O primeiro troféu da época de futebol feminino 2026/27 ficou nas mãos do Benfica. Num Estádio Municipal do Fontelo castigado por temperaturas superiores a 30 graus, as encarnadas venceram o FC Porto por 5-1, numa partida que até teve momentos de equilíbrio antes de se transformar numa demonstração de força da equipa de Ivan Baptista.
Frøya Dorsin, Nycole Raysla, Marit Lund, Caroline Møller e Anna Csiki marcaram os golos das águias, enquanto Fátima Pinto fez o único tento portista.
O Benfica entrou melhor e rapidamente assumiu o controlo da partida, pressionando alto e dificultando a construção azul e branca. Ainda assim, foi o FC Porto quem colocou primeiro a bola na baliza: aos sete minutos, Maria Negrão cobrou um livre lateral e Morgan Stone desviou para o fundo das redes, mas uma longa intervenção do VAR terminou com o golo anulado por fora de jogo milimétrico.
Para além de ver esse golo invalidado, a equipa portista foi duplamente castigada. Aos 13′, Lúcia Alves lançou Frøya Dorsin, que aproveitou uma abordagem deficiente de Daniela Santos e bateu Cora Brendle para inaugurar o marcado, no lance seguinte ao reatamento do jogo depois da já citada consulta do VAR-
As portistas tinham dificuldades em ligar o meio-campo ao ataque, enquanto Caroline Møller assumia protagonismo no último terço encarnado. Porém, as bolas paradas revelavam-se uma arma perigosa da equipa de Daniel Chaves.
Aos 33′, uma mão de Møller, após remate de Eliza Turner, valeu uma grande penalidade e Fátima Pinto não desperdiçou, restabelecendo a igualdade. O golo fez crescer o FC Porto, que subiu a pressão e viveu então o seu melhor período, mas o Benfica voltou a adiantar-se antes do descanso: aos 42′, Diana Gomes encontrou Nycole Raysla em profundidade e a brasileira aproveitou o adiantamento de Cora Brendle para assinar, com classe, o 2-1.
Ainda houve tempo para um último susto antes do intervalo. Maria Negrão tentou surpreender diretamente de canto e obrigou Lena Pauels a uma excelente intervenção. O Benfica chegava ao descanso em vantagem, mas perante um FC Porto que tinha encontrado nas bolas paradas e na subida da pressão argumentos para manter a Supertaça em aberto.
Se a primeira parte ainda deixou dúvidas sobre o desfecho, a segunda tratou rapidamente de as dissipar. O Benfica regressou com uma pressão sufocante sobre a construção portista e instalou-se no meio-campo adversário. Aos 55′, Daniela Santos derrubou Catarina Amado dentro da área e Marit Lund converteu a grande penalidade, fazendo o 3-1 um minuto depois.
O domínio encarnado tornou-se praticamente absoluto. Carolina Tristão comandava o meio-campo, Dorsin obrigou Cora Brendle a uma grande defesa e Lúcia Alves transformou o corredor direito numa constante fonte de perigo. Aos 66′, a internacional portuguesa voltou a desequilibrar e serviu de forma perfeita Caroline Møller, que apareceu para finalizar e colocar o marcador em 4-1.
Era o prémio para uma exibição de grande influência da dinamarquesa e mais uma assistência para uma Lúcia Alves que se afirmava como a grande figura da tarde.
Com o FC Porto já sem capacidade de resposta e com poucas soluções para poder refrescar o seu ataque (Lara Perruca e Alex Kerr encontram-se lesionadas), Ivan Baptista refrescou a equipa sem perder intensidade.
Andreia Norton (regressada depois de mais de 470 dias no estaleiro) ainda obrigou Cora Brendle a nova intervenção, mas o quinto acabaria mesmo por chegar. Aos 82′, duas jogadoras lançadas a partir do banco construíram a “manita”: Chandra Davidson assistiu Anna Csiki e a internacional húngara fez o 5-1. Já nos descontos, Lúcia Alves esteve perto de coroar a sua magnífica exibição com um remate em arco, mas a bola saiu ligeiramente por cima.
O apito final confirmou uma vitória pesada e inequívoca. O FC Porto, ainda a preparar a estreia entre a elite do futebol feminino português, conseguiu discutir o encontro durante alguns períodos da primeira parte, mas não encontrou resposta para a intensidade e qualidade que o Benfica apresentou depois do intervalo.
As encarnadas começam a nova temporada como terminaram as anteriores: a levantar um troféu e a deixar um sério aviso à concorrência de que quererão manter a hegemonia no futebol feminino nacional.
BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA
Bola na Rede: Depois do intervalo, o Benfica aumentou a intensidade da pressão sob o portador da bola, empurrando o FC Porto para trás e protagonizando uma segunda parte de grande nível, com a Carolina Tristão a encher o campo no miolo, jogando como uma veterana, mas tendo apenas 17 anos. Pergunto-lhe o que lhes pediu ao intervalo.
Ivan Baptista: O plano de jogo e a nossa intenção era que a pressão fosse constante, mas recuamos em demasia quando nos adiantamos no marcador, e não era isso que pretendíamos. Sabíamos que o calor ia ser um factor, mas não fiquei satisfeito com esse momento do jogo. A mensagem era para continuarmos a pressionar e a sermos intensas. Na primeira parte, antes do golo anulado ao FC Porto, criamos duas oportunidades motivadas por essa pressão que fizemos sobre as jogadoras do FC Porto. Conseguimos condicionar mais a fase de construção do FC Porto na segunda parte, e impedir que elas subissem esses 15 metros que conseguiram subir no final da primeira parte. Quanto à Carolina Tristão, e não gostando de individualizar, posso dizer que é uma jogadora que já conhecemos. A mim não me importa a idade porque no futebol isso pouco ou nada conta, o que me importa é a qualidade, e essa ela tem-na. Ainda tem muito para crescer, mas é uma menina muito madura, que sabe que tem muito trabalho para a frente. Foi um bom jogo dela, mas ela sabe que quando regressar do Mundial Sub-20, vai ter de trabalhar muito para ganhar novamente um lugar na nossa equipa.
Bola na Rede: O FC Porto sentiu muitas dificuldades na primeira fase de construção na primeira meia-hora de jogo perante um Benfica que defendia alto e rapidamente recuperava a posse. Pergunto-lhe o que faltou para que a sua equipa pudesse ser mais incisiva nesse momento do jogo.
Daniel Chaves: Faltou-nos aproveitar as superioridades que tínhamos nessa fase. Faltou-nos ter mais tranquilidade nesse momento com bola e conseguirmos ter mais controlo.
Temos de ter mais discernimento com bola, e conseguir ser mais forte nos duelos individuais, perante uma equipa muito forte nesse momento do jogo, como é a do Benfica. O objectivo era trazer alguma mobilidade e conseguir desposicionar a equipa do Benfica, mas conseguimos menos vezes do que as que pretendíamos. Muitas mexidas, muitas entradas na equipa, e acima de tudo é dentro disso que vamos crescer como equipa.

