Francisco Neto ao BnR: «Euro e Mundial deu tempo de trabalho a Portugal»

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Francisco Neto e Andreia Jacinto analisaram o triunfo de Portugal frente à Noruega na Liga das Nações. O Bola na Rede colocou duas questões a cada um dos intervenientes.

Francisco Neto e Andreia Jacinto analisaram a vitória de Portugal frente à Noruega, no segundo jogo da equipa das quinas na Liga das Nações. Também o selecionador da Noruega, Leif Gunnar Smerud, respondeu a uma questão sobre o jogo.

Eis as perguntas e respostas na Conferência de Imprensa:

Bola na Rede: A seleção portuguesa parecia não encontrar o que pretendia em ataque posicional, perante o 4-5-1 bem coeso da Noruega, ainda que tentasse colocar três jogadoras entre as linhas defensiva e média contrárias. Começou a sair mais em transição e passou a criar mais perigo e mesmo golos. Na segunda parte, sobretudo após o 3-2, vimos menos transições e um jogo posicional mais paciente e uma gestão com bola muito grande. Esta capacidade camaleónica da seleção é um sinal de maturidade?

Francisco Neto: Nós, os selecionadores, estamos sempre a queixar-nos que temos pouco tempo de trabalho. A grande vantagem de ir às fases finais é que nos dá tempo para trabalhar com as jogadoras. E isso permite trabalhar as nossas dinâmicas, permite-nos adaptar, permite ter esta pele mais camaleónica, como disse. O Euro 2022 e o Mundial 23 deu-nos tempo de trabalho com as jogadoras. E isso permitiu-nos aumentar e melhorar a nossa ideia de jogo, melhorar a forma como conseguimos encarar os nossos adversários. Depois, quando chegamos a estas competições é mais fácil as jogadoras irem buscar estas dinâmicas. Apesar de termos estado com alguma dificuldade quando a Noruega se ajustou para o 4-5-1, estávamos a preparar algo para mexer, mas entretanto conseguimos fazer os dois golos e já não houve essa necessidade. Mas esta equipa tem essa capacidade.

Bola na Rede: Esta foi a terceira vez que Portugal esteve em vantagem numa partida em competições desta magnitude (vs Escócia, 2017, e vs Vietname, 2023), em 11 partidas nestes grandes palcos. E venceu os três jogos em questão, hoje perante um adversário de ainda maior peso. Este é também um sinal da maturidade que este grupo cada vez mais parece apresentar?

Francisco Neto: Eu até vejo ao contrário, estarmos a perder e conseguirmos dar a volta. Esta equipa tem crescido imenso na forma como encara os jogos e tem crescido imenso em competição. Hoje, sofremos o golo e continuámos a querer e a fazer acontecer as coisas. Claro que os adversários do outro lado são diferentes e colocam outro tipo de problemas. Mas eu acho que o maior crescimento é a forma como as equipas hoje olham para Portugal. A França nunca tinha jogado em 4-3-3, jogou em 4-3-3 nitidamente para se encaixar no nosso losango. A Noruega é uma equipa dominadora e mesmo quando estava a perder baixou as linhas, não nos pressionou alto, deixou-nos na nossa primeira fase de construção estar mais livres.

Bola na Rede: Foi importante para si ter feito o primeiro golo de Portugal nesta competição – e o golo que começa a reviravolta? Além disso, como sente uma jogadora este crescimento da seleção, que consegue, depois do Mundial e de perder com a França, reagir desta maneira frente à Noruega?

Andreia Jacinto: Uma das nossas grandes fortalezas é a união. Temos isso bastante claro, somos um grupo bastante unido e nos momentos mais difíceis vamos atrás do resultado, como aconteceu hoje. Marcar o meu primeiro golo pela seleção e o primeiro golo da seleção nesta prova foi muito especial para mim, até porque, ainda por cima, foi num momento em que a equipa precisava e o sentimento de poder ajudar a nossa seleção é, sem dúvida, muito bom. Eu acho que a jogadora portuguesa tem cada vez mais confiança e acredita cada vez mais no seu valor, porque estamos ao nível ou cada vez mais perto das melhores. Creio que é muito isso, a confiança que temos em nós de que podemos fazer frente a estes adversários.

Bola na Rede: Ao intervalo mudou a ala direita da sua equipa, mas foi a partir do lado esquerdo que a Noruega começou a criar perigo e foi mesmo pela esquerda que fez o segundo golo (o único da Noruega no segundo tempo). O que sentiu que não estava a correr bem no lado direito na primeira parte? Sente que as mudanças nesse lado funcionaram como pretendia ou continuou a faltar algo?

Leif Gunnar Smerud: Esta equipa sempre foi mais perigosa pela esquerda, mesmo antes de ser selecionador. Queríamos criar mais perigo pela direita e foi por isso que mudámos.

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Márcio Francisco Paiva
Márcio Francisco Paivahttp://www.bolanarede.pt
O desporto bem praticado fascina-o, o jornalismo bem feito extasia-o. É apaixonado (ou doente, se quiserem, é quase igual – um apaixonado apenas comete mais loucuras) pelo SL Benfica e por tudo o que envolve o clube: modalidades, futebol de formação, futebol sénior. Por ser fascinado por desporto bem praticado, segue com especial atenção a NBA, a Premier League, os majors de Snooker, os Grand Slams de ténis, o campeonato espanhol de futsal e diversas competições europeias e mundiais de futebol e futsal. Quando está aborrecido, vê qualquer desporto. Quando está mesmo, mesmo aborrecido, pratica desporto. Sozinho. E perde.

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