Vítor Martins começou a época como treinador do Torreense e renovou inclusivamente o seu contrato com a equipa, antes de sair.
Vítor Martins deu uma entrevista exclusiva ao Bola na Rede, onde abordou a sua passagem pelo Torreense, durante a primeira metade de 2025/26. O técnico chegou mesmo a renovar contrato com o emblema do Manuel Marques, com uma cláusula de 25 milhões de euros:
«Eu acho que isso partiu de uma brincadeira (risos). Acho que nem nunca esteve no contrato, honestamente, porque eu quando tenho esse defeito de assinar um bocadinho, de confiar nas pessoas, acho que nem sequer era legal uma vez que tinha que acompanhar o salário e aí confesso que não estava nesse ponto. Acho que foi por brincadeira. Não me lembro se algum jogador renovou nessa altura, mas entrámos muito bem no campeonato, ou seja, aquelas primeiras séries foram positivas e deu-se ali uma hipótese de renovação que depois mais valia nem ter acontecido. É a velocidade do futebol, que é o dia-a-dia, que é mesmo o momento e depois perdeu-se o sentido de tudo aquilo. Mas àquela data estava tudo bem e tudo indicava este desfecho de uma equipa competitiva que poderia vir a lutar por uma subida de divisão e que poderia fazer bem em todos os jogos que se propusesse a jogar e daí o resultado da Taça de Portugal».
O treinador falou da sua saída do Torreense:
«Não foi apenas um ponto em específico. Nós fizemos ali uma série de jogos com algumas peripécias, em que as coisas não saíram, não houve o desaguar. Há uma série de cinco partidas em que nós não conseguimos ganhar para a Liga. No intervalo dos encontros do campeonato, derrotámos o Lourosa fora e o Casa Pia fora para a Taça de Portugal. Ou seja, eram indicadores que a equipa não estava num ponto lastimável, mas eram indicadores na Liga em que as coisas não estavam a sair. E depois foi um momento em que alguma instabilidade emocional. Acho que nesses cinco jogos só o jogo com o Lourosa é que acabamos 10 para 10, todos os outros estavam a ser marcados ali um bocadinho com expulsões e isso, verdade seja dita, numa Liga tão equilibrada isso vai criando uma diferença. Não quero que isto soe a desculpa, mas foi esse momento, foi muito específico. Nesse momento a equipa não estava a conseguir somar pontos. Se só avaliarmos esses cinco jogos, não estávamos a conseguir somar pontos de alguém que se propunha a acabar nos primeiros lugares e a lutar por uma subida de divisão. E acabou. Há momentos de reflexão, eu gosto sempre de refletir, eu gosto sempre de pensar e foi mostrada vontade de parte a parte de se calhar a equipa precisava ali de alguma coisa diferente. Custou-me porque acho que a equipa estava num bom ponto, custou-me porque a equipa acho que dava bons sinais, custou-me porque tinha e tem excelentes jogadores, mas ficou tudo bem. O Torreense ficou bem e eu estou também muito bem. Felizmente passado muito pouco tempo, consegui arranjar um outro projeto. Tudo o que eu validei no Torreense, valido agora no GD Chaves, ainda mais próximo do que é da minha terra natal, é muito importante do que é a nossa natureza. Ninguém é melhor, nem pior. Às vezes somos só diferentes. O que é certo é que já estive em Chaves há nove anos atrás, agora voltei e sinto-me muito bem, muito bem por lá e com vontade tremenda de fazer as coisas o melhor possível porque é um clube que merece, é gente que merece e é gente que acredita em mim e quando acreditam em nós é meio caminho andado sentir essa confiança para fazermos bem as coisas».
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