André Villas-Boas arrasa o Conselho de Arbitragem: «Esta época foi um falhanço evidente»

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André Villas-Boas deixou fortes críticas ao Conselho de Arbitragem, sugerindo reformas no vídeoárbitro e maior consistência nos critérios.

Numa longa entrevista com O Jogo, TSF e JN, André Villas-Boas apontou uma série de falhas na arbitragem nacional e no CA, deixando várias sugestões para reformas estruturais. O presidente do FC Porto começou por falar sobre a integração de nova tecnologia no VAR:

«É necessário mudar o licenciamento e as exigências que tem. Essa é uma preocupação que existe, também muito por via do que aconteceu com o FC Porto B na época passada. A uniformização da tecnologia VAR em todos os estádios portugueses é premente, esse é o primeiro passo. Mas antes de passarmos ao passo tecnológico, é precisa uma uniformização da tecnologia VAR em todos os estádios. As mesmas câmaras, a mesma qualidade, o mesmo número de câmaras. E depois a melhoria da tecnologia e das ferramentas. Portanto, desde logo, linha de golo e foras de jogo que sejam semiautomáticos. Ultrapassadas essas problemáticas, o produto do futebol português também melhora, há menos casos nos nossos jogos, melhores decisões de arbitragem. A tecnologia ao serviço da verdade desportiva. E não ter casos, como tivemos o ano passado, no FC Porto B, em que um fora de jogo evidente não foi decidido por conta da exposição à luz solar e ao posicionamento da câmara e das colunas dos estádios. É algo patético que temos de combater».

André Villas-Boas acrescentou:

«Nós fizemos muito barulho o ano passado, agora temos a Federação finalmente connosco, porque, em sede da Liga Portugal, o presidente Pedro Proença foi muito recetor deste nosso movimento e agora quer passar para essa obrigatoriedade como promotor de uma melhoria. As câmaras utilizadas na Premier League para decidir foras de jogo são capazes de dar 60 frames por segundo. Já as câmaras portuguesas estão entre os cinco e os dez frames para tomar uma decisão sobre um fora de jogo. Portanto, é a diferença entre a bola estar colada ao pé ou estar ligeiramente afastada cinco centímetros. A partir daí, é muito mais difícil para quem opera a tecnologia VAR tomar decisões que sejam coerentes. Portanto, há uma parte que está relacionada com a tecnologia e há outra parte que está relacionada com a informação e a educação dos próprios árbitros, que tem a ver com o Conselho de Arbitragem, com o próprio desenvolvimento dos árbitros e a forma como são penalizados ou recompensados. Já vimos árbitros que passam de apitar um jogo na II Liga 2 promovidos para um clássico e não vimos uma regularidade que compense relativamente os melhores»

De seguida, afirmou que existe uma falta de consistência nos critérios da arbitragem, falando sobre alguns dos problemas atuais na arbitragem nacional:

«A uniformização de critérios de decisão é uma das grandes problemáticas do futebol europeu ou mundial, digamos assim. Há uma tentativa imediata de uniformizar critérios, esse é o ponto que considero fundamental. O que é que aconteceu este ano desde a tomada de posse do Presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Pedro Proença? Aconteceu uma liderança bicéfala do Conselho de Arbitragem que não funcionou, mais uma exposição pública e mediática dos árbitros, com diferentes identificações do critério em situações que, no nosso entender, parecem similares e que acabaram por confundir também os próprios árbitros e levaram a uma deterioração evidente da qualidade de arbitragem e dos critérios em determinados lances. Todos lutamos para uma uniformização clara dos critérios de arbitragem: o que é um penálti, o que é uma mão, e o que é uma falta, uma falta para amarelo, o que é uma falta para cartão vermelho. No fundo, as grandes decisões do jogo. O presidente da Federação de Portuguesa de Futebol pede tempo para o seu Conselho de Arbitragem funcionar na plenitude. Esta primeira época foi um falhanço evidente. Houve, da parte dos próprios, um recuar relativamente à posição dos árbitros que eu acho que foi positivo».

Por fim, abordou o papel da Comunicação Social no tema:

«Vamos ver na próxima época que tipo de posicionamento vai ter esta liderança bicéfala do Conselho de Arbitragem relativamente ao que aconteceu nesta época. Não foi positiva, foi difícil. Agora, também me parece evidente que determinados grupos de Comunicação Social vivem mediaticamente das más decisões de arbitragem para criar programas e conteúdos que atraem pessoas. Não estou a dizer que é o vosso [grupo], mas há também da parte da Comunicação Social um empolamento destas decisões, porque causam, evidentemente, controvérsia, causam caos, trazem atenção e chamam atenção. E trazem, no fundo, receitas».

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