Na mais recente edição da revista Dragões, André Villas-Boas lamentou a situação do Boavista, defendendo a revisão dos regulamentos de licenciamento.
Esta segunda-feira, André Villas-Boas voltou a lamentar a situação jurídica e financeira do rival Boavista. Na mais recente edição da revista Dragões, o presidente do FC Porto deixou um apelo para uma revisão dos regulamentos de licenciamento:
«Não compete ao FC Porto substituir-se aos tribunais, aos credores ou aos responsáveis do Boavista. Mas compete-nos afirmar que o futebol português necessita urgentemente de rever os seus regulamentos de licenciamento, sustentabilidade e fair-play financeiro. É necessário escrutinar melhor a origem dos capitais, a idoneidade dos investidores, as garantias dadas às instituições e o cumprimento permanente das obrigações económicas e sociais».
André Villas-Boas reforçou:
«Aquilo que está a acontecer a um clube histórico da nossa cidade não deve ser motivo de satisfação para ninguém. É uma ferida no património desportivo e social do Porto e um alerta para todo o futebol português. O encerramento da atividade, depois de anos de insolvência, incumprimento e degradação financeira, mostra até onde pode chegar uma instituição centenária quando fica dependente de modelos de negócio opacos, de estruturas acionistas desligadas da sua comunidade e de mecanismos de controlo incapazes de agir a tempo».
De seguida, o presidente dos dragões destacou a ligação do Boavista à cidade e às respetivas comunidades:
«Os clubes não são ativos descartáveis. Pertencem à História, às cidades, aos sócios e às comunidades que os construíram. Quando um clube centenário fica ligado às máquinas, falhou muito mais do que uma administração. Falhou um sistema inteiro que deveria ter protegido a competição, os trabalhadores, os adeptos e o património coletivo».
Sobre a importância dos sócios, André Villas-Boas agradeceu aos portistas que adquiriram ou renovaram o Lugar Anual para a nova temporada:
«O processo dos lugares anuais terminou com uma resposta extraordinária. Perto de 96% dos lugares foram renovados e todos os lugares disponibilizados acabaram adquiridos por Sócios que aguardavam na lista de espera. São números que nos orgulham, mas que nunca olharemos apenas como percentagens. A maior taxa de renovação da nossa História representa confiança, pertença e uma vontade enorme de continuar a viver o FC Porto no Dragão. Por detrás de cada renovação está muitas vezes uma família que faz contas, reorganiza prioridades e abdica de outras coisas para continuar presente. A Direção do clube e a Administração da SAD conhecem esse esforço e não o tomam como adquirido. Deixamos, por isso, um agradecimento profundo a todos os que renovaram e aos que esperaram pelo seu momento para adquirir um Lugar Anual».
O presidente do FC Porto acrescentou ainda:
«E não esquecemos aqueles que não puderam continuar. Há lugares com histórias que começaram nas Antas, atravessaram décadas de Dragão e passaram entre gerações. Quem não renovou não deixa de ser Portista, nem perde o seu lugar na memória e na vida do Clube. O FC Porto sabe que a vida nem sempre permite escolher o coração e não pode ficar indiferente à dor de quem interrompe uma ligação construída ao longo de tantos anos. O esforço dos sócios obriga-nos a servir melhor, a melhorar a experiência no Dragão, a gerir com rigor e, naturalmente, a construir equipas capazes de continuar a vencer. Porque o estádio não é apenas betão, cadeiras ou serviços. O Dragão são as pessoas que chegam cedo, que vêm de longe, que trazem filhos e netos, que cantam, exigem, sofrem e nunca deixam a equipa sozinha».
Por fim, André Villas-Boas abordou os planos para a equipa de futsal dos azuis e brancos e também a chegada de Fernando Cardinal:
«Começaremos na Terceira Divisão nacional, com humildade no ponto de partida e ambição no destino. Queremos construir bases sólidas, desenvolver uma identidade própria e criar uma equipa que apaixone os Portistas e que, com o tempo, leve o FC Porto aos patamares que a sua dimensão exige. A escolha de Cardinal para capitão diz muito sobre aquilo que pretendemos. Não é preciso explicar-lhe o que é o Porto, porque ele sempre o viveu. É um portista profundo, um dos grandes nomes da história da modalidade e alguém que classificou este regresso como o dia mais feliz da sua vida desportiva. Antes de a primeira bola rolar, o nosso capitão já representa pertença, emoção, experiência e a responsabilidade de abrir caminho para os que virão depois».

