FC Porto reage ao polémico Santa Clara x Sporting da Taça de Portugal: «Situações como a que se viveu ontem nos Açores não se voltem a repetir nos relvados portugueses»

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O FC Porto emitiu um longo comunicado a reagir ao encontro da Taça de Portugal entre o Santa Clara e o Sporting. Os dragões voltaram a manifestar preocupação com o momento da arbitragem.

O FC Porto emitiu um comunicado a reagir ao Santa Clara x Sporting e aos recentes casos de arbitragem do futebol português. Tal como o Benfica, os dragões manifestaram preocupação com a situação e apelaram à responsabilização da Liga Portugal e Federação Portuguesa de Futebol.

O FC Porto queixa-se gestão e da transparência da arbitragem em Portugal, acusando critérios inconsistentes, validação de erros e má comunicação, sobretudo no VAR. Os dragões criticam ainda a liderança do setor, conflitos de interesses e a ausência de investimento em tecnologias essenciais, defendendo que estas falhas estão a comprometer a verdade desportiva.

Eis o comunicado do FC Porto:

Após mais uma semana marcada por polémica e por decisões incompreensíveis, que comprometem a verdade desportiva das competições e contribuem para o aumento da perda de confiança das instituições, dos clubes e dos adeptos no setor da arbitragem, o FC Porto deixa as seguintes reflexões:

1. As últimas eleições para a Federação Portuguesa de Futebol foram acompanhadas pela promessa de uma renovação evolutiva na área da arbitragem, nomeadamente ao nível das linhas programáticas e das respetivas reformas. O balanço deste quase primeiro ano de mandato dos órgãos federativos da arbitragem é dececionante, sendo hoje este setor o principal responsável pela instabilidade vivida no futebol português e aquele que, de forma repetida e continuada, tem sido fonte de perturbação do normal desenrolar da presente época desportiva.

2. Exige-se ao Senhor Presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Pedro Proença, até pelo seu reconhecido passado como árbitro de primeira linha, uma ponderação profunda e a adoção de medidas urgentes sobre o funcionamento da arbitragem em Portugal, bem como sobre o desempenho de várias das suas escolhas para liderar este setor, nomeadamente o Senhor Presidente do Conselho de Arbitragem, Luciano Gonçalves, e o Diretor Técnico Nacional de Arbitragem, Duarte Gomes.

3. Ao longo dos últimos meses, o FC Porto teve o cuidado, por diversas vias, de expor ao Senhor Presidente da Federação Portuguesa de Futebol e ao Senhor Presidente do Conselho de Arbitragem as suas preocupações crescentes quanto ao modelo operativo seguido pelo atual Conselho de Arbitragem, cuja liderança bicéfala em nada tem contribuído para o funcionamento sereno do setor da arbitragem. A política de comunicação desastrosa seguida pelo atual Conselho de Arbitragem, a falta de consistência gritante nos critérios de avaliação de lances semelhantes, a insistência na validação de erros evidentes e um modelo de atribuição de notas cuja relação com critérios de mérito e cujo impacto nas nomeações subsequentes não se encontram devidamente esclarecidos são, na opinião do FC Porto, suscetíveis de semear dúvidas, discórdia e instabilidade técnica junto das equipas de arbitragem, com especial enfoque na videoarbitragem, cujos critérios de análise e tomada de decisão permanecem pouco claros e têm provocado prejuízo dentro dos campos, semana após semana. O resultado é um sistema errático, pouco transparente e profundamente desestabilizador para quem, semanalmente, tem a responsabilidade de tomar decisões dentro das quatro linhas.

4. Ainda a propósito da política de comunicação do Conselho de Arbitragem, o FC Porto interpelou recentemente o Senhor Presidente da Federação Portuguesa de Futebol e o Senhor Presidente do Conselho de Arbitragem sobre a composição da atual Comissão Não Permanente de Arbitragem da instituição, liderada pelo Diretor Técnico Nacional, Duarte Gomes. Em particular, foram solicitados esclarecimentos quanto às razões pelas quais integram essa comissão vários comentadores de arbitragem ligados a órgãos de comunicação social e apenas um representante dos clubes do futebol profissional, bem como quanto a dúvidas relacionadas com a natureza do vínculo dessas pessoas à Federação Portuguesa de Futebol. Desde logo, coloca-se a questão de saber se o exercício contínuo de comentário sobre arbitragem em órgãos de comunicação social, aliado ao exercício de funções técnicas ou consultivas na esfera da arbitragem da FPF, se coaduna com princípios de credibilidade, objetividade e reserva que decorrem da regulamentação aplicável. No entendimento do FC Porto, a posição de influência que esses membros aparentam ter no seio das comissões, aliada ao eco público das suas opiniões e à sua associação direta à Federação Portuguesa de Futebol, expõe as equipas de arbitragem em futuras tomadas de decisão e na uniformização dos seus critérios, sendo suscetível de continuar a degradar a perceção pública de imparcialidade do sistema e a integridade das competições. Integram essa Comissão Não Permanente de Arbitragem os senhores Marco Pina, Pedro Henriques, Jorge Faustino, Carlos Carvalho e Patrícia Silva Lopes, do Sporting Clube de Portugal.

5. Na última semana, muito se falou sobre novos passos de “transparência” na arbitragem, a propósito das inovadoras “bodycams”. Apesar de, como foi visível ontem, os benefícios se resumirem a cosmética televisiva – mostrando um árbitro 12 minutos parado no centro do campo à espera de uma decisão do VAR -, talvez fosse mais apropriado, em nome da tão propalada transparência, resolver definitivamente questões determinantes para o futebol português, como a uniformização da tecnologia VAR em todos os estádios portugueses, a implementação da tecnologia de linha de golo e do fora de jogo semiautomático, bem como a disponibilização imediata dos áudios do VAR. O FC Porto está, há mais de um ano, a defender esta uniformização e este investimento e não encontrou, nem na Federação Portuguesa de Futebol nem na Liga Portugal, a dinâmica necessária para a rápida e urgente implementação destas tecnologias.

É determinante, para a credibilidade do futebol português, que esta época seja decidida exclusivamente pelos protagonistas dentro do campo, sendo imperativo que situações como a que se viveu ontem nos Açores não se voltem a repetir nos relvados portugueses.

Mário Cagica Oliveira
Mário Cagica Oliveirahttp://www.bolanarede.pt
O Mário é o fundador e diretor-geral do Bola na Rede. É também comentador de Desporto na DAZN, SIC e Rádio Observador e professor universitário.

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