EM DIRETO: Roberto Martínez faz a antevisão do Portugal x Uzbequistão do Mundial 2026

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Roberto Martínez fez a antevisão do Portugal x Uzbequistão. O selecionador nacional lançou o segundo jogo luso no Mundial 2026.

Roberto Martínez realizou a antevisão do Portugal x Uzbequistão. Depois do empate diante da RD Congo, na estreia, o selecionador nacional lançou o segundo embate luso no Mundial 2026.

O Portugal x Uzbequistão também se joga em Houston, tal como a estreia portuguesa. O embate realiza-se esta terça-feira, 23 de junho, a partir das 18h.

Eis as declarações de Roberto Martínez:

«Primeira reflexão? Primeiro, dizer que já faz parte do nosso processo. Chegar ao Mundial são três jogos. Para nós nada muda. É treinar bem, preparar os jogos, avaliar e analisar. Ser muito autocríticos. E foi o que fizemos. Vimos o que fizemos bem, o que não conseguimos executar, o porquê de não termos chegado ao último terço. E limpar o sentimento de raiva e tristeza, porque não atingimos o resultado que queríamos. O foco no balneário é total, o trabalho foi muito bom, e agora precisamos de melhorar tudo o que não conseguimos fazer no primeiro jogo. E a história no Mundial é essa. Portugal não é uma equipa que chega preparada para atingir objetivos, é uma equipa que precisa de autocrítica e crescer em momentos difíceis. A reação deu mais força ao grupo, fez com que esteja ainda mais unido, e o trabalho a atitude foram muitos bons, exemplares. Ainda não revelei o onze inicial, não gosto de falar publicamente de coisas que não falo com os jogadores».

«Como atacar o Uzbequistão? Os primeiros 20 minutos do primeiro jogo foram muito bons. Depois, até ao intervalo, foram minutos muito maus. Precisamos de uma estrutura e disciplina. Melhorámos ao intervalo, mas o adversário ganhou muita vida. Foi a estreia no Mundial, foi emotivo. O Uzbequistão tem uma estrutura muito boa, clareza, o treinador é muito experiente em Mundiais. É importante perceber o que podemos fazer com bola, como podemos criar vantagens táticas para encontrar os espaços certos. Esse não é um ponto fraco da nossa Seleção, pelo contrário. Mas no primeiro jogo houve muitos aspetos emotivos que fazem parte e não foi aquilo que queríamos».

«Conjugação de extremos interiores? Já tivemos muitos perfis. Percebo a pergunta, mas já jogámos com alas de pé trocado, podemos utilizar Nuno Mendes e Bruno Fernandes entrelinhas, Bernardo Silva, Félix, Trincão. Não é uma questão. O ponto forte é a nossa riqueza, temos muitas opções. Mas temos de escolher o momento do jogo, dos jogadores, as ligações, o trabalho que fazemos e, claro, o adversário. Mas posso dizer que temos todos os jogadores aptos menos o Tomás Araújo, que esteve condicionado a treinar individualmente e ainda não está apto. Mas depois deste jogo, penso que já poderá voltar. Temos 22 jogadores de campo, o Rúben Dias já voltou, e todos os guarda-redes estão preparados para ajudar. E isso é o que a Seleção faz muito bem: procurar duplas diferentes, ideias táticas diferentes e uma flexibilidade que permite utilizar perfis diferentes».

«Possível ausência de Rúben Dias? Não esperamos isso, esperamos que seja um jogo difícil e competitivo. Respeitamos muito o adversário. Mas estamos num torneio. Isto não é um estágio. Temos 27 jogadores e estamos todos focados em melhorar no dia-a-dia. Vi uma atitude incrível nos últimos quatro dias. E todos são importantes. O Rúben, sem estar em campo no primeiro jogo, também foi muito importante no processo. Temos seis capitães muito experientes. Foi difícil, o grupo sentiu raiva, mas todos os jogadores mostraram responsabilidade, ajudaram muito e focaram-se no que precisamos de fazer: chegar ao melhor nível o mais rápido possível. Depois da fase de grupos é o momento de olhar para esses três jogos e ver onde estamos. Mas se esperamos entrar em campo e ganhar logo o jogo amanhã, acho que estamos no torneio errado».

«Ruído exterior? Não tive um jogo sem barulho desde o meu primeiro dia em Portugal. Já mostrámos que a equipa é experiente, focada e responsável e chegámos a um bom nível. Estamos num Mundial. Aqui há muito barulho e faz parte. Para nós, o aspeto do ser humano é muito importante. É perceber quem está e quem não está com a Seleção. Mas o importante no balneário é mostrar atitude, ter autocrítica para melhorar e estarmos prontos. E estamos focados, muito fortes e, agora, o grupo está mais unido do que antes de chegar. São já 22 dias de trabalho e o barulho não entra no balneário».

«Cristiano Ronaldo? É um exemplo, é um capitão. Reage como capitão. Com muita experiência. Podemos utilizar todos isso. Estamos a falar de alguém que está a defender e representar a Seleção há 21 épocas. Tem uma fome incrível de continuar a melhorar e de ajudar o grupo. É um exemplo no balneário».

«Diferença entre jogos? O importante é ser consistente. Estamos a falar de uma equipa que nos últimos 40 jogos tem a maior percentagem de pontos e golos da história da Seleção. Os jogadores merecem respeito. Mas o futebol é assim, é impossível jogar sempre bem. Há momentos em que, quando o desempenho não é bom, é importante não perder e continuar com competitividade, responsabilidade. Amanhã é um novo jogo. Os jogadores prepararam-no muito bem e é aqui que podemos crescer muito. Faz parte do futebol, não há equipas que conseguem ganhar sempre. A ideia errada do campeão, o campeão não ganha 3-0 em todos os jogos. O campeão do último Mundial perde o primeiro jogo e ganha, em 2010 a Espanha perde com a Suíça, há momentos em que vai a penáltis. O futebol são detalhes e pormenores. É importante que a equipa trabalhe muito para poder ganhar nesses pormenores. E depois da experiência do primeiro jogo, a equipa está mais preparada agora para poder fazer isso. O Uzbequistão é uma equipa que conhecemos bem. Durante o apuramento, fizemos jogos contra equipas semelhantes. Respeitamos muito o adversário, mas amanhã é ver como podemos ter o desempenho dos primeiros 20 minutos frente à RD Congo durante 90».

«Boas críticas? Há barulho sempre. Há bom barulho, boas críticas. Quando não atinges o resultado é normal ter críticas. Não espero receber rosas depois de empatar o primeiro jogo. Mas há muito barulho que não é justo, que não é certo, e muitos aspetos que não fazem sentido. Mas isso não faz parte do nosso trabalho. É importante saber quem está com a Seleção e quem não está. É muito fácil ganhar quando a equipa ganha a Liga das Nações, ser muito da Seleção. O importante é estarmos juntos. O barulho faz parte e vejo isso com naturalidade».

«Raiva nos jogadores? Já falei no que temos, no tesouro. Quem acompanha a Seleção sabe. Os nossos jogadores são incríveis. Não ao nível de talento, mas o compromisso que têm. Querer ganhar é o nosso objetivo, mas não pelo que aconteceu nos últimos dias. Pelo compromisso que os jogadores têm. Adoram vestir esta camisola. E por todo o trabalho feito nos últimos anos. São pontos diferentes. Chegámos ao Mundial com objetivos muito claros, temos os mesmos. Com clareza de que o processo era muito exigente, já por saber o que é o Mundial, as viagens, o fuso horários, mas também pelos adversários. Não há jogos fáceis, há sim jogos que se tornam fáceis. A equipa está focada, a trabalhar muito bem, e é isso que levo comigo. Crescemos muito nos últimos dias e isso é muito positivo».

«Mudanças na equipa? Os primeiros 20 minutos foram muito bons. E depois, os outros 25′, muito maus. Com os mesmos jogadores, adversário, estádio. Há aspetos que temos de ajustar, melhorar. Mas dentro do contexto de quem estava no campo. Gostei muito da atitude dos jogadores que entraram, mas acho que precisamos de preparar todos os jogos em relação ao adversário e ao momento dos jogadores. Precisamos de preparar jogo a jogo, mas não é a reação emotiva do primeiro jogo. É uma reação racional e que nos ajude a estar mais perto dos números e objetivos que procuramos».

«Pontos fracos? A equipa perfeita não existe no futebol. Há equipas que querem ter bola, que querem jogar em posse, e outras que são muito bem organizadas e jogam melhor sem bola. Nós respeitamos muito o Uzbequistão e a experiência de Fabio Cannavaro. É sempre difícil jogarmos contra equipas assim, mas respeitamos imenso o adversário e temos de estar prontos para um jogo muito desafiante. Todas as equipas no mundo têm pontos fracos e pontos fortes».

«Jogo de Cristiano Ronaldo? Somos uma equipa que quer a bola e que quer rapidamente recuperá-la. E quando temos a bola, precisamos de muita personalidade, clareza de como chegar à área adversária. E é preciso um jogador que abra os espaços. E o Cristiano é o mais forte a fazer isso, os números dizem isso. É um ícone. Esses movimentos, o abrir o espaço. No fundo, é a última peça dentro da nossa estratégia».

«Análise ao Grupo K? Podemos falar muito de aspetos técnicos e táticos de todas as equipas, mas há um ponto que está relacionado com o aspeto emocional de jogar um Mundial. E isso pode potenciar muito uma seleção no Mundial. É um dos melhores momentos na vida dos jogadores. E há equipas que, quando cá chegam, não conseguem dar o seu melhor por causa da pressão e da atenção. É muito difícil fazer previsões, mas a Colômbia é uma equipa espetacular, um treinador muito bom. O Uzbequistão é uma equipa que se sente muito bem com uma linha de cinco mas também consegue transições muito rápidas e que trabalha muito bem as bolas paradas. São todas equipas diferentes».

«6 Líderes do balneário? Temos mais. Tem a ver com o que fazes todos os dias, com o comportamento. O nosso grupo de liderança tem seis jogadores, os seis que têm mais jogos pela Seleção. Cristiano Ronaldo, Bernardo Silva, Bruno Fernandes, Rúben Dias, Rúben Neves e João Cancelo».

«Críticas a Ronaldo? É obviamente um jogador muito experiente e isso ajuda. Um grande exemplo de como as pessoas se devem focar. A maneira como recupera, como se prepara… É um grande exemplo para nós. Vai para o sexto Mundial e ajuda-nos muito. Mas isso não nos tira toda a frustração que tivemos depois do jogo com a RD Congo. Mas talvez tenha sido o melhor ponto de partida para preparar o jogo seguinte. Acho que amanhã vamos ter uma equipa preparada desde início para podermos ter uma grande exibição».

«Surpresas no Mundial? É uma boa reflexão. Hoje em dia já não há surpresas. Hoje preparamos um jogo com tecnologia que nos permite ter todas as informações. Todas as equipas preparam muito bem os jogos. A nível tático, técnico… O aproveitamento dos espaços, os momentos de finalização. Mas todas as equipas se abrem. Os jogos mudam, claro. Há aspetos em que as equipas estão menos preparadas. Quando as equipas conseguem manter o jogo com o plano que prepararam, tornam-se muito competitivas. Hoje toda a gente se prepara muito bem e todos os selecionadores trabalham muito bem».

«Outras seleções? Um treinador que precisa de inspiração nesta altura já vai tarde. Temos uma equipa de analistas, de pessoas que preparam todos os passos. Temos um percurso e isso é muito claro. Tem de estar preparado muitos meses antes. O melhor aspeto é: como é que estão os jogadores? Essa é a melhor fonte de inspiração e informação. O que acontece nos treinos. E é bom que os jogadores aproveitem, que se sintam frescos. Olhar para os outros jogos? Não temos tempo. Se vir a imprensa portuguesa, percebe que estamos sempre na praia».

Diogo Ribeiro
Diogo Ribeirohttp://www.bolanarede.pt
O Diogo tem formação em Ciências da Comunicação, Jornalismo e 4-4-2 losango. Acredita que nem tudo gira à volta do futebol, mas que o mundo fica muito mais bonito quando a bola começa a girar.

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