Olhar tático ao FC Porto x Arouca: o sucesso da pressão dos dragões e a manipulação das referências do Arouca

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O FC Porto regressou ao Estádio do Dragão e venceu o Arouca, por 2-0, na 3.ª jornada da Primeira Liga, protagonizando, frente à equipa de Vasco Seabra, uma das melhores exibições da temporada até ao momento. Do outro lado esteve uma equipa que, neste início de época, tem apresentado ideias claras, variabilidade na construção e qualidade individual para criar problemas aos adversários.

Perante os diferentes mecanismos de construção do Arouca, Francesco Farioli procurou desde cedo condicionar a primeira fase de construção adversária através de um bloco alto em 4-4-2, sustentado por referências HxH em todo o campo. Para evitar que a equipa perdesse as referências individuais perante as diferentes configurações utilizadas pelo Arouca na saída de bola – fosse com Taichi Fukui a lateralizar para a esquerda, Espen Van Ee a baixar para junto dos centrais ou Tiago Esgaio a assumir uma posição mais baixa – o FC Porto procurou pressionar desde a saída de bola da equipa de Vasco Seabra. Os timings de Victor Froholdt e William Gomes na forma como ajustavam as suas referências foram particularmente importantes para o sucesso da pressão portista.

O FC Porto alterou também a orientação da pressão, procurando direcioná-la para o lado esquerdo do Arouca. Pepê pressionava de fora para dentro Ignacio de Arruabarrena, condicionando a saída para José Fontán. Esta alteração acabou por surpreender a equipa de Vasco Seabra, como o próprio treinador referiu em conferência de imprensa. A sair pelo lado esquerdo, o Arouca encontrou muitas dificuldades para construir com qualidade, mesmo quando procurava criar superioridade numérica através da presença de mais um jogador na primeira fase de construção.

Na saída de bola, a equipa procurava projetar os laterais para fixar Zaidu e William Gomes e criar uma situação de 3×2, utilizando Ignacio de Arruabarrena como elemento adicional na construção, juntamente com José Fontán e Javier Sánchez. Taichi Fukui procurava também receber de frente, criando condições para ativar a dinâmica do terceiro homem, apesar da vigilância de Victor Froholdt. Ainda assim, a equipa de Vasco Seabra mostrou muitas dificuldades perante a agressividade defensiva do FC Porto. Nas situações em que procurou recorrer à saída longa, também encontrou dificuldades para ganhar os duelos aéreos, apesar de ter Iván Barbero como referência ofensiva.

Nas combinações curtas, a intenção passava muitas vezes por jogar por fora para depois voltar a entrar por dentro, mas o Arouca foi sendo condicionado pela pressão do FC Porto. Tornou-se também difícil potenciar a qualidade com bola dos jogadores mais ofensivos em corredor central, nomeadamente através das movimentações para dentro de Nais Djaouahra, Alfonso Trezza e Hyun-ju Lee. Nesse sentido, e com uma primeira parte em que o FC Porto conseguiu ter bola durante grande parte do tempo, destacou-se a paciência dos centrais Bednarek e Kiwior para encontrar as melhores soluções e o momento certo para iniciar cada jogada ofensiva.

Do outro lado, o Arouca apresentava referências HxH no meio-campo, enquanto Hyun-ju Lee e Iván Barbero assumiam a primeira linha de pressão em 4-4-2, procurando condicionar Pablo Rosário e os dois centrais do FC Porto. A partir daqui, tornou-se evidente o crescimento da mobilidade e das soluções do FC Porto na construção. Se na temporada passada se falava de uma equipa mais fácil de identificar, sobretudo pela sua rigidez posicional, a realidade é que a equipa técnica de Francesco Farioli tem acrescentado maior mobilidade e diferentes formas de sair em organização ofensiva, com Gabri Veiga a assumir um dos principais papéis.

O médio espanhol teve, uma vez mais, liberdade posicional para construir, lateralizando para a direita ou aparecendo na largura pelo lado esquerdo. Por vezes, estabeleceu trocas posicionais com Zaidu ou procurou criar situações de dupla largura com o lateral nigeriano. Esta mobilidade retirava referências a Espen Van Ee e tornava mais difícil ao Arouca controlar as suas próprias referências de pressão HxH no meio-campo. Outra das soluções utilizadas pelo FC Porto passou pelo alargamento de Gabri Veiga, mas também, em determinados momentos, de Victor Froholdt. Esta dinâmica obrigava o Arouca a aumentar as distâncias entre os seus jogadores e, a partir daí, surgia André Silva a baixar para receber e funcionar como apoio frontal.

Se na primeira parte foi mais difícil para o FC Porto encontrar André Silva nessas condições, na segunda parte os dragões conseguiram fazê-lo com maior frequência, aumentando a capacidade para progredir pelo corredor central. Com os laterais, sobretudo Lebedenko, mais projetados quando o Arouca tinha bola, o FC Porto procurou também aproveitar as transições ofensivas, colocando Pepê e William Gomes em situações de maior preponderância e profundidade.

Apesar disso, na primeira parte foram várias as ocasiões criadas pelos dragões, mas a equipa foi encontrando em Ignacio de Arruabarrena um obstáculo importante. O guarda-redes do Arouca respondeu com intervenções de qualidade, enquanto o FC Porto voltou a revelar alguma falta de eficácia e dificuldades na definição no último terço.

Na segunda parte, com um FC Porto mais agressivo ofensivamente e com os interiores a aparecerem, por vezes, numa linha mais subida, os dragões acabaram por chegar ao golo. A jogada nasceu pelo lado direito, com William Gomes a libertar-se bem e a encontrar Gabri Veiga, que fez o primeiro golo ao minuto 67. Isto depois de o FC Porto já ter visto um golo de Jakub Kiwior ser anulado por posição irregular.

Vasco Seabra foi procurando dar maior frescura à frente de ataque, de forma a manter a intensidade da primeira linha de pressão, com as entradas de Dylan Nandín e Pablo Gozálbez, além de procurar subir o bloco. No entanto, foram os dragões que acabaram por sentenciar a partida através de uma saída desde trás. Pepê assistiu Borja Sainz, que voltou a sair do banco para dilatar a vantagem do FC Porto ao minuto 86, tal como já tinha acontecido frente ao Rio Ave.

O FC Porto volta, assim, a vencer e, perante os perigos que o Arouca poderia criar no pré-jogo, conseguiu antecipá-los através da agressividade ofensiva e defensiva que apresentou durante os 90 minutos. A equipa dos dragões é agora líder isolada da Primeira Liga, com nove pontos conquistados em três jornadas. Do lado do Arouca, é novamente importante destacar a coragem da equipa de Vasco Seabra, a variabilidade que apresenta em organização ofensiva e a qualidade dos seus jogadores. Pela qualidade individual dos jogadores e pelas ideias de Vasco Seabra, o Arouca tem os argumentos necessários para continuar a ser uma das equipas mais interessantes de acompanhar ao longo da temporada.

Rodrigo Lima

Relatório Tático – FC Porto x Arouca

1. Arouca

Organização defensiva

  • Estrutura: 4-4-2 em bloco médio.
  • Primeira linha de pressão: Hynju Lee e Iván Barbero a condicionarem os dois centrais do FC Porto e a fecharem as ligações para Pablo Rosário.
  • Orientação da pressão: pressão ao central do lado da bola, com o segundo avançado a ajustar para fechar a linha de passe para Pablo Rosário, procurando encaminhar a construção do FC Porto para os corredores.
  • Referências individuais: procura de pressão HxH no meio-campo, com Espen Van Ee e Taichi Fukui como referências sobre Gabri Veiga e Victor Froholdt.
  • Controlo interior: Nais Djaouahra e Alfonso Trezza a posicionarem-se mais por dentro, procurando controlar o corredor central e as zonas interiores ocupadas pelos laterais do FC Porto.
  • Controlo de André Silva: a estrutura e as referências individuais permitiram neutralizar, sobretudo na primeira parte, algumas das ligações de André Silva entre linhas.
  • Aumento da pressão: em determinados momentos, Espen Van Ee subiu para pressionar Pablo Rosário, com Javier Sánchez a ajustar a sua posição e a pressão sobre Gabri Veiga.
  • Timings da pressão: quando Van Ee saltava sobre Pablo Rosário, procurava simultaneamente fechar a linha de passe para Gabri Veiga, evitando que a subida do médio criasse uma solução interior livre.

Organização ofensiva

  • Primeira fase: procura de criar superioridade numérica através de uma saída a 3, com Ignacio de Arruabarrena como elemento adicional e José Fontán e Javier Sánchez como centrais.
  • Taichi Fukui: utilização do médio japonês de frente para a construção, procurando participar na dinâmica do terceiro homem, com vigilância de Froholdt (4×3).
  • Fixação dos extremos: projeção dos laterais para fixar Zaidu e William Gomes e criar condições para uma superioridade de 3×2 perante Pepê e André Silva.
  • Estrutura: Na saída de bola através de 1-2-4-4 e diferentes configurações de linha de três durante a construção.
  • Mobilidade dos médios: Fukui e Espen Van Ee com diferentes movimentos para alterar a estrutura da primeira fase, podendo lateralizar, baixar entre os centrais. Ainda a possibilidade do lateral Tiago Esgaio estar mais baixo na mesma linha dos centrais Fontán e Javier Sanchéz.
  • Projeção dos laterais: Lebedenko e Tiago Esgaio a projetados na segunda fase de construção, enquanto Nais Djaouahra e Alfonso Trezza procuravam ocupar zonas mais interiores.
  • Ocupação interior: procura de criar quadrados/losangos com vários jogadores por dentro para aumentar as soluções de progressão.
  • Última linha: perante a pressão orientada do FC Porto, procura de construir através de Fontán ou Fukui e, em determinados momentos, recorrer à bola longa para explorar a capacidade de Iván Barbero no jogo aéreo.
  • Saída pelo lado direito: Javier Sánchez a posicionar-se atrás de Pepê, com Arruabarrena a procurar o passe por cima sobre o extremo brasileiro para ultrapassar a orientação da pressão.
  • Nais Djaouahra: liberdade para alternar entre largura e zonas interiores, embora com maior frequência nos movimentos de fora para dentro.

Comportamentos-chave

  • Laterais projetados: Lebedenko e Tiago Esgaio a subirem ainda na primeira fase, permitindo ao Arouca criar situações de 3×2 ou 4×3, dependendo do posicionamento de Fukui.
  • Javier Sánchez: posicionamento atrás de Pepê para criar uma linha de passe e aumentar as condições para sair pelo corredor direito.
  • Variação da saída a 3: utilização de diferentes jogadores para formar a linha de três – Tiago Esgaio, Taichi Fukui ou Espen Van Ee – procurando alterar as referências HxH do FC Porto.
  • Djaouahra e Trezza por dentro: procura de maior presença no corredor central depois de ultrapassada a primeira linha de pressão.
  • Alternância da pressão: inicialmente Iván Barbero e Hynju Lee e, na segunda parte, Dylan Nandín e Pablo Gozálbez, a alternarem os saltos à pressão sobre Pablo Rosário e o central do FC Porto com bola.

Limitações

  • Saída pelo lado direito: dificuldades em progredir através de Fukui ou Fontán. O Arouca queria beneficiar de uma pressão orientada do FC Porto da direita para a esquerda, mas encontrou uma pressão diferente da esperada, dificultando a saída pelo seu lado esquerdo.
  • Pressão do FC Porto: perante a subida do bloco dos dragões, o Arouca recorreu mais frequentemente à bola longa, mas revelou dificuldades em ganhar os duelos subsequentes.
  • Combinações exteriores: mesmo quando procurou sair através de combinações, a pressão de William Gomes e Froholdt revelou-se rápida e agressiva.
  • Jogo interior: pouca capacidade para potenciar Nais Djaouahra e Hynju Lee em situações de receção e progressão por dentro, devido à forma como o FC Porto ajustava as suas referências.
  • Duelos: dificuldades em contrariar a agressividade defensiva do FC Porto, sobretudo nos duelos aéreos. Iván Barbero e, pontualmente, Trezza eram os jogadores com maior capacidade para competir nestas situações.
  • Bola longa sobre Pepê: a tentativa de colocar Javier Sánchez atrás de Pepê e procurar que Arruabarrena recorresse ao passe aéreo permitia ultrapassar a primeira pressão, mas a trajetória aérea da bola dava tempo ao FC Porto para reajustar as suas referências e reorganizar-se.
  • Transição defensiva: as projeções de Lebedenko e, em alguns momentos, Tiago Esgaio deixaram espaço nos corredores após perda, permitindo ao FC Porto encontrar condições para acelerar em transição ofensiva.

2. FC Porto

Organização defensiva

  • Estrutura: 4-4-2 em bloco alto/médio-alto e 5-4-1 / 5-3-2 em bloco mais baixo, com Pepê a assumir um comportamento híbrido.
  • Pressão HxH: subida do bloco com referências individuais em todo o campo.
  • Adaptação à saída a 3: quando o Arouca construía com três jogadores, William Gomes saltava sobre Fukui quando este lateralizava ou sobre Tiago Esgaio quando este assumia uma posição mais baixa, com Froholdt a ajustar à referência que surgia no meio-campo.
  • Bloco médio/alto: em 4-4-2, Pablo Rosário baixava para a linha defensiva como central direito, Kiwior assumia o corredor esquerdo e Zaidu subia para médio esquerdo.
  • Bloco baixo: Zaidu ajustava como defesa esquerdo numa linha de cinco e Pepê retomava uma posição mais exterior.
  • Pepê no 5-3-2: preocupação inicial em fechar o corredor central e impedir a entrada da bola em Alfonso Trezza.
  • Primeira linha de pressão: orientação da pressão para a esquerda do Arouca, com Pepê e André Silva como referências da primeira linha.
  • Pepê: pressão de fora para dentro sobre Ignacio de Arruabarrena, condicionando a saída pelo lado esquerdo do Arouca.
  • Compactação: manutenção de um bloco curto e compacto, reduzindo os espaços interiores para os jogadores do Arouca que procuravam ocupar essas zonas.
  • Referência individual: Pablo Rosário a acompanhar pontualmente as descidas de Hynju Lee.
  • Ajustamento das referências: timings bem definidos na adaptação às diferentes estruturas do Arouca, permitindo ao FC Porto manter as referências posicionais apesar das constantes alterações na construção adversária.

Organização ofensiva

  • Centrais como pilares: utilização de Kiwior e Bednarek para iniciar a construção e criar as condições necessárias para esperar pelo momento adequado de progressão.
  • Passe longo: utilização frequente dos dois centrais para procurar William Gomes e Pepê nos corredores e na profundidade.
  • Gabri Veiga: liberdade para lateralizar à direita e formar uma saída a três com Kiwior e Bednarek.
  • Froholdt: movimentos horizontais para a meia-direita, procurando arrastar Fukui e libertar espaço no corredor direito para a ligação direta entre central e extremo.
  • Laterais por dentro: utilização dos movimentos interiores dos laterais para libertar espaço exterior e facilitar as ligações diretas entre centrais e extremos do FC Porto.
  • Médios interiores: Gabri Veiga e Froholdt a alargarem e lateralizarem em diferentes momentos, obrigando Fukui e Van Ee a percorrer maiores distâncias para manter as referências individuais.
  • Liberdade de Gabri Veiga: mobilidade para retirar a referência individual de Espen Van Ee e criar diferentes soluções na construção.
  • Trocas posicionais: Gabri Veiga e Zaidu a trocarem posições no corredor esquerdo, com o médio espanhol a dar largura ou a criar situações de dupla largura com o lateral nigeriano.
  • André Silva: descida para zonas de apoio frontal, beneficiando do espaço criado pelo alargamento de Gabri Veiga e Froholdt.

Comportamentos-chave

  • Alargamento dos médios: a largura de Gabri Veiga e Froholdt obrigava o Arouca a ajustar as referências ou a sair do bloco para pressionar nos corredores, aumentando as distâncias de Fukui e Espen Van Ee.
  • André Silva em apoio: o espaço criado pelos movimentos exteriores dos médios permitiu ao avançado baixar e procurar receber entre linhas, sobretudo na segunda parte.
  • Paciência na construção: a pressão do Arouca obrigou o FC Porto a circular entre os centrais à procura do momento adequado para progredir.
  • Evolução durante o jogo: na primeira parte, o Arouca conseguiu limitar mais estas ligações; na segunda, o FC Porto encontrou com maior frequência Bednarek/Kiwior → André Silva.
  • Gabri Veiga: a liberdade posicional criou dúvidas a Nais Djaouahra sobre o momento de saltar à pressão, sobretudo quando o médio espanhol lateralizava para a direita.
  • Transição ofensiva: procura imediata da profundidade através de William Gomes e Pepê após recuperação, explorando a projeção dos laterais do Arouca.
  • Froholdt: movimentos de trás para a frente para aparecer em zonas de cruzamento e atacar a área.
  • Reposicionamentos: quando Gabri Veiga assumia maior liberdade, Zaidu e Froholdt ajustavam as suas posições para manter o equilíbrio estrutural.
  • Froholdt /Zaidu: quando Gabri Veiga alargava, Zaidu procurava ocupar zonas interiores; quando o espanhol lateralizava para a direita, Froholdt ajustava a sua posição para manter a ocupação do meio-campo.

Limitações

  • Definição no último terço: apesar da capacidade para ultrapassar a primeira fase de pressão, o FC Porto revelou dificuldades em transformar algumas oportunidades claras em golo.
  • Aproveitamento das vantagens: em alguns momentos, a equipa conseguiu criar condições favoráveis através dos movimentos interiores/exteriores, mas não conseguiu dar continuidade às vantagens criadas no último terço.

Impacto competitivo

  • Manipulação das referências HxH: os movimentos de Gabri Veiga e Froholdt para zonas exteriores obrigaram o Arouca a tomar decisões sobre as suas referências individuais e criaram maiores distâncias para os médios adversários.
  • Liberdade de Gabri Veiga: a mobilidade do médio espanhol foi um dos principais mecanismos para retirar referências ao Arouca e criar novas linhas de passe.
  • André Silva: o espaço criado no corredor central permitiu ao avançado aparecer mais frequentemente em apoio frontal, sobretudo na segunda parte.
  • Saída de pressão: a paciência de Kiwior e Bednarek, aliada à mobilidade dos médios, permitiu ao FC Porto ultrapassar a primeira linha de pressão.
  • Transição ofensiva: a projeção dos laterais do Arouca criou espaços que o FC Porto procurou explorar rapidamente através de William Gomes e Pepê.
  • Controlo defensivo: os timings de adaptação às diferentes estruturas do Arouca permitiram ao FC Porto manter as referências HxH e limitar a progressão interior adversária.

Rodrigo Lima

BnR na Conferência de Imprensa

Bola na Rede: O Gabri Veiga tem tido mais liberdade posicional esta temporada em organização ofensiva, aparecendo muitas vezes tanto na largura à esquerda e na direita para dar soluções na construção. Gostaria de lhe perguntar de que forma é que o FC Porto tem beneficiado dessa mobilidade do Gabri, tanto na primeira fase de construção como no último terço?

Francesco Farioli: São dinâmicas. Eu gosto, às vezes, de colocar os jogadores numa posição mais calma para receber a bola, mas, obviamente, é normal que, em determinados momentos, para estar ou entrar no jogo, tenhamos de ir à volta para tocar na bola, e o Gabri fez isso muito bem. O que foi mais importante foi a adaptação dos outros jogadores para compensar essa possibilidade, para ele conseguir entrar no jogo e tocar na bola. Acho que, na primeira parte, e devido à organização do Arouca, ao intervalo tínhamos 64 ou 65 passes dos dois centrais, e o terceiro jogador com mais passes teve 20. Foi um jogo em que tivemos de ter demasiada paciência para ter as condições certas para atacar e acho que foi um jogo que manuseámos bem para ganhar, especialmente nessa calma, nessa paciência e depois nessa agressividade que tivemos nos metros para atacar. O apoio dos adeptos também foi importante para termos esses momentos de calma e momentos em que o jogo ficou mais decisivo e em que o jogo ficou decidido.

Bola na Rede: Por volta dos 60 minutos, o mister substituiu os dois jogadores da frente, o Barbero e o Lee. Pergunto-lhe se essas alterações se deveram sobretudo ao desgaste provocado pela primeira fase de pressão, pela necessidade de controlar o Pablo Rosário e os dois centrais do FC Porto? Por outro lado, temos visto também o Arouca apresentar várias soluções na primeira fase de construção, com o Fukui a lateralizar, o Espen Van Ee a aparecer muitas vezes entre os centrais e, noutras situações, a equipa a construir a três, com o lateral a ficar mais baixo. Gostaria de lhe pergunta qual é a importância de ter jogadores com esta qualidade com bola para criar diferentes alternativas nesta primeira fase?

Vasco Seabra: Nós tentámos alterar o Dylan e o Pablo Gozalbez pelo Lee e pelo Barbero, e isso teve a ver com aumentarmos a nossa frescura física em termos daquilo que é a nossa capacidade de pressionar e de impedir que a primeira fase do FC Porto pudesse empurrar-nos para trás. A verdade é que o Barbero e o Lee fizeram um trabalho excelente, mas também sentimos que tanto o Dylan como o Pablo, principalmente o Pablo, pela facilidade que tem em ter receções boas entrelinhas, têm normalmente uma capacidade muito grande, num curto espaço do terreno, para ter receções orientadas que tiram jogadores da frente e nos fazem progredir no terreno. O Lee é um jogador mais de transporte e condução e não estava a conseguir tanto essa mesma condição para quebrar as linhas, e nós quisemos ir mais pelas ligações, para descobrir o espaço entrelinhas pelo Pablo, que depois nos pudesse abrir o campo e chegar um pouco mais à frente. Em relação àquilo que é a mobilidade e a qualidade dos nossos jogadores, é verdade que o tipo de jogadores e o perfil que procuramos é para que nos possa dar precisamente esse tipo de soluções. O Lebedenko e o Mário, que foram contratados agora, têm essa possibilidade de jogarem mais alto ou mais baixo, a construir por dentro. Temos a possibilidade de todos os nossos médios terem muita mobilidade e qualidade para jogar dentro ou fora do bloco e, portanto, nós, em termos de modelo de jogo, apesar de ser uma coisa que eu goste que a minha equipa tenha capacidade para fazer, a verdade é que vamos tentando também potenciar as características deles para lhes dar conforto dentro daquilo que é uma ideia global.

Rodrigo Lima
Rodrigo Limahttp://www.bolanarede.pt
Rodrigo é licenciado em Ciências da Comunicação e está a frequentar o mestrado em Gestão do Desporto. Trabalha na área do jornalismo desportivo, com particular interesse pela análise de futebol.

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