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David contra Davies | África do Sul 0-1 Canadá


Começou a fase a eliminar do Mundial 2026, agora os 16 avos de final. São mais 16 equipas a eliminar. À África do Sul já ninguém retira o lugar na história como a primeira seleção a cair nesta fase. Ao Canadá, já ninguém anula o lugar como a primeira equipa a garantir uma vitória nos 16 avos de final do Mundial. Entre todos os jogos na competição, este será um dos menos memoráveis, mas o tempo fará dele um marco histórico.
A luta seria sempre entre duas seleções sem favoritismo. Fosse o adversário de uma envergadura superior e a luta seria entre David e Golias. Assim, foi entre David e David, David e Davies. Impressionante a concentração de jogadores com apelidos semelhantes na seleção canadiana, de Jonathan David, Promise David e Alphonso Davies. Com impactos diferentes no jogo, estiveram em destaque nos últimos minutos, onde a seleção outrora anfitriã, que o deixou de ser em Los Angeles, se impôs no jogo.
Estilisticamente, África do Sul e Canadá são seleções de mundos distintos. Até por isso, o confronto seria sempre marcado pela capacidade dos africanos superarem a pressão dos norte-americanos. A África do Sul tem uma identidade clara baseada na capacidade de sair de forma curta, envolvendo os centrais e o guarda-redes Ronwen Williams na construção para depois explorar espaços nas costas. O Canadá faz-se valer pela altura e agressividade na pressão, onde junta muita gente e procura recuperar bolas de forma rápida. Curiosamente, até pelo contexto do jogo a eliminar, houve adaptações estratégicas.


Os Bafana Bafana evitaram ao máximo as saídas de maior risco que, na estreia, deram golos ao México, deixando os laterais mais baixos, numa circulação mais horizontal, e reduzindo o peso dos médios na saída de bola. Os canadianos deixaram Ronwen Williams e os centrais ter mais bola e tentaram limitar, principalmente, as ligações interiores dos sul-africanos, quer pelos médios mais baixos, quer para os jogadores mais avançados. Dentro deste contexto e destas adaptações, o jogo teve menos baliza e menos saídas de perigo. O risco foi mais valorizado que o benefício e houve novas tendências a surgir no jogo.
Do lado da África do Sul, Makgopa e a sua referência mais física foram menos procurados e foi Oswin Appollis, de fora para dentro, sempre com muita velocidade e energia, o mais agitador do ponto de vista ofensivo. É uma seleção que procura sempre muitas chegadas e muito volume de jogo, nem sempre da forma mais precisa, com muitas imprecisões técnicas no passe e na definição. Sem muitas recuperações lá em cima, ao Canadá valeram as chegadas dos laterais, Richie Laryea à esquerda e Alistair Johston à direita, permitindo superar os problemas criativos dos extremos. Também pelas bolas paradas, houve lances de perigo.
A verdade é que, entre a exibição de luxo de Mbekezeli Mbokazi, a dominar a área e a controlar a profundidade, e a solidez de Khuliso Mudau nos duelos individuais, o jogo esteve relativamente controlado até aos minutos finais. Alphonso Davis entrou e revolucionou o jogo para os canadianos. Está longe da forma física ideal, mas agiganta a seleção do Canadá. Quando Davies se juntou a David e quando entrou o outro David, Promise, para segurar os centrais sul-africanos e libertar o homónimo Jonathan. Não foi com influência direta, mas ajudaram o Canadá a crescer. No fim, apareceu Stephen Eustáquio a orgulhar Sérgio Conceição. Foi o antigo treinador do FC Porto que mais aproximou o médio das zonas de finalização. Marcou o golo mais importante da história do Canadá e deixou o papel de coadjuvante onde normalmente se assume para ser protagonista. Começou a fase a eliminar.

