José Fonte foi homenageado esta quinta-feira na Cidade do Futebol, poucos dias depois de anunciar o fim da carreira.
A Cidade do Futebol recebeu esta quinta-feira uma homenagem a José Fonte, que colocou um ponto final na carreira aos 42 anos. A cerimónia contou com a presença de várias figuras do futebol português e ficou marcada pelas palavras de Pedro Proença, presidente da Federação Portuguesa de Futebol, que classificou o antigo internacional português como «uma lenda» e destacou o percurso de superação que o levou da terceira divisão inglesa ao título europeu conquistado por Portugal em 2016.
«Em cada história que termina, há outra que fica para ser contada. Hoje, contamos a história de um campeão. A história, até vou dizer, de uma lenda. Hoje termina a história do José Fonte enquanto jogador. Mas começa outra história. E dizemos sempre, não se trata de uma despedida, mas sim de uma celebração. Neste caso, a celebração de a carreira de um enormíssimo jogador. Nenhuma carreira é fácil, a de José Fonte não foi certeza. Uma carreira feita de esforço, de sacrifício, mas de muito amor ao futebol. Um jogador que aceita emigrar para a Inglaterra, para jogar na terceira divisão, com o sonho de jogar na melhor Liga do mundo. E que deixa a Inglaterra com quase 200 jogos na Primeira Liga e um troféu, até se tornar campeão nacional em França. Com toda a naturalidade, José Fonte chegou à Seleção Nacional e fez parte da maior conquista do futebol português até o momento. José Fonte é vencedor do Euro 2016 e junta a si também a Liga das Nações. Atrevo-me a dizer, um dos pilares da nossa Seleção, que nos deu uma das maiores alegrias até hoje, até à data em que vamos embarcar para os Estados Unidos», destacou o dirigente.
Já José Fonte aproveitou o momento para agradecer a todos aqueles que marcaram o seu percurso, desde a família aos treinadores que acreditaram nele nos momentos mais difíceis.
«Aproveito para deixar à nossa Seleção todo o apoio para o Mundial, que corra tudo da melhor maneira e que consigamos trazer o troféu, que é o mais importante. Hoje estou aqui a ser homenageado e é muito por vossa culpa. Sim, culpa vossa. Estou aqui porque o meu pai, com a sua sabedoria, os seus conselhos e as suas palavras por vezes duras, me guiou até ao dia de hoje. Estou aqui porque a minha mãe nunca me deixou cair, sobretudo nos dias mais difíceis. Foi ela que encontrou em mim a resiliência que me caracteriza. Estou aqui muito por causa do meu irmão, pela nossa ligação única. Das vezes sem conta que treinámos juntos, na rua, na praia ou em casa, das duras que levámos por partir tudo. Não posso esquecer a minha avó. Foi ela que apanhou o avião para a Inglaterra para cuidar dos netos. Mesmo sem saber a língua, ia às compras sozinha, sem medo de nada, só para termos o conforto da sua comida e da sua companhia. E há quem tenha sacrificado mais do que eu, sem nunca pisar um relvado: a minha mulher. Durante anos, a nossa vida foi feita de distância. Eu em França, vocês em Inglaterra. Foi ela que segurou a nossa casa e a nossa família, para que eu só tivesse que pensar em jogar. O sucesso desta carreira é tanto dela como o meu. Mais dela, talvez, porque o dela foi sem aplausos. Luca, Luna, espero que me perdoem os aniversários que falhei, as peças de teatro e os jogos que não pude ir. Mas tudo o que fiz, foi também por vocês. Uma palavra muito especial para os dois homens que acreditaram em mim: o míster Norton Matos, que me deu a mão aos 19 anos, acabado de ser dispensado do Sporting. Obrigado, mister. E o mister Fernando Santos, que depois de duas dispensas, me deu a estreia por Portugal aos 30 anos. A estes dois, devo momentos decisivos da minha carreira. Por isso, esta homenagem não é para mim, é para todas as pessoas que contribuíram para o meu caminho. Para toda a minha família, para todos os meus amigos, para todos os treinadores, todos os meus colegas de equipa, todo o staff que tudo fez para me tornar melhor jogador e melhor pessoa. E é para todos os adeptos, claro. Para os que me apoiaram, mas também para aqueles que me criticaram, porque todos me obrigaram a ser melhor. Aos 19 anos fui dispensado e quase ninguém apostava em mim. 882 jogos depois, estou aqui à vossa frente. Tudo começou porque alguém me deu a mão. E termino agora com ela estendida a quem vem a seguir. Um muito obrigado a todos e um resto de bom dia», referiu o antigo defesa central no discurso.
Ao longo da carreira, José Fonte, além de ser uma peça importante na conquista do Euro 2016, disputou 882 jogos e marcou 36 golos.

