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O Sporting empatou no terreno do Famalicão (1-1). Fica com o meu relatório tático do encontro da 6.ª jornada da Primeira Liga.
O Sporting deslocou-se a Famalicão e empatou com a equipa minhota (1-1), na 6.ª jornada da Primeira Liga. Segue o meu relatório tático dedicado à análise do encontro, com foco na identificação dos principais comportamentos coletivos e individuais apresentados por ambas as equipas ao longo do jogo.
Relatório Tático – Famalicão x Sporting
Famalicão
Organização defensiva
- Estrutura: 4-4-2 em bloco médio-baixo, com Mathias de Amorim e Koutsias na primeira linha de pressão, procurando sobretudo fechar o corredor central e condicionar movimentos de Sergi Altimira.
- Orientação da pressão: numa primeira fase, o Famalicão permitia que o Sporting saísse através dos centrais Gonçalo Inácio e Zeno Debast, procurando não expor demasiado a estrutura. A pressão surgia sobretudo através de gatilhos, nomeadamente quando a bola era jogada para trás ou quando existiam condições para encurtar sobre os centrais.
- Comportamento zonal: o Famalicão apresentou um comportamento predominantemente zonal, com o bloco a oscilar em função do lado da bola. Esta opção era particularmente importante perante a mobilidade dos jogadores ofensivos do Sporting, permitindo que os jogadores pudessem sair das suas posições para pressionar quem aparecesse na sua zona sem ficarem presos a referências individuais.
- Controlo das zonas interiores: Sorriso e Gil Dias baixavam para a linha dos médios, juntamente com Tamas Szucs e Marcos Peña, formando uma linha de quatro compacta. O objetivo passava por proteger o espaço interior e, simultaneamente, dar capacidade para realizar coberturas sobre Rodrigo Pinheiro e Pedro Bondo.
- Controlo dos corredores: a estrutura procurava impedir situações de 1×1 de Geny Catamo, Luis Guilherme e Maxi Araújo nos corredores. Quando a bola chegava aos corredores, o extremo do lado da bola tinha capacidade para sair na largura, enquanto os restantes jogadores ajustavam o bloco.
- Proteção entrelinhas: a proximidade entre a linha defensiva e a linha média dificultou a capacidade do Sporting para encontrar jogadores entre linhas, obrigando os jogadores de Rui Borges a procurar frequentemente movimentos de rutura para tentar desorganizar a última linha.
Organização ofensiva
- Saída de bola: numa primeira fase, o Famalicão procurava sair com a linha defensiva baixa, atraindo a primeira linha de pressão do Sporting. No entanto, perante a pressão alta dos leões, a equipa procurava rapidamente recorrer ao jogo longo através dos centrais.
- Estrutura dos médios: Tamas Szucs e Marcos Peña assumiam posições mais baixas na construção, procurando atrair Sergi Altimira e Issa Doumbia e criar espaço entre a linha média e defensiva do Sporting.
- Ocupação da última linha: Sorriso, Gil Dias e Koutsias procuravam fixar a linha defensiva do Sporting, enquanto Mathias de Amorim aparecia entrelinhas. O objetivo passava por criar condições para disputar a segunda bola e, caso o médio conseguisse receber, aproveitar espaço para conduzir e desequilibrar.
- Jogo direto e segundas bolas: perante a pressão do Sporting, o Famalicão procurava colocar rapidamente a bola nos quatro jogadores mais adiantados. A intenção era criar situações de duelo, conquistar a primeira ou segunda bola e, a partir daí, acelerar o ataque.
- Projeção dos laterais: numa fase mais adiantada da construção, Pedro Bondo e Rodrigo Pinheiro tinham diferentes alturas. Com maior frequência, Rodrigo Pinheiro assumia uma posição mais projetada no corredor direito, enquanto Pedro Bondo permanecia mais baixo no corredor esquerdo para garantir equilíbrio.
- Ataques rápidos: após recuperação da bola, o Famalicão procurava acelerar imediatamente, projetando Koutsias, Mathias de Amorim, Gil Dias e Sorriso em transições ofensivas.
- Sorriso por dentro: em determinados momentos, Sorriso realizava movimentos de fora para dentro, encontrando alguns espaços entre linhas para receber e progredir.
Limitações
- Dificuldade para progredir perante a pressão alta: a tentativa de atrair o Sporting para depois jogar longo nem sempre permitiu ao Famalicão controlar o jogo após a primeira bola, sobretudo quando não conseguiu conquistar o primeiro duelo.
- Excesso de procura pelas transições: na primeira parte, o Famalicão procurou frequentemente acelerar o jogo e explorar as transições, mas revelou pouca capacidade para ter bola e dar continuidade às suas posses. Perante um Sporting que teve mais bola durante largos períodos, teria sido importante colocar mais gelo no jogo e circular a bola com maior calma.
- Pouca continuidade após a recuperação: quando não conseguia ganhar imediatamente o duelo ou a segunda bola, o Famalicão tinha dificuldade em manter a posse e voltar a instalar-se no meio-campo ofensivo.
Sporting
Organização defensiva
- Estrutura: na pressão à saída de bola do Famalicão, o Sporting apresentou diferentes estruturas, entre o 4-2-4 e um 4-3-3 assimétrico. Geny Catamo podia assumir uma posição mais alta ou baixar, dependendo também do posicionamento de Pedro Bondo.
- Bloco mais baixo: quando baixava no terreno, a equipa podia organizar-se em 5-3-2 ou 4-4-2, com Geny Catamo a baixar para a linha de cinco mediante o lado da bola.
- Equilíbrio na perda: em vários momentos, Ivan Fresneda permanecia mais baixo e Sergi Altimira mais posicional. O Sporting procurava, assim, garantir uma estrutura de 3+1 – Fresneda, Inácio e Debast na primeira linha, com Altimira à frente – para controlar as transições do Famalicão.
- Dificuldade em contrariar os cruzamentos: o Sporting revelou algumas dificuldades em contrariar os cruzamentos do Famalicão. Curiosamente, uma dessas situações acabou por resultar no lance mais perigoso da equipa adversária na primeira parte, com um cabeceamento de Sorriso e outra situação resultou no auto-golo de Gonçalo Inácio.
Organização ofensiva
- Construção a três: o Sporting procurou construir com três jogadores na primeira fase, através da descida de Sergi Altimira para o meio de Zeno Debast e Gonçalo Inácio ou com Ivan Fresneda a assumir uma posição mais baixa, ou com Issa Doumbia a também a lateralizar à esquerda.
- Opção mais frequente: ao longo do jogo, foi mais frequente Fresneda permanecer baixo, permitindo ao Sporting manter uma saída a três, com Sergi Altimira e Issa Doumbia em terrenos interiores. Esta solução, contudo, teve consequências na capacidade de atacar o corredor direito.
- Corredor esquerdo: o Sporting encontrou algumas das suas melhores soluções pelo lado esquerdo, através das combinações entre Luis Guilherme, Maxi Araújo e Issa Doumbia.
- Maxi Araújo por dentro: na primeira parte, Maxi Araújo procurava frequentemente zonas interiores, enquanto Luis Guilherme assumia a largura. Maxi tinha também como função atacar a profundidade, procurando esticar a última linha do Famalicão através de movimentos de rutura.
- Issa Doumbia entrelinhas: Doumbia assumia uma posição mais adiantada na meia-esquerda, procurando estar próximo da área e participar nas combinações, mas também atacar o espaço entre central e lateral.
- Ataque à última linha: perante o bloco compacto e zonal do Famalicão, o Sporting procurou desorganizar a última linha através de movimentos coordenados de rutura de Maxi Araújo, Luis Suárez, Issa Doumbia e, em alguns momentos, Fresneda.
- Centrais como iniciadores: com Gonçalo Inácio e Zeno Debast pouco pressionados na primeira fase, os dois centrais assumiram responsabilidade na progressão. Procuraram utilizar a qualidade de passe para encontrar diretamente jogadores nas costas da defesa ou entrelinhas.
- Problema dos passes longos: como os defesas do Famalicão estavam frequentemente de frente para o jogo, conseguiram controlar várias dessas bolas longas, reduzindo a eficácia dessa solução.
- Segunda parte: maior liberdade para Ivan Fresneda ocupar o corredor direito e atacar espaços mais adiantados. O lateral conseguiu aparecer em zonas de cruzamento e dar maior profundidade ao ataque do Sporting.
Limitações
- Fresneda demasiado baixo: a opção de construir frequentemente com Fresneda na primeira linha permitiu ao Sporting garantir uma saída a três, mas retirou presença, em alguns momentos, ao corredor direito numa segunda e terceira fase.
- Geny Catamo: com Fresneda mais baixo, Geny ficou em alguns momentos desapoiado no corredor direito. O extremo tinha menos apoios para criar situações de 1×1 perante Pedro Bondo, sobretudo porque Sorriso realizava coberturas frequentes.
- Dificuldade em atacar o bloco zonal: a organização zonal do Famalicão, com os jogadores a oscilar em função da bola, dificultou a criação de espaços interiores. O Sporting teve de recorrer frequentemente a movimentos de rutura para tentar abrir a linha defensiva.
- Pouco aproveitamento da largura: quando o Famalicão concentrava o bloco no lado da bola, o espaço aparecia no corredor contrário, mas o Sporting nem sempre conseguiu variar o centro de jogo suficientemente rápido para explorar essa zona.
- Dependência dos centrais: Inácio e Debast tiveram liberdade para procurar passes verticais, mas, perante a organização de frente do Famalicão, várias tentativas de bola longa acabaram por ser controladas pela linha defensiva.
O que poderia ter sido diferente no Sporting
- Altimira a construir a três: em determinados momentos, teria sido interessante utilizar mais Sergi Altimira entre os centrais em vez de Ivan Fresneda. Esta alteração permitiria libertar o lateral espanhol para uma posição mais adiantada.
- Fresneda como apoio a Geny: com Fresneda numa segunda ou terceira linha, o Sporting poderia criar mais relações no corredor direito, através de permutas com Geny Catamo, movimentos por dentro ou sobreposições por fora.
- Maior largura dos centrais: Além disso, ao utilizar Altimira como terceiro homem na construção, Gonçalo Inácio e Zeno Debast poderiam abrir mais, aumentando as distâncias relativamente à primeira linha de pressão composta pelos dois jogadores do Famalicão e criando melhores condições para procurar diretamente o corredor contrário.
- Explorar a basculação do Famalicão: como o Famalicão apresentava um comportamento zonal e fazia o bloco oscilar em função do lado da bola, era fundamental procurar rapidamente o corredor contrário após atrair a estrutura para um dos lados.
- Qualidade de Inácio e Debast na variação: com os dois centrais mais abertos, o Sporting poderia potenciar ainda mais a qualidade de passe de Inácio e Debast para encontrar Maxi Araújo ou Luis Guilherme à esquerda e Geny Catamo à direita, ultrapassando de uma só vez a primeira e segunda fase de construção, uma das alternativas para não procurar sempre virar flanco pelo chão.


Rodrigo Lima

