Majid Tafreshi, embaixador do Irão em Portugal, revelou que Roberto Martínez queria realizar o jogo amigável, mas a FPF nunca avançou com a iniciativa.
O embaixador do Irão em Portugal, Majid Tafreshi, concedeu uma entrevista ao jornal A Bola, na qual abordou vários temas. O representante iraniano revelou que chegou a dialogar com Roberto Martínez sobre a possibilidade de ser agendado um encontro particular entre as duas seleções:
«Cheguei a falar com o senhor Martínez. Ele disse-me: ‘Vamos jogar com o Uzbequistão, então talvez o Irão seja a melhor equipa para Portugal antes do Mundial’. E acrescentou: ‘Alguém lhe vai ligar’. E alguém da Federação Portuguesa de Futebol ligou-me. Veio à minha residência. Falámos e trocámos talvez 20 mensagens. Tudo a respeito desse jogo, marcado para 9 de junho deste ano, em Portugal. Eu fui o facilitador e foi tudo muito transparente. Mas, em fevereiro ou março, a federação, embora não oficialmente, apenas verbalmente por um texto no WhatsApp, disse-me: ‘Oh, desculpe, não podemos fazer esse jogo‘».
Questionado sobre a razão oferecida pela Federação Portuguesa de Futebol, respondeu:
«Nenhuma. Apenas se desculparam, nada mais. Não entendi, até porque sou uma pessoa muito transparente. Acredito que o futebol pertence às pessoas. Fui totalmente transparente com o senhor Martínez. Gostaria, mais uma vez, que fôssemos capazes de defender um penálti de Cristiano Ronaldo (aconteceu no Mundial-2018, com o guarda-redes Beiranvand a parar o remate). Existem dez fotografias comigo e com o senhor Martínez, mas, como eu disse, sou apenas um facilitador. Não tomo decisões. Asseguro-lhe que o estádio onde seria o Portugal-Irão estaria cheio»
De seguida, falou sobre o possível impacto do conflito com os Estados Unidos no cancelamento do amigável:
«É uma boa pergunta. Não sei. Só sei que pus em cima da mesa o meu crédito. O Irão tem uma grande equipa e futebol é futebol. Quem sabe melhor do que o senhor Martínez o que é bom para Portugal? Ele é o treinador principal, não é o massagista nem o presidente da Federação. É o treinador principal. Acho que não foi uma decisão profissional. Por vezes, precisamos de jogar até com aqueles de que não gostamos»
Por fim, deixou a sua impressão de Roberto Martínez:
«Achei-o muito simpático, uma pessoa muito quente. A linguagem corporal dele foi muito boa. Nunca vendeu a personalidade ou o título dele. Pareceu-me um homem muito comum. Gosto dele».

