Tempestade em Barcelos: o Gil Vicente atropela um Famalicão sem resposta | Gil Vicente 5-0 Famalicão

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O futebol tem dias em que tudo se explica num único momento. Em Barcelos, esse instante chegou aos 42 minutos, quando Mathias de Amorim perdeu a cabeça, deixou o cotovelo falar mais alto, agredindo Santi García de forma infantil (como o seu treinador reconheceu em declarações após o jogo) e condenando o Famalicão a uma tarde longa, pesada e impossível de travar. 

A partir daí, o jogo inclinou-se de forma definitiva e o Gil Vicente construiu uma vitória avassaladora por 5-0, num dérbi minhoto que começou equilibrado e terminou em goleada histórica. No Estádio Cidade de Barcelos, encontravam-se Gil Vicente e Famalicão para um encontro que reunia duas das equipas que praticam melhor futebol na nossa Primeira Liga, mas o espectáculo ficou aquém das expectativas. 

Depois da derrota pesada no Estádio do Dragão (3-0 frente ao FC Porto), que interrompera uma série de seis jogos sem perder, e muito condicionada pela expulsão precoce de Martín Fernández a meio da segunda parte, com pouco mais de um minuto em campo,  os gilistas responderam da melhor forma possível, determinados a demonstrarem que o resultado anterior não espelha o grande campeonato que esta equipa tem feito, sob o comando de César Peixoto. 

Com personalidade, intensidade e futebol de alta qualidade. Do outro lado, um Famalicão que vinha moralizado por duas vitórias consecutivas, incluindo um expressivo 3-0 ao Tondela, saiu de Barcelos vergado a uma derrota bastante pesada. Ambas as equipas apresentaram o habitual 4-2-3-1, com ambas equipas a quererem potenciar a grande influência de Luís Esteves e Gustavo Sá na manobra ofensiva das respectivas equipas. Mas a semelhança tática ficou-se por aí.

Debaixo de muita chuva, mas com um relvado em excelentes condições, o Gil Vicente entrou fortíssimo no encontro. Logo no primeiro minuto, viu um golo ser anulado por fora de jogo, num aviso claro da postura ofensiva com que a equipa de César Peixoto se queria apresentar. Todo o jogo ofensivo passava pelos pés de Luís Esteves, absolutamente imperial na organização, nas variações de flanco e na leitura do jogo. A sua influência foi transversal: da construção à recuperação defensiva, sempre com critério e inteligência.

O Famalicão não conseguia ter bola nos minutos iniciais. Jogava em bloco muito baixo, algo pouco habitual na equipa de Hugo Oliveira, enquanto o Gil Vicente assumia riscos, jogando muitas vezes com a linha defensiva junto ao meio-campo. Santi García liderava a pressão alta, sendo um dos elementos mais incómodos para a saída de bola famalicense.

Os gilistas somaram cantos, ocasiões e um segundo golo anulado por fora de jogo, aos 34 minutos, num lance em que Carlos Eduardo apareceu isolado após grande passe de Murilo de Souza. O domínio era claro, mas o marcador insistia em não mexer.  Até que chegou o lance-chave da partida.

Aos 42 minutos, Mathias de Amorim atingiu Santi García com uma cotovelada dentro da área. O árbitro Anzhony Rodrigues não hesitou: penálti e expulsão. Dupla punição para o Famalicão, que ficou reduzido a 10 unidades ainda antes do intervalo. Chamado à cobrança, Murilo Souza não desperdiçou e inaugurou o marcador, enganando Lazar Carevic com um remate para o centro da baliza.

A tarefa famalicense tornava-se hercúlea. Apesar da inferioridade numérica, o Famalicão entrou com atitude na segunda parte e até beneficiou de um lance polémico, após um pisão de Santi García sobre Gustavo Sá, que a equipa de arbitragem entendeu não ser passível de grande penalidade.

Mas a esperança de uma melhor exibição do Famalicão foi passageira e caiu por terra poucos minutos depois. Aos 53 minutos, o defesa-central Jonathan Buatu ampliou a vantagem, surgindo ao segundo poste para finalizar um cruzamento perfeito de Luís Esteves, coroando mais uma exibição de enorme qualidade do médio gilista.

Carevic ainda evitou que o resultado se tornasse mais pesado em duas grandes intervenções, uma delas a um forte remate de meia distância de Konan, mas o jogo estava completamente controlado pelo Gil Vicente.

As substituições de ambos os lados não alteraram o rumo da partida. O Gil Vicente manteve a estrutura, a intensidade e a ambição. Joelson Fernandes entrou para dar ainda mais velocidade e criatividade ao ataque, e a partir daí o jogo transformou-se numa sucessão de golpes fatais.

Aos 80 minutos, Gustavo Varela protagonizou um grande lance individual para fazer o 3-0. Três minutos depois, voltou a marcar, bisando na partida e desatando a euforia no Estádio Cidade de Barcelos.

Ainda houve tempo para Luís Esteves quase marcar um golo de levantar o estádio, para um livre perigosíssimo de Justin de Haas ao poste, que podia ter sido o golo de honra famalicense, e para, logo de seguida, Santi García fechar a contagem com o quinto golo, num resultado totalmente justo face ao que aconteceu depois da expulsão, pois o Famalicão quase se demitiu de competir a partir do segundo golo gilista.

O Gil Vicente foi superior desde o primeiro minuto, teve personalidade, identidade e qualidade, e soube aproveitar da melhor forma o momento que decidiu o jogo. O Famalicão, reduzido a 10, nunca conseguiu reagir e acabou por sair de Barcelos com uma derrota difícil de digerir.

Um 5-0 expressivo, construído com futebol, intensidade e um protagonista claro no meio-campo chamado Luís Esteves, num jogo que ficará marcado pelo lance que mudou tudo… e por uma tarde de afirmação total da equipa de Barcelos, que atropelou um Famalicão sem resposta.

O Bola na Rede esteve presente no Estádio Cidade de Barcelos e teve a oportunidade de fazer uma pergunta a César Peixoto, treinador do Gil Vicente. O treinador do Famalicão só respondeu a dois órgãos de comunicação social.

Bola na Rede: Na primeira parte, o posicionamento do Santi García trouxe muitos problemas à saída de bola da equipa do Famalicão, que tem sempre muita qualidade na sua fase de construção de jogo ofensivo. Considera que esse posicionamento do Santi foi essencial para poder anular as maiores armas do Famalicão e para que a equipa ganhasse mais confiança com bola? 

César Peixoto: Sim, o Santi jogou numa posição mais avançada que no jogo contra o FC Porto. É um jogador muito importante para nós, com bola e sem bola. É muito agressivo. Tem um bom timing de saltar em pressão. Nós sabíamos que o Famalicão tem qualidade, tem uma boa ideia de jogo, e nós não queríamos deixá-los respirar muito com bola, nem que assentassem muito o jogo. Fomos sempre uma equipa constante e agressiva do primeiro ao último minuto. A equipa tem capacidade física e organização para o fazer, e fizemo-lo muito bem. Foi o Santi, foi o Carlos, fez um excelente jogo também. A equipa no seu todo identificou bem o que era para fazer em todos os momentos. O jogo foi bem preparado. Não permitimos remates enquadrados ao Famalicão. A equipa teve um comportamento fantástico. Uma palavra a todos aqueles que saíram do banco. Esta equipa vale pelo seu todo e hoje viu-se isso muito bem. Não foi só o Santi. Hoje, os meus jogadores cumpriram à risca o plano que nós tínhamos para este jogo. Sobretudo, foram inteligentes na forma como manejaram a pressão na organização do Famalicão e os timings de jogo. É uma vitória muito completa da minha equipa.

Tiago Campos
Tiago Campos
O Tiago Campos tem um mestrado em Comunicação Estratégica mas sempre foi um grande apaixonado pelo jornalismo desportivo, estando a perseguir agora esse sonho. Fã acérrimo do "Joga Bonito".

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