Consagração sem travão na Luz | Benfica 3-1 Sporting

- Advertisement -

O Benfica entrou em campo com o Hexacampeonato já garantido. Não haverá, no final da época, assim tantas exibições memoráveis em que uma equipa com o título no bolso decida não puxar o ‘travão de mão’ e jogar com tanta fome de vencer. Nesta consistência mental, explica-se a principal força das águias. A exibição na Luz, na vitória categórica (3-1) no dérbi diante do Sporting, é mais um dos vários triunfos que pode ser usado para explicar a superioridade encarnada nesta época, reinando com mão de ferro no futebol feminino nacional.

Contra o Sporting há, acima de tudo, uma primeira parte dominante e repleta de méritos táticos. Estrategicamente, as águias asfixiaram desde cedo com uma dinâmica de corredor direito muito bem oleada. Mais coletiva foi a forma como o Benfica conseguiu criar perigo pelas características individuais das suas jogadoras: Nycole Raysla aparecia colada à linha para dar largura e esticar a defesa leonina, o que permitiu a Lund, a partir da posição de lateral, assumir um jogo muito mais interior para criar superioridade. A atuar a ponta de lança, Diana Silva foi essencial neste processo: procurou incessantemente a profundidade, mas deu-se muito ao jogo associativo e apoiado das encarnadas, servindo de farol ofensivo. A partir daí, não foi preciso muito para surgir o primeiro momento de êxtase, com Lund a assinar um remate fortíssimo de fora da área que não deu hipóteses e inaugurou o marcador.

SL Benfica vs Sporting CP - Liga PortugalBPI 2025/2026
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Em primeiro lugar, importa destacar a inteligência encarnada no miolo ainda na etapa inicial. Pauleta foi a peça-chave logo na primeira parte. Assinou uma exibição magistral e, com ou sem bola, foi o metrónomo da equipa. Dotada de uma classe invulgar, facilitou sempre o jogo às companheiras, descobrindo as melhores linhas de passe e variando o centro de jogo para retirar oxigénio à resistência leonina.

É certo que o Sporting procurou reagir e revelou-se de uma eficácia tremenda. A figura a causar mais dano do lado leonino foi Telma Encarnação. As encarnadas sabiam bem que, dali, podia sair um golo a qualquer momento devido ao seu enorme poderio físico e invulgar faro de golo. No entanto, o embate esbarrou na solidez de uma muralha: as defesas centrais do Benfica estiveram impecáveis a conter a esmagadora maioria das investidas. Foi apenas numa toada pragmática que as visitantes conseguiram gelar momentaneamente as bancadas da Luz, chegando ao 1-1 por intermédio de Mackenzie Cherry.

Mackenzie Cherry
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Ainda assim, importa também destacar a forma como a resposta das campeãs foi cirúrgica. Em cima do descanso, a inevitável Carole Costa não tremeu da marca de grande penalidade e devolveu a vantagem. Por muito que sejam assinaláveis todas as mais-valias de uma defesa central, Carole Costa cimentou aqui o seu estatuto quase surreal: mantém-se como a melhor marcadora da equipa e do campeonato, um registo raríssimo para quem atua no coração da defesa.

Na segunda parte, o Sporting subiu as linhas, atreveu-se mais e melhorou. Contudo, a maturidade tática superior do Benfica soube gerir as incidências, continuando a ferir com a velocidade de Nycole e Lúcia Alves nos corredores. O golpe de misericórdia surgiu já aos 89 minutos. Chandra Davidson aproveitou uma descoordenação na retaguarda do Sporting para fixar o 3-1 final. Só foram precisos mais uns minutos antes de se confirmar a festa completa na Luz, provando que esta equipa recusa a inibição e abraça o jogo como verdadeiras ‘Inspiradoras’.

Ivan Baptista Benfica
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

BnR na Conferência de Imprensa

Bola na Rede: Vimos o Benfica explorar muito os corredores, principalmente através de Nycole, encostada mais à linha, e Lund, num jogo mais interior. Eu pergunto o que é que pretendia com estas combinações.

Ivan Baptista: Acima de tudo, como eu referi na antevisão, o Sporting tem dinâmicas diferentes daquelas que encontramos na primeira vez que jogamos contra elas. Têm sido uma equipa, essencialmente, em 4-4-2. A verdade é que hoje apresentaram, aqui de início, uma cara ligeiramente diferente desse 4-4-2 que têm habitualmente apresentado e nesse 4-4-2 losangulo, clássico, muitas vezes sabíamos que os espaços estavam por fora e foi muito por aí, nós encaramos isto a tentar interpretar os espaços conforme aquilo que o jogo nos dizia, mas na preparação para este jogo tentamos prepará-las para que os espaços estivessem fora. Naturalmente com a qualidade que temos pelas nossas laterais, pelas nossas aulas em desequilíbrio, em capacidade até de idade física de preencher todo o corredor. Sabíamos que podíamos criar muitos muitos problemas por aí. Verdade que o Sporting entra no 4-2-3-1 e pareceu depois com algumas dinâmicas que faziam com que as jogadoras não estivessem muito estáticas e isso sim tivemos que fazer um ajuste ao intervalo que nos permitisse ter um bocadinho mais de estabilidade à frente da linha defensiva e, mas acima de tudo, o plano seria esse. A verdade é que depois as jogadores acabaram por encontrar espaços por dentro, espaços por fora e mérito total daquilo que foi a capacidade de leitura de jogo delas.

Bola na rede: O Sporting teve algumas dificuldades na saída de bola, principalmente na primeira parte. Pergunto-lhe: o que é que se alterou na segunda parte para ter havido melhorias, principalmente a sair a jogar?

Micael Sequeira: Sim, acima de tudo passou aquela fase de nervosismo de que falei. É natural para uma equipa jovem, com jogadoras que, em alguns casos, jogaram pela primeira vez neste ambiente com a camisola do Sporting. Isso pesou muito e notou-se bastante nos primeiros 20 minutos, em que tivemos pouca estabilidade com bola. Havia jogadoras com dificuldade em assumir o jogo, o que se fez sentir. Ao intervalo, procurei tranquilizar a equipa e libertar as jogadoras, pedindo-lhes que desfrutassem do momento de jogar neste ambiente. Importava aproveitar este palco para jogar com alegria e motivação, permitindo-lhes crescer a nível individual e coletivo. E acho que foi isso que aconteceu. A equipa estabilizou na segunda parte, as jogadoras libertaram-se, começaram a ter mais bola e deixaram de a perder com tanta facilidade, conseguindo articular melhor o jogo. Naturalmente, faltou-nos qualidade nos últimos 10 a 15 metros; não conseguíamos lá chegar para decidir com critério e criar situações de golo. Mas fica, acima de tudo, a boa imagem que as jogadoras deixaram. Deram tudo, tiveram atitude e sinto-me orgulhoso, porque elas queriam muito ganhar. Sabíamos que hoje seria muito difícil, porque do outro lado estava uma equipa super motivada que já conquistou o título. Portanto, foi um ambiente complicado, mas as jogadoras entregaram-se e procuraram disputar o jogo.

Subscreve!

Artigos Populares

Cristiano Ronaldo depois da derrota do Al Nassr: «Continuamos a trabalhar»

Cristiano Ronaldo publicou uma curta mensagem depois da derrota do Al Nassr. Equipa de CR7 voltou a perder quase quatro meses depois.

Flamengo de Leonardo Jardim deixa-se empatar nos descontos no dérbi carioca contra o Vasco da Gama e mantém distância para o Palmeiras no Brasileirão

O Flamengo viu fugir a quinta vitória consecutiva no Brasileirão. Equipa de Leonardo Jardim viu o Vasco da Gama empatar no Maracanã.

Vinícius Júnior bisa no triunfo do Real Madrid em casa do Espanyol

Na 34.ª jornada da La Liga, o Real Madrid bateu o Espanyol por 2-0, com dois golos apontados por Vinícius Júnior.

Lyon de Paulo Fonseca soma e segue com a 4ª vitória consecutiva e golo de Afonso Moreira e já está na zona Champions: eis...

O Lyon de Paulo Fonseca está num grande momento de forma. Triunfo sobre o Rennes permite chegar à quarta vitória consecutiva.

PUB

Mais Artigos Populares

Inter Milão conquista o 21.º título da Serie A com vitória diante do Parma

O Inter Milão foi sagrado campeão da Serie A, depois de vencer pela margem mínima na receção ao Parma, num encontro da 35.ª jornada.

«Gostava de treinar em Portugal, mas sou um treinador do mundo, não olho a países» – Entrevista Bola na Rede a David Patrício

David Patrício falou em exclusivo com o Bola na Rede sobre a sua experiência internacional, futebol feminino e o futuro em Portugal.

Gianluca Prestianni pede a Nicolás Otamendi para renovar pelo Benfica: «Mais um, capitão»

Gianluca Prestianni comentou uma publicação de Nicolás Otamendi, ainda antes do Famalicão x Benfica. Argentino pediu renovação.