Islam Makhachev disputa neste domingo, na UFC, a chance de entrar no Olimpo do MMA. Depois de conseguir o duplo campeonato, o agora “apenas” campeão dos meio-médios, tem a sua mira em recordes e quer fazer história.
Islam Makhachev ( C ) X Ian Garry ( #2)
Um embate que promete pelo menos ser mais competitivo que a última disputa pelo cinturão dos meio-médios, onde Islam dominou completamente JDM e nem houve espaço para ofensiva do ex-campeão. O irlandês Ian Garry tem a vantagem física, sendo mais alto e com maior envergadura e demonstra um à vontade e qualidade no grappling, o ponto forte do russo.
Garry conseguiu vencer Belal Muhammad, e teve uma luta bastante equilibrada contra Rakhmonov, para alguns talvez ainda melhor no grappling que Islam, demonstrando um certo pedigree contra grapplers.
No entanto, em entrevistas pré-luta, Islam revelou que não irá focar tanto o seu jogo na luta agarrada, trazendo uma abordagem com mais riscos e mais interessante. Algo que favorece Ian, visto que a luta em pé é a especialidade do irlandês, com a sua base de karatê e com uma ótima manutenção de distância. A meu ver, Garry é o teste mais difícil para o campeão (tirando Shavkat que se encontra lesionado e talvez não volte a tempo de defrontá-lo), porque Islam não defrontou ninguém com o mesmo tamanho que ele. JDM era mais pequeno, e nos pesos-leves, não haviam atletas com o mesmo frame.
Daria uma pequena vantagem para o campeão, 55/45, visto que mesmo com o grande desafio, a qualidade no grappling é inigualável e ele mesmo sendo mais pequeno, é mais “denso”, aparentando ser mais forte, força essa útil nas interações da luta agarrada. Mas além de uma defesa do estatuto de campeão, Islam pode fazer algo nunca antes feito.
O russo encontra-se atualmente com 16 vitórias consecutivas, recorde atual, mas compartilhado com Anderson Silva, mais uma vitória, a 17ª, colocaria-o isolado no topo, com um recorde talvez inquebrável. Porque 17 vitórias consecutivas na melhor organização de MMA, que força os melhores a lutarem com os melhores, impossibilita, ou pelo menos dificulta bastante ascender a este recorde, porque não importa o quão bom o lutador é, mais tarde ou mais cedo, poderá ter uma má noite, ou simplesmente azar.
Além desse possível feito, uma vitória também fazia Islam entrar num seleto grupo de campeões duplos que defendem pelo menos uma vez ambos os cinturões. Porque ser campeão de duas categorias é para poucos, defender ambos os cinturões, é para menos ainda.
Um palmarés com dois títulos em duas categorias, o recorde de defesas nos pesos-leves, pelo menos uma defesa nos meio-médios, e o recorde de vitórias consecutivas, com Volkanovski, Charles Oliveira, Arman Tsarukyan e Dustin Poirier como adversários vencidos, é um argumento bastante forte para colocar Islam no top-4 do MMA, junto com Jon Jones, Anderson Silva e Demetrious Johnson.
Mackenzie Dern ( C) X Gillian Roberston (#5)
A americana/brasileira Mackenzie colocará em jogo pela primeira vez o seu cinturão, contra uma veterana da organização com quase 10 de carreira no UFC.
Dern é um caso interessante, porque a entrada dela na organização foi acompanhada de bastantes expectativas, visto que se tratava de uma prodígio do jiu-jitsu, alguém que tomaria a divisão de assalto. Mas esse hype não se converteu em resultados, e ainda existem algumas lacunas do jogo da campeã. Para alguns Dern é campeã de circunstância, que apanhou o momento certo da divisão para triunfar, e não necessariamente de maneira indiscutível.
A luta em pé da campeã continua com lacunas, e quando as adversárias apresentam um nível de wrestling que anule a possibilidade de quedas por parte de Dern, sem o jiu-jitsu, as coisas podem apertar. Mas Gillian Robertson também não se trata propriamente de um talento ímpar, tendo as suas limitações.
A sua especialidade é o wrestling, mas em contrapartida, a sua luta em pé é pior que a da campeã. Então caso a luta se mantenha em pé, estará em desvantagem, e caso consiga uma queda, terá que lidar com o melhor jiu-jitsu do MMA feminino. Mackenzie Dern é a favorita e a meu ver conseguirá a vitória via submissão.
O UFC 330 trata-se de um card de uma luta só, a luta principal, porque faltam estrelas ou embates interessantes para o grande público, mas destaco o regresso de Jalin Turner contra Kauê Fernandes, nos pesos-leves, Turner saiu da aposentadoria e está a tentar regressar às vitórias, após uma carreira que podia ter dado mais. Filadélfia receberá um evento fraco no papel, mas que pode ser o palco para a história da organização.

