Cláudio Ramos em entrevista aos meios de comunicação do FC Porto abordou diversos temas da sua vida pessoal e profissional. O guarda-redes português falou sobre o início de carreira e sobre o seu começo no Dragão.
Cláudio Ramos abriu o livro da sua vida numa entrevista às fontes de comunicação do FC Porto. O guardião abordou desde a infância na aldeia de Touro até ao peso da mística portista, num testemunho marcado pela resiliência e pela entrega ao clube:
«Sendo sincero, acho que não imaginava estar aqui. Quando uma pessoa é criança, ambiciona sempre jogar futebol, mas eu desde pequenino aquilo que eu queria ser era veterinário porque adorava animais. Vivia numa aldeia e fui sempre rodeado pelos animais do meu avô. Foi muito difícil. Eu sou filho único da parte da minha mãe e sempre fui muito ligado a ela. Deixar a família e os amigos para ir para uma cidade a duas horas de distância, numa altura em que não havia a facilidade tecnológica de agora, custou muito. Mas fez-me crescer e deu-me as bases para o futuro», afirmou o guardião português.
A chegada ao FC Porto trouxe a Cláudio Ramos a compreensão exata do que significa representar um clube grande. Para o guarda-redes, a exigência é a força chave no Olival:
«A diferença maior é que eu vinha de um registo onde ganhar, perder ou empatar fazia parte, mas aqui o sentimento é outro. Chegas a um contexto onde tens um empate e parece o fim do mundo, parece que o mundo acaba. Aí percebes realmente a dimensão do clube onde estás. Aqui vive-se tudo de forma muito intensa e quando te habituas a trabalhar apenas para a vitória, é a melhor coisa que há», confessou o guarda-redes.
Sobre o seu papel no plantel dos dragões, muitas vezes como sombra de Diogo Costa, Cláudio Ramos foi claro:
«O primeiro ano foi possivelmente o mais difícil da minha carreira. Vinha habituado a ser o protagonista e de repente passei a ser mais um e a não ter protagonismo nenhum. Mas se eu sou o número dois, tenho de ser o melhor número dois de todos. Trabalho para ajudar a equipa e para que os meus colegas sintam confiança em mim», referiu o guardião.
A vida pessoal do guardião está intrinsecamente ligada à família, que vive com ele cada defesa e cada golo sofrido. E o filho Gustavo é, curiosamente, quem mais o critica:
«O Gustavo é o meu maior crítico. Recentemente, sofri dois golos de penalti contra o Vitória e, quando cheguei a casa, ele começou a chorar e disse-me: “Tu és uma vergonha, tu não defendes nada, não defendes um penalti!”. Ele já começa a ter noção do que é o futebol e custa-me não jogar mais vezes apenas porque gostava que ele visse o pai em campo com maior regularidade. A minha família e eu estamos a pensar ficar aqui a viver no futuro. A palavra que sinto quando olho para esta cidade é felicidade e muita gratidão. Posso dizer que não nasci portista, mas tenho a certeza absoluta de que vou morrer portista. Os adeptos acolheram-me como um deles e isso é o que de mais gratificante levo do futebol», confirmou o jogador dos dragões.

