa que foi derrotada mais tarde. Acabámos de fazer, tal como eu disse, uma primeira volta que não diria excelente, mas dentro dos objetivos do clube. E depois apareceu uma série de lesões, e sentimos principalmente quando começámos a ter lesões no setor atacante, onde precisávamos de ter mais talento. Enquanto fomos tendo cá atrás, com organização conseguíamos resolver, e éramos a segunda equipa menos batida atrás do Marítimo. Fomos sempre colmatando as coisas enquanto as lesões nos fustigaram cá atrás. Quando começámos a ter alguns jogos com castigos, também tivemos alguns jogos a jogar com 10, tivemos mais dificuldade. Não conseguimos ter a mesma capacidade de colmatar essas lesões à frente que tivemos na defesa. E depois levou ali a uma sequência de seis jogos onde a vitória não apareceu. E acho que foi uma saída muito em consonância entre mim e a administração. Sentimos que estávamos num momento em que era importante tentarmos outras coisas».
Lê a entrevista de Filipe Martins na íntegra.

