O Benfica já venceu José Mourinho… no Real Madrid. Em 2012, os merengues eram treinados pelo português e foram goleados no Estádio da Luz.
Este verão, quando o país rumava ao sul para aproveitar o sol algarvio, José Mourinho trocou a toalha pelo campo tático e o chapéu de sol pelo apito. Também no Algarve, o técnico ia liderando a pré-época do Fenerbahçe quando, depois de uma goleada sobre o Al Ittihad, José Mourinho relembrou Eusébio e a Eusébio Cup.
«Quer um segredo? A primeira Eusébio Cup [2008] foi o Inter Milão que a ganhou, mas a Taça está na minha casa. Pedi ao presidente do Inter. Para mim tem um significado diferente do que para ao Inter. Para eles era só uma taça de pré-temporada. Para mim era a Taça do Rei e está na minha casa. Guardo-a com carinho, mas se a Dona Flora [viúva] me pedisse ou algum dos netos ou netas do Senhor Eusébio ma pedisse, eu dava», confessou José Mourinho, relembrando o maior ídolo do benfiquismo.
Dias depois, José Mourinho teve a possibilidade de vencer novamente a Eusébio Cup, mas o Fenerbahçe perdeu com o Benfica. Um mês depois, o cenário repetiu-se e a eliminação dos turcos da Champions League ditou o final do percurso do Special One por Istambul. Em menos de um mês, o técnico já estava de novo em Portugal, para liderar os caminhos do clube de Eusébio e, agora, de José Mourinho.
A vida dá voltas e as voltas da vida trazem mais uma curiosidade ao longo legado do atual treinador do Benfica. Além da primeira e da última edição, o técnico disputou a prova por uma terceira ocasião, sempre como adversário encarnado. Em 2012, José Mourinho perdeu a Eusébio Cup e foi goleado por 5-2. Na altura, o treinador orientava o… Real Madrid.
Uma goleada do Benfica ao Real Madrid


Não é inédito ver resultados avolumados em jogos entre o Benfica e o Real Madrid. Em 1962 as águias venceram a Taça dos Campeões Europeus com uma vitória sobre os merengues por 5-3 na final; em 1965, uma goleada na Luz por 5-1 abriu caminho à eliminação dos espanhóis na mesma prova; mais recentemente, em janeiro, Anatoliy Trubin marcou o golo do 4-2 que permitiu novo reencontro entre Benfica e Real Madrid na Champions League.
Longe dos jogos oficiais, em 2012 também houve espaço a um jogo com golos para lá dos dedos de uma mão e com uma goleada. Na Eusébio Cup, o Benfica de Jorge Jesus venceu o Real Madrid de José Mourinho por 5-2.
Javi García (4’) adiantou o Benfica na partida, mas José María Callejón (18’ e 20’) deu a volta ao marcador. Quando muitos podiam perspetivar um encontro a complicar-se, as águias responderam e o jogo só terminou em goleada. Axel Witsel (22’), Enzo Pérez (53’ e 85’) e Carlos Martins (58’) construíram um triunfo claro sobre as águias.
A competição abriu, de forma não oficial, uma época 2012/13 de quases para as duas equipas. O Benfica viu o FC Porto de Kelvin conquistar o campeonato em circunstâncias inéditas e foi finalista vencido na Taça de Portugal e na Europa League. O Real Madrid de José Mourinho perdeu a disputa com o Barcelona de Pep Guardiola na La Liga, perdeu diante dos rivais de Madrid na final da Taça do Rei e caiu diante do Borussia Dortmund nas meias-finais da Champions League. Ficou a Supertaça como consolação para os merengues… e a Eusébio Cup para os encarnados.
Os jogadores que estiveram em campo


Entre nomes mais consagrados, jovens promessas e jogadores que não tiveram uma carreira ao nível do que se adivinhava, estiveram no Estádio da Luz fardos de qualidade e histórias bonitas, curiosas ou marcantes.
No Benfica alinhavam três jogadores vindos do Real Madrid: Ezequiel Garay, Javi García e Javier Saviola (suplente utilizado). No onze titular, juntavam-se a estes, os emblemáticos Luisão e Óscar Cardozo e nomes que tinham feito ou viriam a fazer carreira nos rivais dos merengues, como o ex-Barcelona Nolito ou os futuros colchoneros Nico Gaitán e Axel Witsel. No banco ficou sentado João Cancelo, mas entrou Ola John, por exemplo.
Eis o onze do Benfica: Artur Moraes; Maxi Pereira, Ezequiel Garay, Luisão, Melgarejo; Javi García, Axel Witsel, Carlos Martins; Nico Gaitán, Nolito, Óscar Cardozo.
Eis os suplentes utilizados: Ola John, Alan Kardec, Enzo Pérez, Bruno César, Luisinho, Michel.
Eis os suplentes não utilizados: Paulo Lopes, Bruno Varela, João Cancelo, Miguel Vítor, Roderick, Jardel, Rodrigo Mora, Nélson Oliveira, Hugo Vieira.
No Real Madrid, a qualidade era inegável. Mesmo sem os portugueses Cristiano Ronaldo, Ricardo Carvalho ou Pepe e sem os incontornáveis Sergio Ramos, Marcelo, Luka Modric ou Mesut Ozil, na equipa do Real Madrid, entre o onze e o branco, andavam Kaká, Gonzalo Higuaín ou Karim Benzema. Também Ángel Di María e Fábio Coentrão jogaram naquele que foi o regresso dos dois jogadores ao Estádio da Luz. Neste estádio voltaria a jogar, passados vários anos e com a camisola do rival, Antonio Adán, guarda-redes titular (na ausência de Iker Casillas) e futuro guardião do Sporting.
Eis o onze do Real Madrid: Antonio Adán; Juanfran, Nacho Fernández, Raphael Varane, Iván González; Lassana Diarra, Esteban Granero, Kaká; José María Callejón, Ángel Di María, Gonzalo Higuaín.
Eis os suplentes utilizados: Fábio Coentrão, Karim Benzema, Álvaro Morata, Denis Cheryshev, Álex Fernández, Pedro Mosquera, Lucas Vázquez.
Eis os suplentes não utilizados: Jesús Fernández, Fernando Pacheco, Fabinho, Jorge Casado, David Mateos, José Ríos.



