Depois de Sporting e FC Porto terem tido a difícil tarefa de derrotar o Arouca já nos instantes finais dos respetivos jogos, foi a vez do Benfica também sentir a dificuldade de jogar perante a equipa de Vasco Seabra. Os encarnados derrotaram os arouquenses por 2-1 na 26.ª jornada da Primeira Liga, no último sábado, em jogo disputado no Estádio Municipal de Arouca.
José Mourinho mexeu em várias peças em comparação com o jogo frente ao FC Porto e lançou António Silva, Alexander Bah, Leandro Barreiro e Dodi Lukebakio no onze inicial. Já Vasco Seabra voltou a colocar Javier Sánchez no onze, em detrimento de Boris Popovic. A equipa do Benfica acabou por ter uma entrada em falso, já que, ao minuto 7, o árbitro assinalou grande penalidade a favor do Arouca por infração de António Silva. Na marca dos onze metros, Iván Barbero desviou a bola de Anatoliy Trubin e inaugurou o marcador a favor do conjunto da casa.
No momento defensivo, o Benfica não apresentou grandes alterações na dinâmica, mantendo o 4-4-2, com Rafa Silva e Vangelis Pavlidis na dupla de ataque. Já Vasco Seabra alterou a disposição da equipa sem bola, uma vez que Nais Djouahra, extremo francês, foi o elemento a cair para a linha de cinco que o Arouca criava no momento defensivo. Tendo em conta que essa função era maioritariamente atribuída a Alfonso Trezza no corredor direito, acabou por ser uma dinâmica nova que o extremo francês desempenhou da melhor forma, sobretudo na contenção dos ataques do Benfica pelo corredor direito, através de Dodi Lukebakio e Alexander Bah. No final do encontro, Vasco Seabra explicou a aposta, em resposta a uma pergunta do Bola na Rede. A decisão teve a ver com a construção do Benfica ser mais baixa com Dahl, ou seja, o lateral sueco tinha tendência para formar linha de três na fase de construção. Era a partir do lado direito, com Amar Dedic ou Alexander Bah, que o Benfica se projetava ofensivamente, o que justificou a contenção feita por Nais Djouahra nesse corredor.


Na pressão encarnada à saída de bola do Arouca, Rafa Silva e Vangelis Pavlidis pressionavam de frente os centrais da equipa arouquense, com os extremos do Benfica a terem o papel de fechar o espaço nos laterais adversários. No que toca ao meio-campo, e tendo em conta que o Arouca utilizava um duplo pivô na construção, com Espen van Ee e Taichi Fukui a baixarem no terreno, Leandro Barreiro e Richard Ríos tinham como referência esses dois médios para pressionar e obrigar o Arouca a não jogar pelo corredor central.
Com Dodi Lukebakio e Andreas Schjelderup nos corredores laterais – dois jogadores com características fortes no um para um – o Benfica foi criando o seu perigo ao longo do jogo através destes elementos. Sobretudo através do passe longo para explorar corredor contrário, os encarnados foram criando algumas oportunidades, principalmente por intermédio do extremo norueguês, que tem estado num excelente nível na equipa de José Mourinho. Apesar de algumas investidas com bola, Rafa Silva voltou a ter algumas dificuldades em explorar o espaço com movimentos de rutura, enquanto Richard Ríos mostrou pouca eficácia de passe na primeira metade.
Apesar do cerco à baliza do Arouca, o resultado chegou ao intervalo com 1-0, sendo que a equipa encarnada precisava de ser mais incisiva nos ataques e demonstrar maior capacidade de definição no último passe no último terço adversário. A grande diferença do Benfica da primeira para a segunda parte acabou por ser a forma como os laterais encarnados se tornaram mais importantes no processo ofensivo da equipa. Samuel Dahl e Alexander Bah começaram a projetar-se com maior agressividade, principalmente com desdobramentos interiores, permitindo dar largura a Andreas Schjelderup e Dodi Lukebakio. Estes movimentos começaram a criar mais dúvidas nas marcações da equipa arouquense.


Com o decorrer dos minutos, tornou-se também mais difícil para jogadores como Alfonso Trezza e Nais Djouahra acompanharem essas movimentações dos laterais do Benfica. No entanto, e apesar do espaço concedido em transições por parte do Arouca, a realidade é que a equipa de Vasco Seabra também encontrou espaço através dos seus protagonistas ofensivos para criar perigo. Hynju Lee teve a maior oportunidade do jogo para dilatar a vantagem, mas o seu remate acabou por sair desenquadrado.
Na resposta, e na sequência de um canto batido por Andreas Schjelderup, Richard Ríos apareceu sozinho na área para restabelecer a igualdade e estrear-se a marcar pelo Benfica na Primeira Liga. A partir desse momento, o jogo tornou-se muito aberto, com as duas equipas a quererem vencer e, para isso, a concederem espaço para contra-ataques e ataques rápidos. Nesse contexto, a equipa técnica liderada por José Mourinho lançou quatro jogadores de uma vez: Amar Dedic, Franjo Ivanovic, Georgiy Sudakov e Gianluca Prestianni.


Richard Ríos fez a parte final do jogo como central e Franjo Ivanovic, algo habitual devido às suas características de ponta de lança, foi tendo espaço para explorar as diagonais. As águias acabaram por chegar ao golo do triunfo ao minuto 90+6, através de uma jogada construída por dois dos jogadores que entraram: Gianluca Prestianni assistiu com um cruzamento e Franjo Ivanovic apareceu sozinho ao segundo poste para dar a vitória às águias.
Se um empate poderia colocar o Benfica praticamente fora da luta pelo título, com este triunfo as águias colocam pressão nos dois rivais. Chegam aos mesmos pontos do Sporting, apesar de terem mais um jogo disputado, e continuam na luta pelos lugares de Champions League. O Arouca, por sua vez, voltou a demonstrar muita qualidade no seu jogo. Falta agora também gerir melhor os timings da partida e perceber o risco-benefício de se expor perante equipas mais ou menos fortes com o intuito de chegar à vitória.
Rodrigo Lima


BnR na Conferência de Imprensa
Bola na Rede: Ao contrário de várias partidas esta temporada, hoje decidiu colocar Djouahra a cair para a linha de cinco quando o Arouca não tinha bola, em vez de Alfonso Trezza, que tem desempenhado habitualmente essa função no corredor direito. Gostaria de lhe perguntar o motivo desta opção e se a aposta do Benfica em Lukebakio acabou por ter influência nessa decisão.
Vasco Seabra: A aposta no Lukebakio nós perspetivávamos que pudesse acontecer. Não foi algo que mexesse connosco porque não tínhamos a certeza de que podia acontecer, mas sentíamos que poderia acontecer. O facto de ter o Nais Djouahra mais atrás teve a ver com a construção do Benfica ser mais baixa com o Dahl. Ou seja, perspetivávamos que fosse jogar o Dedic, acabou por jogar o Bah, mas de qualquer das formas não mudou aquilo que eram as intenções: lateral muito projetado à direita e lateral mais baixo à esquerda. Ficar-nos-ia desconfortável, em termos de pressão, conseguirmos bater com o Trezza a ter de baixar sem ter ninguém para acompanhar. Então quisemos que o Trezza, que é um jogador forte no momento de saltar à pressão, mais avançado. O Nais Djouahra também é um jogador muito comprometido, tem muita qualidade para ir e vir, portanto sentíamo-nos confortáveis em podermos rodar. Rodámos para conseguirmos ser mais fortes a pressionar.
Em protesto contra o castigo aplicado a José Mourinho, nenhum elemento do Benfica marcou presença na sala de imprensa.

