Luís Tralhão analisou a vitória do Torreense diante do Sporting. Técnico respondeu ao Bola na Rede em conferência de imprensa.
Luís Tralhão fez o rescaldo da conquista da Taça de Portugal por parte do Torreense depois da vitória sobre o Sporting por 2-1. O Bola na Rede esteve no Estádio Nacional, no Jamor, e no final do encontro, teve a oportunidade de colocar uma questão ao treinador do conjunto do Oeste.
Infelizmente, não nos foi concedida a possibilidade de colocar uma questão a Rui Borges, treinador do Sporting.
Bola na Rede: Sobre a importância do Léo Silva no controlo do espaço entrelinhas, qual a chave e o segredo para ele saber os timings de quando subir um bocadinho e ocupar o espaço entrelinhas e de quando baixar para a linha defensiva. Pergunto também se o golo cedo alterou ou reforçou a estratégia preparada pela equipa para o jogo?
Luís Tralhão: Nós tínhamos analisado e visto que tanto o Pote como o Trincão, em zonas mais baixas do Sporting, jogam muito interior. Sabíamos que, muitas das vezes, na nossa Liga, na Liga 2, encurtamos com um central um bocadinho mais à frente e com um médio no outro jogador, mais alto. Mas desprotegíamos um bocadinho o 1X1 e não quisemos deixar o Suárez no 1X1 contra o Stopira ou o Ali [Diadié]. Sabíamos que podíamos correr esse risco. Tínhamos visto vários jogos do Sporting e obviamente que o Suárez é um jogador top mundial. O Sporting utiliza muito o jogo na profundidade quando as equipas assim permitem. Sabíamos que o Léo [Silva] e o [Guilherme] Liberato iam tapar aquelas zonas numa fase um bocadinho mais alta e que, numa zona um bocadinho mais baixa, o Léo, se houvesse necessidade, quando o Sporting começa a colocar muita gente na nossa linha defensiva, entraria nessa linha. Há ali uma passagem, um tempo de passagem de ele estar à frente ou atrás da linha muito importante. Ao intervalo vimos algumas imagens e percebemos que o Léo estava muito cedo na linha e outras vezes não. Não sei se repararam, mas o Luis Quintero acabou por estar muito mais baixo do que achávamos, porque o Maxi assim o obrigou. Então, a nossa linha de 5, que habitualmente fazemos com o Léo, já estava feita com o Luis e o Léo podia estar um bocadinho à frente. Na segunda parte, tentámos que o Léo estivesse mesmo na linha para dar alguma liberdade ao Luis para estar um bocadinho mais à frente porque sentimos que também era preciso ter bola. Com o Luis um bocadinho mais baixo, acabámos por ter dificuldades naquele espaço curto de tempo em que temos a bola. Faltavam algumas linhas de passe. Era importante que o Léo estivesse mais atrás para o Luis estar um bocadinho mais à frente.
Quanto ao impacto, acho que foi muito bom. Não posso negar que começar praticamente o jogo a ganhar nos dá alguma serenidade e tranquilidade. Agora, também, e não quero parecer presunçoso, creio que estar a ganhar muito cedo nos tirou alguma capacidade de ter bola e circular bola. A nossa equipa tem essa capacidade e sinto mesmo que, se conseguíssemos ultrapassar a primeira linha de pressão do Trincão e do Suárez, juntamente com o Pote e o Catamo, éramos capazes de circular nas costas, pelo menos destes quatro jogadores e aproveitar alguma da igualdade numérica que tivemos. Lá está, equipas como a nossa, que se veem a ganhar num palco como este, num estádio cheio, acabam por se agarrar um bocadinho mais ao resultado do que ao processo. Olhe, e ainda bem. Está aqui [a medalha]».

