João Aroso faz balanço do Euro 2012 e do Mundial 2014 com Portugal: «Depois de 2016 não é fácil valorizar tanto o que nós fizemos em 2012»

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João Aroso foi o mais recente entrevistado pelo Bola na Rede. O técnico estava na equipa técnica de Portugal em 2012 e 2014 e recordou campanhas.

João Aroso, treinador adjunto da Coreia do Sul, foi o mais recente entrevistado pelo Bola na Rede. O técnico olhou para o Euro 2012, onde Portugal só perdeu com a Espanha nas meias-finais, e para o Mundial 2014, onde a seleção foi eliminada na fase de grupos.

«Eu lembro-me que a Espanha cilindrou a Itália por 4-0 na final. Isto diz tudo. Nós jogamos contra a grande Espanha, que tinha vencido o Mundial 2010. Era uma das melhores equipas de sempre, seguramente. Jogámos olhos nos olhos contra eles. Não tínhamos a quantidade em qualidade. Isso existe agora. Claro que tínhamos boa equipa, mas não tínhamos uma extensão de plantel. Eventualmente por isso no prolongamento não conseguimos o que estávamos a fazer nos 90 minutos. Aí a Espanha esteve por cima. Ainda assim, acredito que podíamos ter vencido esse Europeu, se tivéssemos vencido a Espanha. Conseguiríamos ter vencido o Euro quatro anos antes. Recordo-me no aeroporto ouvir o João Pinto dizer ‘ainda não estou em mim, não estava preparado para isto’. Ele acreditava que íamos ganhar à Espanha. Claro que depois de 2016, não é fácil valorizar tanto o que nós fizemos em 2012. Mas ainda assim acho que fizemos uma prova muito boa e recordo-me, também com emoção, da chegada a Lisboa e das centenas, para não dizer milhares, de adeptos portugueses que estavam lá para nos receber. Foi um momento fantástico também», destacou o treinador sobre o Euro 2012.

«Foi uma frustração mesmo muito grande. Na altura eu via a possibilidade de Portugal fazer um bom Mundial por todas as razões. O Brasil é o país do futebol e naquela altura ainda olhava para nós como um país menor em termos de futebol. Eu olhava para aquele momento como decisivo de afirmação. Há várias razões, a que referi insere nas razões históricas. Havia relatos de que o Brasil de 1966, vi coisas sobre isso. Na altura diziam que em Portugal a bola era quadrada. Nesse Mundial de Inglaterra houve um Portugal x Brasil. Eu via este Mundial como uma oportunidade fantástica de mostrarmos a nossa qualidade. Também poderiam surgir oportunidades para treinadores portugueses. Nessa altura, não havia. Depois aconteceram mais tarde, por razões que se sabem. As portas foram-se abrindo. Naquela altura, nem por isso. Foi uma frustração também por aí. Nunca há apenas uma razão, há várias. Hoje a esta distância temporal digo de uma forma mais natural, houve questão relacionadas com a nossa aclimatização, que deveriam ter sido feitas de forma diferente. Tínhamos o primeiro jogo em Salvador às 13 horas. O clima era extremamente quente e húmido. Os jogadores portugueses não estão habituados a isso. Estão sim, a temperaturas altas. Mas a esta conjuntura não, e é muito difícil. O segundo jogo era em Manaus, que estava previsto ser às 15 horas, mas passou para as 18 horas, menos mal. Não foi pela dificuldade enorme de jogar naquelas condições, mas ao que soube esteve relacionado com questão de transmissão televisiva. Enfim, coisas mais importantes. Digo isto com ironia, naturalmente. Só o terceiro jogo era em Brasília, num clima ameno e seco. Nós deveríamos ter feito estágio e a aclimatação ao calor e à humidade. Portugal neste Mundial vai ficar em Miami porque tem o terceiro jogo nesse tipo de condições. Fica em Miami e fica muito bem. Na altura tive a oportunidade de transmitir a minha opinião, mas as coisas aconteceram de uma forma diferente. Não foi esta a única razão, há sempre várias que contribuem para que as coisas não tenham corrido bem. Mas tenho para mim, de uma forma clara, que esta foi muito determinante. Eu recordo-me bem da sensação dos jogadores no treino oficial antes do primeiro jogo com a Alemanha. Eles sentiram dificuldades logo ali. Durante o jogo sentiram dificuldades, falaram disso nos jogos. Não estavam preparados para jogar naquelas condições. Não estavam ambientados nem adaptados a esse clima, de todo. Fizemos o estágio em Campinas, interior de São Paulo, com um clima ameno, com uma humidade relativa baixa. A título de exemplo, a Alemanha, que venceu a prova, construiu um hotel na Bahia e teve todas as preocupações em detalhe para se ambientarem ao clima difícil. Eu vejo isto como determinante para o insucesso que tivemos. Mas perguntam-me se ‘não contribuiu um penálti contra nós aos 5’, contra a Alemanha e expulsão do Pepe?’ Eu tenho de dizer que sim. Isso ajudou, mas havia falta de capacidade da nossa parte, de darmos uma resposta melhor por causa da questão da não adaptação climática», vincou a respeito do Mundial 2014.

toda a entrevista de João Aroso.

Diogo Ribeiro
Diogo Ribeirohttp://www.bolanarede.pt
O Diogo tem formação em Ciências da Comunicação, Jornalismo e 4-4-2 losango. Acredita que nem tudo gira à volta do futebol, mas que o mundo fica muito mais bonito quando a bola começa a girar.

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