O Benfica não foi brilhante, mas fez o suficiente para vencer o Vitória SC de uma forma confortável | Benfica 3-0 Vitória SC

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Num final de tarde agradável em Lisboa, o Benfica derrotou o Vitória SC por 3-0, num encontro a contar para a 27.ª jornada da Primeira Liga. O conjunto das águias não encantou, mas mereceu o triunfo, contra uma formação minhota que ainda está a viver a mudança de treinador.

José Mourinho surpreendeu, colocando Enzo Barrenechea a defesa central, relegando Nicolás Otamendi para o banco de suplentes (o capitão não estava fisicamente a 100%), tal como Gonçalo Oliveira, que viu gorada mais uma oportunidade para se estrear na equipa principal. Quem também foi parar ao banco foi Rafa Silva, que não tem encantado desde o seu regresso à Luz. Sem Aursnes em campo, os encarnados não contavam com o seu elemento mais equilibrado, com maior capacidade de encher o campo e de ajudar ao nível defensivo e ofensivo, o treinador entendeu que o internacional português não era o nome ideal para utilizar, procurando um meio campo quase a três, com um 10 capaz de recuar para ir buscar jogo. Georgiy Sudakov, que fez uma longe do brilhante, acabou por ser o eleito, atuando nas costas de Vangelis Pavlidis, ao lado de Gianluca Prestianni e Andreas Schjelderup.

Gianluca Prestianni Benfica
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Já do outro lado da ficha de jogo, Gil Lameiras também surpreendeu. Óscar Rivas voltou às opções três meses depois, recuperado de lesão. Já Miguel Nogueira também foi titular, mas a extremo direito, posição habitualmente ocupada por Noah Saviolo. O recentemente convocado por Portugal em Sub-21 foi mesmo chamado a jogo, mas numa fase posterior. O Benfica entrou muito melhor, pressionando em 4x4x2 o Vitória SC, que viu Beni Mukendi descer para a linha de centrais inúmeras vezes. O que ‘tramou’ a turma de Guimarães foi a sua falta de concentração. No primeiro golo, Samu Silva recebeu de costas (os vimaranenses fizeram isto mais do que uma vez) e Richard Ríos estava atento, recuperando o esférico e transportando-o para a grande área. Gianluca Prestianni não perdoou.

Os encarnados até deram a bola ao Vitória SC, mas os minhotos não conseguiam criar, empurrados para as laterais e sem um criador nato em campo que pudesse organizar o jogo numa fase mais adiantada do terreno. A única grande oportunidade do conjunto do D. Afonso Henriques surgiu de um cruzamento adiantado de Miguel Nogueira, que Nélson Oliveira aproveitou, rematando ao lado. Ficou o aviso, mas pouco mais. José Mourinho permitia ao adversário ter a posse, mas sem criar mossa, ainda que as linhas dos encarnados recuassem cada vez mais a cada minuto. O Benfica foi para o intervalo a vencer justamente e na segunda parte entrou novamente a alta velocidade, mas foi novamente Miguel Nogueira a mexer, rematando para uma defesa apertada de Trubin (com um ressalto pelo meio). Nélson Oliveira não aproveitou a recarga.

Gianluca Prestianni
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Porém, aos 55’, foi novamente a vez de Richard Ríos brilhar. Erro garrafal de Beni Mukendi, nova recuperação do ex-Palmeiras, que novamente serviu de bandeja. Desta vez foi Vangelis Pavlidis quem aproveitou. Contudo, as ações do colombiano nesta partida ficaram na retina. Sempre atento às constantes distrações dos adversários, subindo no terreno de forma justificada, com um propósito. No capítulo defensivo, exímio nos duelos e nos cortes, realizando ações defensivas fundamentais para o resultado que o Benfica conseguiu alcançar no marcador. Foi o elemento mais das águias, o MVP e pode continuar a crescer, caso seja apoiado pelos adeptos, já que José Mourinho já está convencido das suas virtudes. Não é um goleador, não é um assistente (embora o que tenha feito este sábado, demonstre o contrário), mas é um jogador que enche o meio campo e que dá uma grande ajuda aos seus colegas de equipa em vários capítulos.

O 3-0 trouxe apenas a confirmação da vitória dos encarnados. Alexander Bah entrou dentro da área e cruzou. Beni Mukendi coroou a sua exibição para esquecer com um autogolo. O angolano, único jogador com capacidade de criar jogo pelo Vitória SC nesta partida, vale muito mais do que o que apresentou no Estádio da Luz.

José Mourinho Benfica
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Uma partida que entusiasmou poucos, que arrancou com as lágrimas de José Mourinho, recordando no minuto de silêncio o seu amigo Silvino, que partira cedo demais. O Benfica colocou uma mini-goleada no marcador, mas esteve longe de ser brilhante. Não conseguiu ter a bola muito tempo na sua posse, contra um Vitória SC, que sem grandes rotinas e relativa falta de ordem, ainda causou algum incómodo, mas sem mostrar muita evolução em face ao que foi apresentado pelas mãos de Luís Pinto. Gil Lameiras é promissor, tem um discurso atraente e pode levar este conjunto ao sucesso, mas necessita de tempo. A imagem que deixou este sábado, não é para recordar.

O Benfica dorme no segundo lugar e coloca pressão no Sporting, que necessita de uma vitória em Alverca. As águias, sem se destacarem continuam no sonho do título e José Mourinho tratará de tudo para o conquistar, para o dedicar a mais uma estrela que está lá em cima.

Richard Ríos Benfica
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Bola na Rede na Conferência de Imprensa

Bola na Rede: Optou por colocar Georgiy Sudakov na posição atrás do ponta de lança, relegando o Rafa Silva para o banco. Gostaria que justificasse a sua opção.

José Mourinho: Fiz porque estavam todos a pedir que o fizesse… estou a brincar (risos). Mas se eu pusesse o Rafa Silva se calhar, não seria vocês, mas seria outro a perguntar-me porque é que joga o Rafa e não joga outro. Porque é que jogou o Pavlidis e não jogou o Ivanovic, que nos deu a vitória frente ao Arouca? Por que é que jogou o Enzo a central? Poderia ter jogado o Rios, que já jogou 20 minutos em Arouca. Por que é que não jogou um dos jovens? Há sempre motivos, alguns eu posso explicar mais objetivamente, outros não posso. Meti o Sudakov porque achei que sem o Aursnes a equipa já perdeu o controlo de jogo, perdeu fluidez, perdeu consistência, perdeu critério, perdeu a capacidade de recuperar a bola em certos sítios, perdeu muita coisa. Não tendo o Aursnes, nem um médio para substituí-lo diretamente, com o mesmo tipo de caraterísticas, achei que seria um número 10, falando esta linguagem de números, sem ser tão vertical, que baixa mais, que vem buscar mais jogo dentro da primeira linha, podia dar um bocadinho mais de consistência à equipa. Provavelmente quando o Aursnes voltar, voltarei à estabilidade que ele me dá e aí já posso procurar mais jogo vertical. Hoje achámos que era esta a melhor opção.

Bola na Rede: Olá mister, Manuel Nascimento, Bola na Rede. Colocou Miguel Nogueira à direta com opções mais ofensivas no banco. Pergunto, porque é o que fez e se é algo que pretende repetir.

Gil Lameiras, técnico do Vitória SC: «O Miguel tem vindo a trabalhar bem, eu cheguei agora à equipa A, não mudamos nada porque foi tudo muito rápido, não houve tempo para mudar absolutamente nada. Tentei dar o máximo conforto à equipa. Esta semana com um numero maior de treinos entendemos que o Miguel era o melhor para este jogo. Não diria que temos no banco jogadores mais ofensivos, porque o Miguel é um jogador muito ofensivo e também sabemos o compromisso que ele nos iria conseguir dar, o entendimento do jogo que ele tem, foi acima de tudo nesse sentido do entendimento do jogo, tanto em termos ofensivos como defensivos e depois também muito baseado naquilo que foi o pouco tempo que nós tivemos com a equipa.»

Ricardo João Lopes
Ricardo João Lopeshttp://www.bolanarede.pt
O Ricardo João Lopes realizou a sua formação na área da História, mas é um apaixonado pelo desporto (especialmente pelo futebol) desde criança, procurando estar sempre a par da atualidade.

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