O FC Porto derrotou o Tondela em jogo da 30.ª jornada da Primeira Liga. Gonçalo Feio respondeu à questão do Bola na Rede em conferência de imprensa.
Gonçalo Feio analisou a derrota do Tondela frente ao FC Porto por 2-0 na 30.ª jornada da Primeira Liga. O Bola na Rede esteve presente no Estádio do Dragão, e, no final do encontro, teve a oportunidade de colocar uma questão ao treinador da equipa beirã.
Lê também a questão colocada a Francesco Farioli, treinador do FC Porto.
Bola na Rede: A equipa mostrou-se muito personalizada sobretudo na primeira parte, com e sem bola. Pergunto-lhe o que pretendeu com o papel de Rony Lopes a baixar quando a equipa tinha bola? E por outro lado, que funções desempenharam os extremos, nomeadamente o Yan Maranhão e Ouatarra, no momento em que a equipa ganhava bola, mas também no processo defensivo.
Gonçalo Feio: Pergunta complexa, vou tentar ser rápido. Hoje optámos por um sistema com três centrais puros. Não é a primeira vez que defendemos com três centrais, até porque no último jogo, no momento defensivo, estivemos com três centrais. Mas, pelas características do jogo, no momento com bola, o facto de construirmos com uma linha de 5 + guarda-redes sobre a pressão do Porto obrigava muita gente do Porto a vir pressionar a nossa primeira linha, porque a maneira que eles pressionam é muito ligada ao duelo e ao homem a homem. A partir daí, com os nossos médios baixos nas costas da primeira linha deles, sabíamos que íamos atrair dois médios deles e ficávamos com 3×3 na primeira linha baixa de pressão, porque sabíamos que o momento dominante do jogo do Porto, sem bola, ia ser a pressão alta. O FC Porto não ia baixar o bloco para defender, porque é a identidade da equipa. Aí, utilizando nas costas dos dois médios, o Rony com liberdade para dar linhas de passe, podiam acontecer duas coisas: ou passávamos a ter superioridade por dentro ou, na primeira linha, ficávamos num 2×2 — os nossos extremos, com velocidade e rutura, contra os dois homens que eles deixavam mais baixos, que dependia do momento. Às vezes eram os dois centrais, outras vezes ficava um dos laterais e os dois centrais, e aí a superioridade estava por dentro. Num desses lances, chamámos a equipa do Porto a vir pressionar alto e conseguimos transportar a bola com qualidade. Daí veio aquele lance que, com uma melhor decisão, poderia ter dado uma ocasião de golo — o lance que deu o amarelo ao Kiwior. Em relação ao papel defensivo dos extremos, acho que foi por aí que sofremos um pouco na primeira parte. A nossa segunda linha de 4 ou 5 jogadores — porque às vezes o Rony fazia parte — poderia ter fechado um pouco melhor os espaços interiores. O facto de não o termos feito tão bem na primeira parte resultou, especialmente do lado esquerdo, porque tanto o Bryan como o Rodrigo tinham de estar muito por dentro, pois sentiam que a bola poderia entrar naquele espaço facilmente. Chegávamos atrasados às zonas laterais porque não podíamos bascular, já que estavam demasiado focados nessas referências. Tentámos corrigir na segunda parte. Infelizmente, o FC Porto usou o Deniz Gul muito melhor e os dois golos surgem daí. São dois golos diferentes, mas que doem, porque tínhamos o bloco baixo e, no primeiro golo, deveríamos ter fechado muito melhor o espaço interior. Um dos jogadores que poderia ter feito isso foi o extremo, para a bola não entrar entre linhas. Depois, somos uma equipa e um golo nunca vem de um erro individual, é sempre uma ação coletiva. Poderíamos ter feito coisas melhores, seja não deixar rodar, seja na cobertura por dentro, seja no acompanhar do movimento para o Gabri não aparecer ali sozinho. Não o fizemos e acabámos por sofrer. No segundo golo, foi o Porto a encontrar novamente o Deniz e aí acho que os extremos já não estão tão envolvidos, porque o lateral era o que saltava ao homem de fora. Deveríamos ter fechado essa linha de passe, para o posicionamento dos médios ser mais diagonal, e poderíamos ter reagido um pouco melhor. Também tivemos o momento defensivo em pressão, onde os extremos iam mais por dentro. Era muito importante não deixar o Kiwior abrir-se para o pé esquerdo, porque é um playmaker. Era muito importante o trabalho do extremo direito. Queríamos forçar o Diogo Costa também a decidir rápido com o pé esquerdo, queríamos que tivesse dificuldades, apesar de ser também um playmaker na baliza. Depois, tivemos algumas dificuldades nas referências, não de pressão, mas de empurrar o bloco do Porto — tanto na primeira parte como na segunda, mas por motivos diferentes. Na segunda parte, o Alberto baixou muito mais, o que fez com que o nosso extremo tivesse muitas dúvidas em pressionar o Bednarek ou o Thiago Silva. Era um espaço muito grande para o nosso lateral chegar, estruturalmente. Apesar de tudo, houve bons momentos da nossa parte, com e sem bola, e um crescimento que esta equipa tem vindo a ter, tanto a nível de confiança como de processos. Jogámos contra uma equipa muito forte, causaram-nos problemas, mas também nos fizeram crescer.

