Mikel Merino, o maior hater das ex’s de Roberto Martínez- Diário do Mundial 2026 #29

- Advertisement -

Lê também os outros capítulos do Diário do Mundial 2026. 

É assim que se diz Superestrella? | Espanha 2-1 Bélgica

Dani Olmo Nicolas Raskin Espanha Bélgica
Fonte: Federação Espanhola de Futebol

O que têm em comum Maxi Araújo, Cristiano Ronaldo e Senne Lammens? Três coisas: todos são profissionais do futebol, todos estiveram nos EUA e todos foram eliminados pela Espanha do Mundial 2026. Naqueles minutos de contrastes, imediatamente depois do apito final, a FIFA aliada ao American Show decidiu colocar música para animar todos no estádio, na sua maioria relacionada à cultura da nação vencedora. O momento tem no Wonderwall inglês a sua apoteose, mas a Espanha tem, porventura, na escolha musical o momento de maior pesar para os adversários. 

A câmara focava as lágrimas desalmadas de Maxi Araújo, o único que remou contra a maré no Uruguai, focava o choro e o percurso de Cristiano Ronaldo até ao túnel, no seu último jogo na história dos Mundiais, e focava a cara absorta de Senne Lammens, ainda a tentar perceber qual o rumo dos acontecimentos que o fizeram saltar do banco aos 71 minutos, entrar a frio do jogo e estar intrinsecamente ligado à eliminação belga. Ao fundo, como quem se fez convidado de uma festa para a qual só conhecia um amigo, Aitana e a sonoridade pop do seu Superestrella. A câmara, essa, focada na Superestrella errada.

Nos últimos dois jogos da Espanha, a maior estrela nunca foi Mikel Merino,mas foi sempre o médio quem reclamou para si esse estatuto. Contra Portugal, entrou aos 85 minutos e, seis minutos depois, decidiu a eliminatória. Diante da Bélgica, efeito ainda mais imediato. Entrou aos 86 minutos e, duas voltas ao relógio depois, celebrou mais um golo na bandeirola de canto onde o pai também festejou. Foi em 1991 que Ángel Merino dedicou um golo à sua mulher nessa mesma bandeirola. Em 2024 o filho replicou a celebração contra a Alemanha e, em 2026, como quem não gosta de ficar atrás, já o fez por duas vezes. Primeiro contra Portugal, depois contra a Bélgica. Alguém diga a Mikel Merino que as antigas relações de Roberto Martínez nunca lhe fizeram mal. Entre todas as fofocas do mundo do futebol, alguém verifique as ex’s de Roberto Martínez. Mikel Merino tem algo contra elas.

Mikel Merino Espanha
Fonte: Federação Espanhola de Futebol

É um jogador muito útil para a Espanha ter a saltar vindo do banco. Os mesmos princípios pelos quais Mikel Arteta lhe confiou a missão de ser falso 9 servem para Luis de la Fuente olhar para o médio como peça para saltar do banco. Além do jogo de cabeça, tem bem apurada esta capacidade para infiltrar a área e um instinto matador pouco comum a um médio, até em funções mais recuadas, de formação. O jogo da Espanha sempre desenvolveu médios de toque e capacidade de passe, mas a capacidade física aliada à imposição na área faz de Merino uma peça fundamental. Já é a segunda geração a brilhar pela Roja. Se é para ser assim, que continuem a fazer Merinos. A próxima geração agradece. 

Curiosamente, o golo até chegou num dos momentos de menor brilho do melhor jogo da Espanha no Mundial 2026 (contra adversários do nível). O 1-1 era um acaso difícil de explicar para a Bélgica, apenas superado em termos de aleatoriedade pelos dois golos tardios contra Senegal. Até lá, a seleção espanhola foi capaz de se implementar no meio-campo contrário, de gerar volume de jogo, de atrair os belgas a um lado para jogar pelo outro, criando vantagens atrás de vantagens. Faltou outro impacto de Mikel Oyarzabal, algo apagado desta vez, e outra preponderância de Alex Baena sobre a esquerda. É a posição mais “coxa” da Espanha, que sente falta do melhor nível físico de Nico Williams.

Por falar em nível físico, Lamine Yamal fez a melhor exibição neste Mundial. O nível das grandes estrelas (Kylian Mbappé, Lionel Messi, Harry Kane, Erling Haaland) mete a fasquia demasiado alta para o jovem de 18 anos, que chegou à competição lesionado e, até por isso, ainda procura as melhores garantias de continuidade. A busca pode ter acabado. Até começar a cair e a pecar nas decisões, soube procurar soluções diferentes para o jogo (à direita, por dentro, mesmo fazendo o movimento de chegar à esquerda) e mostrou o arsenal de atributos técnicos, principalmente em espaços curtos. Só não foi o melhor nestes terrenos apertados, porque Dani Olmo – possivelmente o melhor espanhol do Mundial – está a abrir o livro. Mais uma exibição impressionante entre linhas, identificando o melhor espaço para receber a bola, virar-se de frente para o jogo e, rapidamente, tirar algo das jogadas. 

Lamine Yamal Espanha
Fonte: Federação Espanhola de Futebol

Lá atrás, pela primeira vez a Espanha foi batida. Pau Cubarsí foi ultrapassado e Unai Simón, o menos bom dos guarda-redes espanhóis convocados, também não fica isento de responsabilidades. Ainda assim, a exibição do jovem central do Barcelona – cujo atrevimento resultou em golo – e do seu companheiro de bandas, Aymeric Laporte – que impediu um 2-2 anticlimático para os espanhóis – foi sólida, mais uma vez. Por não serem os defesas mais exuberantes, têm passado um pouco fora do radar, mas ajudaram à longa sequência a zeros nas redes espanholas. 

A Bélgica atingiu o limite onde poderia ambicionar chegar e, provavelmente, até o ultrapassou. Fez uma fase de grupos com resultados melhores que exibições e com um primeiro lugar sofrido num grupo contra Egito, Irão e Nova Zelândia. Quando teve pela frente o primeiro jogo a eliminar, conseguiu dois golos altamente improváveis diante do Senegal para seguir em frente. A única exibição verdadeiramente competente e de superioridade inequívoca, para lá da rubricada diante dos neo-zelandeses, foi diante dos EUA, num jogo de vingança. Contra a Espanha, e não relativizando o impacto das lesões, quer de Amadou Onana no jogo anterior, quer de Youri Tielemans antes do jogo, quer de Thibaut Courtois durante o jogo, fez o que pôde.

Sem os dois médios de maior presença física, o meio-campo belga perdeu a capacidade de andar de um lado para o outro e de fechar o corredor central. Nicolas Raskin ainda se multiplicou, mas os lesionados fizeram falta. Quando Thibaut Courtois saiu, Senne Lammens entrou e comprometeu. Há poucos contextos mais complicados para um guarda-redes que este, até porque não há trabalho mental feito para sair do banco e jogar. Fica a reação de Rudi Garcia vinda do banco, novamente com impacto positivo na partida, e alguns momentos de Jérémy Doku, mais na base da força e da repetição que da fineza, e de Charles De Ketelaere. Há poucos avançados de jogo e de ligação com a mesma presença na área. Chegou ao fim a geração de ouro belga.

Diogo Ribeiro
Diogo Ribeirohttp://www.bolanarede.pt
O Diogo tem formação em Ciências da Comunicação, Jornalismo e 4-4-2 losango. Acredita que nem tudo gira à volta do futebol, mas que o mundo fica muito mais bonito quando a bola começa a girar.

Subscreve!

Artigos Populares

FC Porto: ‘caso Iván Jaime’ perto de ser resolvido

Iván Jaime não entra nos planos do FC Porto para a próxima temporada. O espanhol deve manter-se na MLS.

Benfica já chegou ao Algarve para realizar o estágio de pré-temporada

O plantel do Benfica já chegou ao Algarve, onde vai realizar um estágio de pré-temporada durante os próximos dias.

Sporting: só há uma oferta por Francisco Trincão (e muitos milhões a caminho)

O Al Ahli foi o único emblema a realizar uma sondagem por Francisco Trincão. O médio ofensivo deve abandonar o Sporting em breve.

Já é conhecido o 1º jogo das meias-finais do Mundial 2026

A França e a Espanha têm encontro marcado nas meias-finais do Mundial 2026. Este jogo vai decidir o primeiro finalista.

PUB

Mais Artigos Populares

Mikel Merino volta a ser herói ao cair do pano e Espanha faz com a Bélgica o que já fez com Portugal para chegar...

Mikel Merino voltou a brilhar na vitória da Espanha. Roja elimina a Bélgica e está nas meias-finais do Mundial 2026.

Defesa deixa o Sporting e assina com o Lecce

Cristiano Palamarchuk deixou de ser jogador do Sporting. O defesa central assinou um contrato com o Lecce, emblema da Serie A.

Benfica e Sporting cruzam-se nos alvos para o meio campo

O Benfica e o Sporting foram apontados como destinos de alguns jogadores. João Palhinha é o mais recente alvo associado aos dois conjuntos.