Paulo Gomes analisa evolução do futebol na Arábia Saudita: «As equipas pequenas precisam de mais apoio para que a Liga Saudita possa efetivamente crescer»

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Paulo Gomes concedeu uma entrevista ao Bola na Rede, onde abordou a evolução do futebol na Arábia Saudita e o investimento feito nos últimos anos.

Em entrevista ao Bola na Rede, Paulo Gomes comentou a evolução do futebol na Arábia Saudita. O treinador de 50 anos, que orientou o Najran SC, Al Khaleej e Al Jabalain entre 2019 e 2023, deixou vários apontamentos sobre o crescimento e a organização das ligas profissionais sauditas:

«Quando cheguei à Arábia Saudita em 2019, já existia um fosso entre os pequenos e os grandes clubes, como em qualquer país. Os principais clubes, como Al Ittihad, Al Nassr, Al Hilal, Al Ahli, Al Shabab, disputavam os primeiros lugares. Os outros clubes tinham condições muito semelhantes, tanto na 1ª como na 2ª liga. O governo montou infraestruturas para os clubes, mas as condições são basicamente as mesmas para todos: cidade desportiva, estádio municipal, etc. O que mudou claramente foi a entrada do PIF, que começou a controlar os maiores clubes e aumentar o investimento. Ainda existem problemas, como salários em atraso. Também não concordo com aquela ideia de que a liga da Arábia Saudita é uma das melhores do mundo. Ainda assim, a visão ‘2030’ do Príncipe está a valorizar significativamente o país e a abrir portas para o Ocidente, utilizando o desporto, nomeadamente o futebol, como uma das principais ferramentas para essa transformação. No entanto, as equipas pequenas precisam de mais apoio para que a liga possa efetivamente crescer e competir num patamar semelhante a uma Premier League por exemplo, onde equipas médias conseguem competir com as grandes. Hoje, clubes que sobem da 2ª liga ainda enfrentam muitas lacunas, como questões de infraestruturas e financeiras. O Al Khaleej, por exemplo, não tinha ginásio, o campo de treinos também não tinha as melhores condições. Com a subida de divisão e novos jogadores, essas condições melhoraram, mas as diferenças financeiras e estruturais continuam a ser um desafio, já que o Estado é quem financia grande parte e acaba por canalizar menos apoio para os clubes menores».

Paulo Gomes analisou ainda a próxima temporada nos campeonatos árabes:

«Analisando a primeira e a segunda liga da Arábia Saudita, é notório que hoje atraem muitos mais nomes de peso do que há cinco anos. O maior boom aconteceu quando o Cristiano Ronaldo assinou pelo Al Nassr, há cerca de três temporadas. Na segunda liga, por exemplo, houve uma fase em que só eram permitidos três estrangeiros, depois aumentaram para cinco e, na última época, chegou a haver seis estrangeiros, penso eu. Agora, a regra vai voltar a reduzir esse número para três novamente. Quando diminuis a qualidade e quantidade dos estrangeiros, automaticamente a qualidade e competitividade da liga baixam, mas também o investimento financeiro. Por isso, acredito que, especialmente na segunda liga, haverá uma queda na qualidade técnica, embora tenho a ideia de que a competitividade se mantenha elevada. Quanto à Primeira Liga da Árabia Saudita, penso que o nível se manterá, mas fica a questão se terão capacidade para desenvolver as equipas mais pequenas, de modo a tornar a liga mais competitiva como um todo. Um ponto fundamental para mim é que as condições salariais sejam cumpridas. Não pode existir uma liga profissional onde, por exemplo, um médico da equipa não viaja na última jornada porque os salários estão em atraso e a equipa desce de divisão. Isso simplesmente não acontece nas melhores ligas do mundo. Portanto, não podemos afirmar que a Arábia Saudita seja atualmente uma das melhores ligas do mundo».

Podes ler a entrevista completa a Paulo Gomes.

Rodrigo Lima
Rodrigo Limahttp://www.bolanarede.pt
Rodrigo é licenciado em Ciências da Comunicação e está a frequentar o mestrado em Gestão do Desporto. Trabalha na área do jornalismo desportivo, com particular interesse pela análise de futebol.

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