Marco Silva refletiu em conferência de imprensa sobre a derrota do Benfica no terreno do FC Porto 7.ª jornada da Primeira Liga.
Marco Silva falou com os jornalistas na conferência de imprensa de rescaldo à vitória do FC Porto sobre o Benfica, no Clássico da sétima jornada da Primeira Liga. O técnico começou por analisar a partida:
«Acima de tudo, a forma como nós, depois de uma excelente entrada — primeiros 20/25 minutos de grande nível, dentro daquilo que era o nosso plano, dentro daquilo que era a nossa identidade —, chegámos e comandámos o jogo desde esse momento. Bem a condicionarmos o nosso adversário, bem a jogar em meio-campo ofensivo… Acabámos por ter a primeira grande oportunidade do jogo, também nossa, numa jogada muito boa da nossa equipa. Eu tenho que dizer: nós — e respeitando toda a gente —, nós acabámos por perder o jogo e a culpa é nossa. Fomos nós que o perdemos por algumas coisas que aconteceram dentro do terreno, e nós temos de assumir isso mesmo, não querendo dar muitas explicações. Teremos de crescer para jogar em contextos como este, em ambientes e outras coisas mais. Mas isso é para nós falarmos, para nós crescermos e, naturalmente, sermos mais maduros. Simplesmente isso. Por isso mesmo eu digo que nós perdemos o jogo esta noite, perdemos três pontos importantes para nós. Infelizmente para nós há uma paragem. Todas as narrativas de que se irão falar e que se irão dizer… Nós temos de voltar mais fortes após a paragem. Começar também por agradecer aos nossos adeptos o apoio incondicional desde ontem e hoje também, quer à saída do hotel, quer durante o jogo. Infelizmente não lhes demos aquilo que eles mereciam, mas estamos cá para continuar a crescer e para lhes dar, no final da época, aquilo que eles tanto merecem».
Questionado sobre a expulsão de Clement Lenglet, Marco Silva afirmou:
«Em relação à expulsão, eu não vou fazer qualquer comentário. Acho que é importante, se o clube tiver de dizer alguma coisa em relação ao jogo, acho que o clube deve… deve dizê-lo. Eu não sei se irei continuar ou se irei conseguir continuar assim até ao final da época. Venho de uma… de uma cultura diferente. Aqui, infelizmente, consegue-se condicionar árbitros antes dos jogos, depois dos jogos, durante a semana, de toda a forma e mais alguma, e por vezes dá resultado. Eu não vou entrar por aí. Acho que o míster Farioli virá aqui a seguir: aproveite e faça-lhe a pergunta a você, em vez de me perguntar a mim o que é que ele disse. Aproveite o momento e faça-lhe a pergunta, e você vai ter aqui a resposta. Isso não é para mim para responder. Ele ontem falou, falou a semana passada de coisas estranhas, portanto, entrem vocês nessa conversa com ele, porque vocês também gostam e acaba por ser importante e é bom para o futebol português, é fixe, a malta vai gostando e vamos vendendo bem o futebol português, e vamos ter espetáculos muito bons. Hoje, de certeza que a narrativa vai ser, e o que se vai analisar do jogo: grande jogo, fantástico jogo, mais uma vez foi um fantástico jogo, muito bonito. Parabéns a quem ganhou, nós perdemos o jogo. Em relação à primeira questão da expulsão: não vou fazer qualquer comentário. Quero é que os meus jogadores sejam mais maduros, havendo provocações, não havendo provocações, de manter o equilíbrio emocional. É fundamental para nós, no tipo de jogo que se joga aqui em Portugal — em alguns jogos, não em todos, como é lógico —, termos a capacidade de manter esse equilíbrio emocional, porque depois, no final de uma temporada, vai ser… vai ser fundamental para não acabarmos jogos com… com 10. Nós sabíamos que era fundamental para nós hoje acabar o jogo com 11 para 11. Nós tínhamos falado disso, tinha dito aos jogadores que seria fundamental e o resultado nos iria sorrir de certeza. Infelizmente não aconteceu e nós temos de olhar para nós mesmos».
O técnico abordou a falta de maturidade do Benfica:
«Não, eu falei (sobre a falta de maturidade) de uma forma geral. Eu não quero estar aqui a analisar todos os momentos convosco, mas falei de uma forma geral, porque uma equipa que entra com a personalidade que o Benfica entrou — e é importante chegar aqui e jogar com personalidade, e nós fizemo-lo durante 25 minutos a muito bom nível —, não nos amedrontámos em nada, assumimos o que tínhamos que assumir, fomos pressionantes e com bola conseguimos ser uma equipa dentro daquilo que temos sido e temos vindo a sedimentar e a crescer como equipa e a adquirir os processos. Portanto, eu falo de uma forma geral. Da mesma forma como sofremos o primeiro golo: é um golo que é completamente evitável da nossa parte e isso compete-me a mim, as coisas que eu tenho que trabalhar com os meus jogadores. Falou do segundo golo, e eu percebo porque é que fala: nós tivemos uma entrada boa, uma entrada em que mesmo com 10 conseguimos… E eu tinha dito aos jogadores que era fundamental para nós não sofrermos golos na segunda parte, independentemente de estarmos a perder, porque eu sabia que nós íamos marcar. E até marcámos mais cedo do que eu esperava, sinceramente, mas foi uma entrada boa da nossa equipa. E basta perceber como é que nós perdemos aquela bola: nós não temos pressão, o FC Porto mesmo contra 10 quase não nos conseguia pressionar naquele momento, os nossos centrais completamente em posse e sem pressão, não há necessidade nenhuma de haver… de fazer variações do centro de jogo. Há uma capacidade nossa que tem de ser de ficar com bola e depois procurar os caminhos certos. E quando digo crescer, é neste aspeto: sermos maduros, percebermos onde é que temos que… onde é que queremos ir e quais os caminhos que vamos para chegar lá. Eu percebo a questão: foi logo muito rápido que sofremos o golo após termos marcado e que podia tranquilizar um pouco a reação do FC Porto e podia-nos fazer crescer. E naqueles momentos é que nós temos que defender a baliza de uma forma diferente e, acima de tudo, não perder a bola como perdemos, ou dar ao adversário a bola como demos, quando tínhamos zero pressão naquele momento nos nossos centrais»
Em mais uma resposta aos comentários de Francesco Farioli, Marco Silva referiu:
«Vou responder da mesma forma: aproveite o momento a seguir, vai ser porreiro, e vocês falam dessas ‘coisas estranhas’ e falam de… de outras coisas mais. Eu referi alguma coisa? Pronto. Aproveite a seguir o momento e faça-lhe essa pergunta. Não sou eu que vou gerir a agressividade do adversário. Estão lá quatro mais dois no VAR para gerir, não sou eu que tenho de gerir ou ver se passa dos limites ou não».
