A Escandinávia tem sido um dos mercados mais interessantes para descobrir jovens jogadores. Suécia, Noruega e Dinamarca têm colocado cada vez mais talento no futebol europeu e, muitas vezes, é preciso olhar para os seus campeonatos internos para encontrar nomes que ainda não estão no radar dos grandes clubes. É na Suécia, na Liga Allsvenskan, que encontramos Markus Karlsson. O médio do Hammarby tem 22 anos e apresenta um perfil que merece ser acompanhado. Não é um jogador que se destaque apenas por uma característica específica. O seu valor está na forma como entende o jogo, na capacidade para ocupar diferentes posições e na importância que assume tanto na construção como nas tarefas defensivas.
Karlsson é, acima de tudo, um médio funcional. Sabe onde estar, sabe quando acelerar e tem qualidade suficiente para jogar sob pressão. A sua polivalência permite-lhe atuar como médio-centro, médio defensivo ou até na lateral direita, tornando-o numa opção interessante para diferentes modelos de jogo. Uma das suas principais qualidades está na capacidade posicional. Karlsson lê bem os espaços e demonstra uma boa compreensão do que o jogo lhe pede em cada momento. Sem bola, consegue antecipar movimentos adversários, fechar linhas de passe e aparecer no sítio certo para recuperar a posse. Não é um jogador que precise de recorrer constantemente ao duelo físico para defender; muitas vezes, chega primeiro à bola através da leitura da jogada.
Com bola, apresenta igualmente bons argumentos. É um jogador confortável na primeira fase de construção e demonstra a compostura necessária para receber e jogar sob pressão. Não se limita a circular a bola de forma segura: procura progredir quando existe espaço e tem qualidade para encontrar passes que ultrapassam linhas adversárias. A condução é também uma ferramenta importante no seu jogo. Karlsson consegue transportar a bola e ganhar metros, sobretudo quando encontra espaço à sua frente. A isto junta-se uma boa capacidade para progredir através do passe, o que lhe permite participar ativamente na ligação entre a defesa e o meio-campo.
Fisicamente, é um jogador interessante. Tem boa aceleração, agilidade e resistência, características que lhe permitem manter intensidade ao longo dos jogos. O seu raio de ação é considerável e não tem problemas em percorrer o campo para cumprir diferentes tarefas. É um médio disponível para trabalhar sem bola, pressionar, recuperar e voltar a aparecer na construção. Essa disponibilidade ajuda a explicar a sua versatilidade. Karlsson pode jogar como número seis, assumindo uma posição mais baixa e dando apoio à saída de bola, mas também pode atuar como médio-centro, oferecendo maior capacidade de transporte e chegada. A possibilidade de desempenhar funções na lateral direita acrescenta outra dimensão ao seu perfil e demonstra a sua capacidade de adaptação.
Ofensivamente, contudo, ainda existe margem para crescer. Karlsson não é um médio com grande influência no último terço e a sua presença na área adversária tende a acontecer de forma tardia. Apesar de ter capacidade para aparecer em zonas de finalização e de possuir qualidade no remate de média distância, esta não é, atualmente, a principal dimensão do seu jogo. Também poderá beneficiar de uma maior capacidade para criar situações de perigo e assumir mais responsabilidade perto da área.
Ainda assim, essa limitação não retira valor ao seu perfil. Karlsson parece ser um jogador consciente das suas características e não procura fazer aquilo que não domina. A sua influência está sobretudo na construção, na ocupação dos espaços, na recuperação da bola e na capacidade para dar equilíbrio à equipa.
Aos 22 anos, o médio do Hammarby apresenta ainda margem para evoluir e, sobretudo, para acrescentar novas dimensões ao seu jogo. O próximo passo poderá passar por um contexto competitivo mais exigente, onde possa testar a sua capacidade de adaptação e perceber até onde pode levar este perfil.
Markus Karlsson é ainda um jogador em desenvolvimento. É precisamente essa margem de evolução que torna o seu caso interessante. Tem uma boa base técnica, inteligência tática, capacidade física e uma versatilidade pouco comum para a sua idade. Se conseguir aumentar a influência no último terço sem perder as características que já fazem dele um médio competente, poderá tornar-se um nome bastante interessante no mercado europeu.

