O Benfica derrotou o Gil Vicente em jogo da 24.ª jornada da Primeira Liga. José Mourinho respondeu à questão do Bola na Rede em conferência de imprensa.
José Mourinho analisou o triunfo do Benfica frente ao Gil Vicente por 2-1 na 24.ª jornada da Primeira Liga. O Bola na Rede esteve presente no Estádio Cidade de Barcelos, e, no final do encontro, teve a oportunidade de colocar uma questão ao treinador das águias.
Lê também a questão colocada a César Peixoto, treinador do Gil Vicente.
Bola na Rede: Tendo em conta que o Gil procurou defender num bloco compacto e a fechar o corredor central, como é que foi gerindo as diferentes formas da equipa atacar, nomeadamente através do recurso à bola longa e às variações de flanco para explorar o corredor contrário? E, nesse sentido, pergunto-lhe também se a criação de maior perigo do Benfica poderia surgir na aceleração pelos corredores laterais?
José Mourinho: Há aí uma vaga nalguns países europeus de defesa ao homem que há duas décadas começou a ser completamente démodé. O Benfica e o Gil são das equipas que melhor defendem à zona. O Gil defende bem, bascula muito bem o lado da bola, fecha muito bem os espaços interiores. Nós tentámos abrir muito com o Dedic, com o Luca [Prestianni] a ir para dentro, a levar com ele o Konan, e depois a criar dificuldades ao ala, que é um ala ofensivo, e que tinha de vir obrigatoriamente com o Dedic, mas, muitas vezes, atrasado. Na 1.ª parte, começámos a criar por aí, sob o ponto de vista estratégico, mas, depois, sob o ponto de vista das qualidades individuais, começámos a desequilibrar muito pelo lado esquerdo, onde o Dahl tem… é muito longe de onde eu estou, mas tenho a sensação de que tem 2 situações muito boas, ou para marcar, ou para assistir, porque, por aquele lado, começámos a ir com 2 e com 3 jogadores, com Dahl, com Schjelderup, com Rafa, que aparecia ali. O Pavlidis também fez um trabalho extraordinário, é por isso que eu digo que há atacantes que só são bons quando marcam golos, mas há outros atacantes que também são bons quando não marcam golos. Acho que o Pavlidis fez um trabalho fantástico a esticar o jogo, a procurar as costas dos defesas, bolas longas como você diz. Equipas que jogam zonalmente bem como joga o Gil, e compactos como eles jogam, também temos de os obrigar a correr para trás, e acho que fizemos bem. O que eu não gostei no jogo foi a maneira como nós não gerimos o início da 2.ª parte, porque obviamente o Gil reage imediatamente. Nós temos a substituição, depois há ali uma acumulação de lançamentos, de pontapés de canto. Temos de saber gerir com outro tipo de maturidade. Inclusive a tentativa de reposição rápida do Trubin, numa situação como aquela, não se deve fazer, porque, quando a equipa está num momento difícil, e foi o primeiro momento difícil que tivemos no jogo, temos de saber gerir de outra forma. Não quero dizer com mais inteligência, mas menos naive.

