Dia de Portugal e dos Portugueses – Diário do Mundial 2026 #13

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Lê também os outros capítulos do Diário do Mundial 2026. 

A resposta de Portugal | Portugal 5-0 Uzbequistão 

Cristiano Ronaldo Portugal
Fonte: FPF

Foi uma das semanas mais conturbadas da história recente da seleção nacional. O empate na estreia, diante da RD Congo, por parte de uma equipa que se quer assumir candidata e que os adeptos vêem como favorita levou a um turbilhão de emoções, de exageros e de cobranças tão falsas quanto as desmedidas esperanças. Não que a esperança e a cobrança seja, na sua génese, um instrumento negativo. Simplesmente, quando a racionalidade é descartada e substituída por uma emocionalidade desenfreada, criará sempre cenários inexistentes.

Foi contra esta desconfiança que se substituiu à sobranceria que Portugal entrou em campo diante do Uzbequistão. E, se as dúvidas se criaram num instante, ainda de dissiparam mais rapidamente. Como sempre, o tempo cura tudo, mas ainda mais revitalizador que o correr do relógio, as goleadas curam tudo e ainda mais rápido. Da resignação à euforia, bastaram cinco golos diante da seleção uzbeque. E, do nada, tudo o que estava errado pareceu ficar bem. Seria bom se assim fosse, mas infelizmente as coisas não são assim tão claras. 

Independentemente de tudo, os próximos dias serão mais tranquilos. A estreia diante da RD Congo, nunca comprometeria nada por si só. O mais importante era a reação e a hipótese de crescimento que daí chegaria e a convicção de que, internamente, o desaire na estreia não seria tratado com a leveza com que foi exteriorizado. A primeira amostra, nesse sentido, foi positiva. 

Nuno Mendes Vitinha Portugal
Fonte: FPF

É certo que, neste momento, o Uzbequistão foi o adversário ideal para Portugal. O cenário para o jogo era em tudo semelhante ao diante da RD Congo, ambas seleções com menos argumentos e que tentariam frustrar ao máximo os planos portugueses para, depois, procurar ameaças em ocasiões isoladas. Ainda assim, se as intenções poderiam ser semelhantes, a sua concretização seria sempre totalmente diferente. E, essa diferença, foi perfeita para a seleção portuguesa.

Ao contrário do 5-3-2 da RD Congo, compacto, com capacidade para fechar espaços e de proteger a baliza, o 5-4-1 do Uzbequistão foi sempre um mar de desorganização e de espaços. A seleção uzbeque esteve sempre repartida entre uma pressão alta e uma tentativa de baixar linhas. Ora, ambas as estratégias são perfeitamente válidas, mas impossíveis de coexistir. Quando assim acontece, abrem-se mares de espaços nunca dantes navegados. E, foi nesses mares, que Portugal conseguiu bolinar e chegar ao seu destino. 

A desorganização do Uzbequistão não sempre para desvalorizar os méritos de Portugal, totalmente alheio ao que os jogadores asiáticos faziam em campo. Não dá para esquecer, simplesmente, que o futebol está sempre dependente do adversário e que, diante deste adversário, que defendeu desta maneira, a seleção portuguesa soube sempre o que fazer. 

João Félix Portugal
Fonte: FPF

Por mais simples que tenha parecido, a troca entre João Félix e Bernardo Silva levou os jogadores portugueses para um lugar de muito maior conforto. Como sempre, o jogo luso vai estar sempre muito dependente, na sua estratégia, das relações que se estabelecem nos corredores. Quer à esquerda, com Nuno Mendes com liberdade para projetar, e João Félix a partir de fora para dentro, quer à direita, com João Cancelo a funcionar como lateral que partia de posições mais baixas e Pedro Neto a garantir largura, o jogo português fluiu como a água do mar. Tornou-se muito mais fácil de navegar a partir destas posições. 

Não há uma maneira certa de enquadrar os jogadores nacionais, mas a partir deste posicionamentos, a seleção conseguiu a tal variabilidade e flexibilidade que tanto procura. Não houve apenas uma maneira de atacar ou de agredir o Uzbequistão. Quer em ataques mais rápidos, quer em posses de bola mais prolongadas, quer atraindo a pressão, quer não deixando o Uzbequistão sair, o jogo português foi dominante e valorizou jogadores. E, valorizando os jogadores, Portugal estará mais perto de vencer todos os adversários que tiver pela frente. 

Nuno Mendes funcionou muito para lá do golo. Deu asas e volume ofensivo ao corredor esquerdo, funcionando sozinho como o dinamizador deste lado do campo. É impressionante a capacidade que tem para chegar de trás para a frente. João Cancelo é, nesta fase, um lateral diferente, daí não ter funcionado bem como jogador exterior contra a RD Congo. Tecnicamente, é de outra loiça e a assistência para o primeiro golo comprova-o. Bruno Fernandes foi quem mais subiu o nível de um jogo para o outro. Mesmo partindo de um posicionamento semelhante, teve muito mais liberdade para se desprender da última linha e jogar por todo o lado, tocando na bola e soltando passes. Ora veja-se a assistência para o terceiro golo português.

Cristiano Ronaldo Portugal
Fonte: FIFA

João Félix, complementado por Nuno Mendes, pôde jogar por dentro, nos espaços onde mais consegue acrescentar ao jogo. Para lá da qualidade em espaços curtos, consegue ser um facilitador de jogadas, definindo a poucos toques e tornando lances normais em perigosos. No terceiro golo, antes do passe de Bruno Fernandes, há a clareza de Félix para saber onde fazer o jogo fluir. Por fim, Cristiano Ronaldo fez uma exibição valiosa. Nesta fase do Mundial 2026, mais do que discutir a sua presença ou não no onze, no banco ou no plantel, é importante perceber como e onde é que o avançado mais pode acrescentar ao jogo português. Em desmarcações curtas no espaço e resposta a situações de cruzamento, a nível posicional, conseguirá sempre acrescentar. Com os golos, diminuirá o peso que tem sobre as costas para ser a referência goleadora.

Entre tudo isto, dois golos chegaram de bola parada. Não é surpreendente tendo em conta a presença de Austin MacPhee na equipa técnica, pelo que se viu no Aston Villa e pelo que já se viu diante do Uzbequistão. Além do livre de Nuno Mendes, aí mais da perceção dos jogadores em campo do que de qualquer trabalho exterior, há o livre bem trabalhado que antecede o golo de canto. Mesmo entre tantos ressaltos, o festejo de Roberto Martínez com o escocês de longos cabelos diz tudo sobre o trabalho realizado. 

Um apuramento para as contas de Carlos Queiroz | Inglaterra 0-0 Gana

Carlos Queiroz Gana
Fonte: Federação Ganesa de Futebol

Ponto prévio: o Gana ainda não confirmou, matematicamente, o apuramento para os 16 avos de final do Mundial 2026. No entanto, com oito dos terceiros classificados a confirmarem o apuramento, só mesmo a matemática para encontrar uma hipótese de uma seleção com quatro pontos não seguir em frente. Na prática, a impossibilidade desse cenário permite, desde, já visualizar o Gana na próxima fase. Resta saber qual o lugar, um preciosismo que ninguém conseguiria imaginar há poucos meses. E, como tal, o apuramento é de quase inteira responsabilidade de Carlos Queiroz.

Não é o treinador mais estético e, como tal, tem uma perceção em Portugal que não corresponde necessariamente à realidade. Quer no Irão, em três Mundiais diferentes, quer agora no Gana, onde chegou em abril, sem qualquer tempo de trabalho para lá do período prévio ao arranque da competição, conseguiu sempre chegar a resultados. A questão estética é de gosto. Pode gostar-se mais ou gostar-se menos e, nesse sentido, é tudo legítimo. Quando se avalia o trabalho do treinador português é que já não há espaço para essa distância: este Mundial 2026 pelo Gana é mais um excelente trabalho.

Mais impressionante que a vitória diante do Panamá, chegada já nos descontos, o empate por 0-0 resgatado diante de uma seleção inglesa que, na estreia, se mostrou uma máquina de futebol ofensivo diante da Croácia é o retrato perfeito para entender a metodologia de Carlos Queiroz. O 4-4-1-1 da estreia tornou-se num 4-1-4-1 para enquadrar Thomas Partey no onze e aumentar a presença interior de jogadores. De resto, defensivamente, foi uma exibição ainda mais impressionante no que concerne aos timings do salto na pressão, aos ajustes na movimentação da linha e à cobertura.

Jonas Adjetey Gana Said Martínez Árbitro
Fonte: Federação Ganesa de Futebol

Sempre que um jogador fazia um movimento, rapidamente todos os jogadores ajustavam o posicionamento. Este trabalho de coordenação é a grande marca do trabalho de Carlos Queiroz e garantiu que o Gana, durante 85 minutos, não tenha permitido qualquer oportunidade de perigo à seleção inglesa. Houve, é certo, uma tripla oportunidade, mas depois dela, também tudo se esfumou. No jogo do Gana, ninguém se destacou tanto como Caleb Yirenkyi. É o jogador mais valorizado da seleção no mercado e, seguramente, dará o salto depois da competição. André Villas-Boas já confessou estar de olho e estará a rogar pragas ao Mundial 2026 que o médio tem feito. Não só tem subido o valor de mercado, como certamente terá atraído novos interessados. Impressionante, para lá da capacidade física, essa simplificação quando se olha para um jogador com tamanha envergadura, a capacidade de encurtar espaços, de leitura do jogo e de compensar os colegas. Para exibições tão coordenadas, não basta ter um pulmão grande. É uma pena que seja mais valorizado o pulmão que o trabalho do cérebro em fazer o pulmão correr. 

Quanto à seleção inglesa, depois da estreia impressionante, chegou um desafio bem mais turbulento para os Três Leões. Já com Gareth Southgate, embora de forma diferente, furar blocos baixos e desestabilizar defesas compactas era um dos pontos mais complicados e com Thomas Tuchel é igual. Não porque o treinador alemão priorize, de forma especial, o trabalho defensivo e renegue o processo ofensivo para segundo plano, mas porque pensa essencialmente o jogo a pensar na forma de atacar espaços. Quando é preciso criá-los, há mais dificuldades. 

Nem Harry Kane teve qualquer peso como lançador, nem os avançados conseguiram romper com espaço. De resto, o principal elemento e fonte de desequilíbrio até foi Jude Bellingham, não tanto pelo trabalho com bola, mas por ter sido capaz de, num lance ou outro, chegar à linha final e procurar um movimento de rutura mais curto. Há, no trabalho de Thomas Tuchel, uma convicção que se supõe, quase sempre, à adaptação. Por isso não estão na convocatória jogadores de especial refino para furar blocos mais baixos e, por isso, demoraram tanto tempo a entrar jogadores como Nico O’Reilly, Bukayo Saka ou Marcus Rashford, mais interessantes neste cenário. Para bem dos ingleses, quando for a doer, haverá mais espaços e, quando não os houver, é porque o adversário não terá o mesmo nível individual. O problema é se o 0-0 se arrastar e arrastar e arrastar. 

O culto a Livakovic | Panamá 0-1 Croácia

Luka Modric Croácia Jogadores
Fonte: Federação Croata de Futebol

De dois em dois anos, a Croácia aparece nas grandes competições como uma incógnita total. Nunca há um modelo de jogo perfeitamente consolidado, a renovação vai-se arrastando tal como algumas das grandes referências da seleção (que dizer do nível de Luka Modric, que chegou aos 200 jogos pela seleção, e Ivan Perisic) e as expectativas são um mar de dúvidas. Sobre a Croácia, tanto se lê que é uma seleção que corre por fora para chegar de forma surpreendente a fases adiantadas, como se lê que nem passará a fase de grupos. Há uma espécie de cultura mística associada aos croatas que, com Zlatko Dalic, se tornaram numa seleção com uma prateleira própria, abaixo das candidatas, mas acima das possíveis outsiders. Porque a Croácia não é uma candidata, mas também só será outsider para quem viveu debaixo de uma pedra nos últimos anos.

De resto, para o Mundial a expectativa é ainda superior ao que costuma ser para um Europeu. Os resultados recentes, com uma final em 2018 e uma meia-final quatro anos depois, ajudam a alimentar esta expectativa para perceber qual o real nível da seleção croata. Em 2026, também ainda não há grandes novidades. Diante da seleção inglesa, conseguiu competir mais pelo resultado do que pelo nível exibicional. Não só sofreu quatro golos como não somou grande volume de jogo ou capacidade para se aproximar da baliza adversária. Os dois golos, para o bem e para o mal, surgiram em poucas das oportunidade que a seleção teve para tal. Contra o Panamá, a vitória tímida, por 1-0, espelha bem o rumo do jogo. Na primeira parte, a Croácia pouco criou. Na segunda, as mudanças ao intervalo surtiram efeito imediato e o golo surgiu bem cedo, deixando o resultado ir-se arrastando até ao final, confirmou uma exibição cinzenta com um resultado com as cores do arco-íris.

Dentro desta instituição da Croácia, que se vai formando, nenhum nome tão representativo como Dominik Livakovic. Se Ivete Sangalo tinha um T2 alugado debaixo do Parque da Bela Vista, do qual só saía de dois em dois anos, Dominik Livakovic tem um T2 debaixo de cada concentração croata. O nível que apresenta na seleção é muito inferior aquele que mostrou por qualquer clube por onde passou e que justifica que não tenha sido capaz de se impor em nenhum. Esta época, foi emprestado ao Girona e, quando foi preciso, recusou-se a jogar para garantir que, como já tinha atuado pelo Fenerbahçe, ainda podia ir para outro lado. Acabou por regressar ao Dínamo Zagreb onde ganhou ritmo para aparecer no Mundial 2026. Foi excelente contra Inglaterra e fundamental contra o Panamá, tendo uma das melhores defesas desta edição da prova. Provavelmente, quando o Mundial acabar, voltará a expor todas as lacunas. Até lá, continuará a brilhar jogo sim jogo sim. 

José Fajardo Panamá Marin Pongracic Croácia
Fonte: Federação de Futebol do Panamá

Entre o tédio no jogo croata, há duas novidades que foram capazes de o contrariar. Marco Pasalic é um nome mais alternativo, até pela carreira mas que dá à Croácia algo que só Ivan Perisic, à esquerda, é capaz de dar. Não há muitos extremos puros no conjunto croata e, por isso, o extremo do Orlando City é valioso. Fundamental no golo. Depois, mais refinado tecnicamente, Martin Baturina é um tratado de bom jogador. Mais avançado, de costas para o jogo, consegue aproximar-se da bola, procurar também recuar para ligar o jogo e gerir ritmos. Nesta posição, tem uma delicadeza única na forma como roda para se virar de frente para a baliza. Quando o tédio aumenta, o valor da expressão individual também.

O Panamá, de forma dolorosa, chega à última jornada já sem hipótese para seguir em frente. Chegou a este Mundial como uma seleção bem mais competitiva e cumpriu esse estatuto. Teve maior volume ofensivo contra o Gana e perdeu 1-0, repartiu o jogo contra a Croácia e perdeu 1-0 também. Em ambos os jogos, a seleção de Thomas Christiansen foi traída pela ineficácia ofensiva. 

Deixa boas amostras por parte de alguns nomes, ainda assim. Acima dos outros, Andrés Andrade, central sobre a esquerda, que já havia sido destaque contra o Gana e voltou a assumir protagonismo diante da Croácia, e Yoel Bárcenas. Esperava-se que pudesse ser lançado como um extremo esquerdo falso, cumprindo o papel de terceiro médio a partir do corredor, mas funcionou mesmo como elemento de maior ligação na dupla do meio-campo. Numa altura em que a intensidade no seu sentido mais agressivo é tão realçada, mostrou que a intensidade também se pode medir pelo raio de ações abrangidas pelo pensamento. Fundamental numa das seleções que merecia mais do que os resultados ditaram.

Uma Colômbia que lhe ‘Dai Dai’ muito bem | Colômbia 1-0 RD Congo

Colômbia Adeptos
Fonte: Federação Colombiana de Futebol

Se for preciso encontrar uma seleção favorecida pela FIFA, então esta é a Colômbia. É verdade que nas pausas de hidratação, no pré e no pós jogo e sempre que há uma oportunidade, soam nas colunas do estádio músicas badaladas, capazes de unir povos com muito pouco em comum e de ajudar a passar os períodos de hidratação. Também aí há uma incongruência. Se na discoteca passar Mr. Brightside, dos The Killers, acontece o inverso da pausa para a hidratação. Deixemos isso para uma música má. No futebol é o contrário, vá-se lá entender. 

Retomando o raciocínio da Colômbia, em todos os jogos, antes do apito inicial e já depois dos hinos, ouve-se sempre Shakira e o seu Dai Dai, a música oficial do Mundial 2026, ecoar pelo estádio. Sem querer ser de intrigas, não será a música uma ajuda à seleção colombiana. Se em 2030, aproveitando a ocasião de Portugal acolher o Mundial, começarem a tocar os Xutos e Pontapés antes do apito inicial, provavelmente também haverá um efeito galvanizador na seleção portuguesa. É uma questão musical, afinal. E, quando Shakira repete vezes e vezes ‘Dai, Dai’, os colombianos têm ouvido. E dão-lhe bem.

Por mais que a vitória diante da RD Congo tenha sido bem complicada e tenha surgido já na reta final do encontro, a Colômbia conseguiu ser dona e senhora do jogo durante mais de 80 minutos, mesmo tendo sido melhor domada após a paragem para a primeira hidratação coletiva. Coletivamente, os cafetaros têm o olhar na frente de forma constante. Individualmente, têm jogadores capazes de desbloquear o jogo e de provocar desequilíbrios, mas bem enquadrados na dinâmica coletiva da seleção sul-americana.

James Rodríguez Colômbia
Fonte: Federação Colombiana de Futebol

Daniel Muñoz está a ser o maior destaque da Colômbia no Mundial 2026, onde já marcou dois golos. É um lateral direito de projeção constante e de pensamento ofensivo constante. Embora tenha o movimento padrão de atacar a linha de fundo para cruzar ou o segundo poste, tem ganho capacidade de leitura do jogo para perceber também os momentos em que é mais benéfico fazer o movimento por dentro. Pela ocupação do corredor, a dinâmica colombiana de proteção e enquadramento de James Rodríguez sai reforçada. Quer o 10, ainda com protagonismo claro na seleção, quer Gustavo Puerta, que tem ganho destaque precisamente por estes movimentos, partem da direita para se juntarem por dentro e coexistirem em terrenos interiores. Por dentro, está também Jhon Arias, nesta fase da carreira mais distante da versão de extremo desequilibrador, e mais presente como médio de ligação e definição perto da área, mas também Luis Suárez. Pela presença interior constante, na seleção é mais exigido para atacar a linha defensiva, nas diagonais curtas que encantaram Alvalade. Por fim, e se há direita há dinâmicas para tudo, à esquerda é mais simples. Johan Mojica começa mais baixo e projeta-se para dar o enquadramento a Luis Díaz para, com ou sem bola, atacar o espaço em diagonais. Absolutamente determinante nesta fase da carreira. 

A RD Congo, ao contrário do que aconteceu com Portugal, não conseguiu incomodar, exceção feita a um forcing final de curta duração. Defensivamente, começou o jogo cheia de dificuldades para lidar com as duplas larguras que a Colômbia foi criando, mas a passagem de Yoane Wissa para a ala esquerdo, assumindo um 5-4-1 a defender, foi capaz de devolver a tão desejada segurança defensiva aos africanos. Para tal, a manta ficou curta e ofensivamente a RD Congo deixou de existir.

O resultado esteve em aberto até ao fim e há uma razão clara para isso. Lionel Mpazi, guarda-redes da RD Congo, foi somando defesas atrás de defesas e frustrando as intenções colombianas. Só um remate desviado num defesa o traiu. Num dia em que, de forma artificial e sem razão de ser, como se não fosse possível apreciar toda a genialidade, se voltou a discutir Cristiano Ronaldo ou Lionel Messi, todos fomos relembrados que a única disputa de CR7 neste Mundial 2026 foi mesmo com Lionel Mpazi. E, aí, sorriu o congolês.

Diogo Ribeiro
Diogo Ribeirohttp://www.bolanarede.pt
O Diogo tem formação em Ciências da Comunicação, Jornalismo e 4-4-2 losango. Acredita que nem tudo gira à volta do futebol, mas que o mundo fica muito mais bonito quando a bola começa a girar.

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