UFC 325: Outra masterclass do velhinho

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Volkanovski apresentou-se melhor do que nunca, e a idade parece ainda não pesar para o lutador de UFC.

O UFC 325 presenteou os australianos com um excelente espetáculo, a meu ver superando o UFC 324 (embora não fosse um desafio propriamente difícil), apresentando lutas mais emocionantes e melhores tecnicamente. No evento principal, Alexander Volkanovski reencontrou Diego Lopes, o seu último oponente no octógono antes deste evento, e conseguiu superar-se, dominando de maneira ainda mais convincente o brasileiro.

Mencionei na antevisão que se a luta se desenrolasse da mesma maneira, com Diego Lopes a respeitar o campeão e envolver-se numa luta de kickboxing técnica, o resultado seria o mesmo. E Diego Lopes não conseguiu, novamente, introduzir o jogo que o fez subir meteoricamente os rankings. O que vimos foi um replay da primeira luta entre os dois, mas desta vez Volkanovski estava ainda melhor preparado, sendo notória a melhoria no condicionamento.

Volk dominou com os chutes baixos, circulando para evadir a mão dominante do brasileiro, e entrava na curta distância com um timing perfeito, aplicando sequências de golpes que aleijavam, embora Diego Lopes tentasse sempre fazer pouco caso.

Na opinião dos júris, foi um 4-1 fácil (com um júri a dar 5-0) a favor do australiano, que solidifica cada vez mais o seu caso como “GOAT” da divisão, indiscutível. Igualou o recorde histórico de José Aldo, com oito vitórias em lutas pelo título, e com 37 anos, é o campeão mais velho da história da divisão.

A luta “BMF” do evento, talvez tenha deixado os espetadores surpresos. Afinal, era esperada uma guerra, foi prometida uma guerra, mas o que vimos foi um massacre. Dan Hooker começou bem, aplicando bons chutes na região do tronco e conectando bem o francês, parecia haver uma clara diferença de poder e era visível na cara de Saint Denis que a pressão estava a acumular.

Só que como escapatória, o francês recorreu ao grappling, e antes do fim do primeiro round, aplicou uma queda de judo e conseguiu respirar até ao final do assalto. Mas ficou óbvio o caminho de menor resistência, então Saint-Denis entrou no segundo round com o plano traçado. A oportunidade no entanto surgiu do próprio Dan Hooker, que tentou a queda mas acabou por ficar na posição desfavorável.

E o francês conseguiu encaixar um triângulo de braço, que quase apagou o neozelândes, e embora ele tenha sobrevivido, a energia foi drenada, então Saint Denis desistiu do triângulo e partiu para o “ground and pound“, e Dan Hooker já não tinha como responder, TKO foi o final.

Luta(dor) da Noite

Na sexta-feira tinha destacado a luta entre Mauricio Ruffy e Rafael Fiziev como o encontro a ter em conta, e que poderia roubar os holofotes do evento, e embora o duelo tenha sido curto, pelo menos o brasileiro Ruffy saiu destacado.

Rafael Fiziev começou a dominar as interações, colocando o brasileiro a andar para trás e cortando o octógono para encurralá-lo. E parecia que teríamos um domínio do atleta do Azerbeijão, mas ainda no final do primeiro round, Ruffy conseguiu aplicar bons golpes após decifrar o timing das investidas de Fiziev. Não foi o suficiente para “roubar” o round, mas mostrou que o brasileiro não era tão inofensivo assim.

Após a ida aos corners, Ruffy voltou mais confiante, e pouco após o retorno, novamente cronometrando perfeitamente a investida de Fiziev, o brasileiro aplicou um direto no queixo do adversário, que o colocou desamparado e sem rumo, até o árbitro ter de intervir e pôr fim ao embate. Essa prestação garantiu-lhe o bónus de “performance da noite” (100 mil dólares).

Com o microfone na mão, Mauricio Ruffy deixou uma forte mensagem sobre a morte do seu irmão, e fiel fã, assim como demonstrou a sua disponibilidade para o evento da Casa Branca, desafiando Paddy the Baddy e o “Notorious” Connor McGregor.

O segundo evento do ano trouxe algo a mais, e parece um melhor presságio do que estará por vir na organização. Também foi visível um maior cuidado na transmissão da Paramount+, que parece ir ajeitando o produto com testes.

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