André Villas-Boas no editorial: «Nesta fase, o campeonato não se ‘joga’, conquista-se»

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André Villas-Boas, presidente do FC Porto, abordou vários temas no mais recente editorial da revista “Dragões”. Lê tudo.

André Villas-Boas fez um balanço sobre o mês de abril do FC Porto. Conforme se pode ler no editorial da revista “Dragões”, o presidente dos azuis e brancos falou sobre a eliminação na Europa League e da Taça de Portugal: a «Taça Sporting», como apelida.

«Abril foi um mês de teste. Um mês de decisões, de pressão e de exigência máxima. Foi também um mês que nos trouxe até à posição que hoje ocupamos. Para dar o passo final, temos de estar todos unidos. Unidos na bancada, unidos no balneário e unidos em torno do nosso símbolo. Porque, nesta fase, o campeonato não se ‘joga’: conquista-se. E só se conquista com foco absoluto», começa assim.

André Villas-Boas comentou a eliminação da Europa League:

«Na Liga Europa fomos eliminados, sim. Mas quem viu o jogo, sabe que o grupo mostrou o que é ser Porto. Jogar com 10 durante cerca de 80 minutos e ver jogadores a dar tudo, a correr até ao limite, a sofrer e a acreditar que ainda era possível inverter uma eliminatória é a melhor prova do que esta equipa tem sido até agora. Uma equipa à Porto, que não foge ao risco, não foge à responsabilidade e não se esconde atrás de desculpas. Quem quer fazer história entra em campo com um propósito maior e, desde o início desta época desportiva, o FC Porto não tem feito outra coisa senão procurar a glória com toda a sua força».

André Villas-Boas deixa bicada ao Sporting:

«Na ‘Taça Sporting’, frente ao Sporting, ficámos pelo caminho. E, mais uma vez, ficou exposto aquilo que temos vindo a sentir durante toda a época: o FC Porto tem de superar não só adversários, mas também o lado imprevisível e caótico do jogo, em mais um encontro em que apetece dizer: ‘É raro, mas acontece muito’.».

«Por isso digo-vos com total clareza: no campeonato temos de dar tudo. No FC Porto, só celebramos quando ganhamos. Assim fomos habituados e assim fomos sempre temidos. Aqui não há euforia antes do tempo. Há exigência, há concentração, há compromisso e, só há uma certeza, se quisermos mesmo vencer, temos de fazer ‘das tripas coração’ nestes últimos três jogos para alcançarmos o que tanto sonhamos», prosseguiu.

André Villas-Boas sublinhou o trabalho na formação:

«Na Formação, o excelente trabalho que estamos a fazer não se mede apenas pelos títulos que podemos alcançar. Mede-se pelas bases que construímos para o futuro. Pelo critério. Por estarmos perto dos miúdos e do seu talento e trabalhá-lo a nível individual e coletivo. Mede-se pelo desenvolvimento técnico, mas também pessoal, sociológico e educativo. Pelo acompanhamento, pela exigência e pela forma como estamos a formar jogadores para competir e homens para representar o nosso símbolo. Por isso, seja qual for o desfecho dos jogos que se avizinham, deixo os parabéns ao José Tavares e a toda a estrutura do futebol de formação. O caminho que estamos a construir é sério. E, no FC Porto, é isso que interessa: seriedade, método e continuidade».

André Villas-Boas destacou o futebol feminino:

«Outro projeto que nos enche de orgulho e que, em dois anos, se afirmou como poucos, é o futebol feminino. A subida à Primeira Liga é um feito incrível. Um feito que honra o clube e que mostra a força de uma ideia quando é trabalhada com ambição e competência. Mas repito: não é só a subida. É o jogo. É o desejo. É a intensidade. É a personalidade com que estas atletas competem e a energia que emana do treinador Daniel Chaves, das jogadoras, do Professor José Manuel e da Joana. É a forma como se apresentam em cada campo como quem sabe o que está a vestir. E é também a final da Taça, alcançada com total mérito. Estas miúdas honraram-nos como ninguém. E merecem que o FC Porto esteja com elas, com o mesmo apoio e a mesma exigência com que apoiamos todas as nossas equipas. Este projeto construiu–se de forma sólida, sustentado em pessoas de valor, com energia e com visão».

André Villas-Boas olhou para as modalidades:

«Mas o FC Porto é um clube que não se esgota numa só modalidade, nem numa só forma de competir e vencer. É uma instituição eclética, feita de muitas batalhas, de muitas conquistas e de uma exigência permanente que atravessa toda a sua identidade. E abril voltou a mostrá-lo com toda a clareza. A conquista da Taça de Portugal de voleibol, da Taça de Portugal de bilhar e da Taça Nacional de goalball, que voltou a mostrar que o FC Porto também sabe ser exemplo de inclusão, superação e orgulho competitivo. Todas estas conquistas, são mais do que títulos: são expressão viva da nossa cultura vencedora. A elas juntam-se resultados individuais muito relevantes na natação e no bilhar, que reforçam a profundidade competitiva do clube e a qualidade de tudo o que se faz em seu nome. No FC Porto, ganhar não é apenas um objetivo. É uma responsabilidade. E é essa responsabilidade que continuamos a honrar, em cada campo, em cada pavilhão, em cada piscina, em cada modalidade».

André Villas-Boas deixa mais farpas:

«Agora, passemos ao que muitos gostariam que o FC Porto ignorasse. Há quem ande a vender a ideia de que ‘se o VAR existisse mais cedo’ teriam ganho mais títulos no seu clube de coração. É um lamento recorrente e revelador. Revelador porque, com VAR ou sem VAR, houve uma realidade que esses ‘lesados’ tiveram de engolir: no seu tempo o FC Porto ganhou a Taça dos Campeões Europeus, ganhou a Champions League, venceu a Taça UEFA, ganhou a Liga Europa e foi vencedor da Taça Intercontinental por duas vezes! Foi campeão nacional, bicampeão, tricampeão, tetracampeão, pentacampeão. E esse trauma, pelos vistos, não passa. Dá coceira. Incomoda. E é por isso que no Dragão assistimos a mais um episódio dessa pequenez: a escolha de uma entrada discreta, pela porta das traseiras, para evitar encarar de frente o peso da História do FC Porto. Quando a história pesa, alguns preferem não a enfrentar. Nós convivemos com ela todos os dias, porque fomos nós a construí-la com o nosso suor e a exigência que nos distingue, algo que, para esses, será sempre inalcançável, com VAR ou sem VAR».

André Villas-Boas recorda o episódio do andebol entre FC Porto e o Sporting:

«A esse desconforto junta-se o episódio do FC Porto-Sporting no andebol. E aqui deixo uma mensagem clara: o FC Porto está absolutamente tranquilo e a cooperar com a justiça. Está bem documentado sobre tudo o que aconteceu, o que foi feito e o que não foi. E os intervenientes que optaram pela injúria e pela tentativa de manchar a Instituição responderão por isso até às últimas consequências. No FC Porto, a defesa do clube não é uma reação emocional: é uma posição firme, sustentada e documentada. E quem escolhe atacar a instituição terá de pagar o preço dessas escolhas. Tudo isto chegou ao ponto de mendigarem reuniões urgentes ao mais alto nível político. E, quando o desporto chega a este nível de degradação, convém que o país perceba a dimensão do problema ou o complexo de inferioridade de alguns. O que vimos depois foi o retrato de um tempo estranho: cartilhas lidas no papel por um presidente, para não falhar a narrativa dos seus conselheiros de comunicação, e um aparelho de comunicação permanentemente mobilizado para fabricar perceções, como se o futebol fosse um estúdio e não um jogo».

«E, no meio disto tudo, continuam a acumular-se factos que não podem ser varridos para baixo do tapete: a falta de isenção é clara, a ausência de contraditório é desejada e a recusa em confirmar na fonte qualquer ato mantém-se, pois o objetivo de deturpar a opinião pública é muito mais importante que o respeito por uma instituição e as suas pessoas. Mas este fenómeno que se tem vindo a registar esta época acontece não só com o FC Porto, mas também com os árbitros que, inadvertidamente, erram contra o Sporting. Nos canais afetos ao manto verde, os árbitros são dissecados em todas as suas decisões, como se um erro fosse uma traição ao clube de Lisboa e como se a pressão pública fosse um instrumento legítimo de ‘correção’ do jogo. Isto, sim, parece ser o novo ‘sistema’ do futebol português: condicionar perceções, condicionar ambientes, condicionar decisões. Hoje é o episódio do penálti, amanhã é a recarga, depois é o cartão ‘pedagógico’, a seguir é o cartão branco, e a verdade do jogo vai ficando refém do vento que sopra a cartilha para os estúdios e para as direções de determinados jornais», seguiu.

André Villas-Boas fala ainda em ataques a Francesco Farioli:

«A isto soma-se um sem-número de ataques pessoais e profissionais ao nosso treinador, Francesco Farioli, por diferentes opinionistas. Alguns sem carteira de jornalista, e sendo apenas comentadores, outros que nem respeitam a sua própria carteira e ora são jornalistas, ora são convenientemente comentadores, atacam com ódio, palavreado e insinuações que, em qualquer contexto minimamente sério, seriam inaceitáveis. Farioli trabalha, dá a cara, lidera, arrisca, assume. E, por isso mesmo, torna-se alvo. Mas deixo isto muito claro: o FC Porto protege os seus. E protege-os com firmeza, porque aqui, ‘no Norte’, os nossos são intocáveis. Mas foco no essencial».

«O campeonato está aqui. O último passo está aqui. Tão perto e tão longe ao mesmo tempo. E a resposta tem de ser a mesma de sempre: foco, união e trabalho. Sem festa. Sem distrações. Sem ruído, mas com necessidade de toda a vossa força. Conto convosco. Sempre. Viva o Futebol Clube do Porto», conclui, desta forma, André Villas-Boas.

Diogo Lagos Reis
Diogo Lagos Reishttp://www.bolanarede.pt
Desde pequeno que o desporto lhe corre nas veias. Foi jogador de futsal, futebol e mais tarde tornou-se um dos poucos atletas de Futebol Freestyle, alcançando oficialmente o Top 8 de Portugal. Depois de ter estudado na Universidade Católica e tirado mestrado em Barcelona, o Diogo está a seguir uma carreira na área do jornalismo desportivo, sendo o futebol a sua verdadeira paixão.

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