Fábio Silva falou sobre o seu percurso, as críticas que enfrentou, o seu objetivo de regressar à Seleção Nacional e ainda as frustrações que sentiu ao longo da carreira.
Fábio Silva recordou as dificuldades que sentiu quando, ainda com 17 anos, foi transferido para a Premier League, onde representou o Wolverhampton. O avançado português referiu que não foi fácil lidar com as críticas naquela idade, sobretudo na liga para onde foi transferido:
«Com 17 anos, na circunstância em que eu estava, em que foi tudo muito rápido, mediatismo, transferências, valores, a liga para onde eu fui acabou por ser algo que acho que não é fácil para nenhum jovem com 17 anos ter essa bagagem, ter de suportar essas situações, ainda para mais longe da família… acabou por ser muito difícil para mim. Antes, eu ligava muito às redes socais, críticas, o que falavam sobre mim… Hoje em dia nem sequer ligo a isso. Costumo dizer que, hoje em dia, há pouca coisa que me tire o sono, há pouca coisa que me incomode. O que me incomoda e a opinião que me importa acaba por ser a opinião dos meus amigos, dos meus pais, dos que me conhecem e sabem verdadeiramente quem é o Fábio Silva. Acho que isso acaba por ser o mais importante e tento-me agarrar a isso. O resto, muita gente tem opinião, muita gente fala, muita gente não me conhece, muita gente não sabe o que é o dia a dia de um jogador de futebol, aquilo que nós passamos, mas acho que a grande diferença acaba por ser essa. Hoje em dia, dou valor a outras coisas que antigamente não dava e sou uma pessoa muito mais madura e acho que isso é o ponto essencial», afirmou em entrevista à DAZN.
O avançado internacional português falou ainda sobre as suas características enquanto jogador:
«Acho que sou um jogador, como se costuma dizer acho que não sou nem um 9 nem um 10. Acho que sou um 9,5. Acho que sou um jogador que gosta de não estar na área, gosta de ter essa irreverência de poder sair, tomar decisões, poder ligar com os outros colegas, poder abrir espaço para outros jogadores… e acho que isso acaba por me fazer um avançado diferente, porque não sou aquele avançado que gosta de só de estar na área ou gosta só de baixar. Gosto de diversificar os meus movimentos, tanto pedir no espaço como pedir no pé. E acaba por ser aquilo em que me torno mais diferente. Gosto de jogar entre linhas, gosto de me associar. Gosto de meter alegria no meu jogo. Gosto de fazer coisas diferentes. Gosto de fazer pormenores diferentes no meu jogo. E acho que é isso que carateriza aquilo que é diferente do meu jogo em relação a outros avançados».
Fábio Silva admitiu ainda algumas frustrações na trajetória, como ter ficado perto de ser o melhor marcador dos sub-21 e ter falhado a sua participação no Europeu da categoria, devido a lesão. O avançado revelou que ainda mantém a sua ambição de regressar à Seleção Nacional e destacou ainda o seu estilo de jogo:
«No ano passado, tive uma das minhas maiores mágoas. Fiquei a um golo de me tornar no melhor marcador da história dos sub-21 e não pude ir ao Europeu por causa da lesão, ou seja, eu gostava de ter batido esse recorde e ficou aquém por causa da minha lesão e, obviamente faço tudo, tanto no clube, ou quando tive a oportunidade de ser chamado, estive lá uma vez no ano passado para mostrar aquilo que posso fazer e aquilo que posso dar à equipa. Sei que sou um jogador com diferentes características de outros jogadores que estão lá e acho que isso também é importante, mas lá está, isso é o dia-a-dia, o que eu fizer no clube é o que vai ditar a minha presença na Seleção, obviamente que tenho esse sonho, tenho essa ambição e faço tudo no meu clube para estar bem e sei que depois as coisas, quando tens qualidade, acabam por acontecer mais cedo ou mais tarde».

