Reinaldo Teixeira admite mudanças no futebol português e na janela de transferências

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Um ano depois de assumir a presidência da Liga Portugal, Reinaldo Teixeira escreveu um artigo de opinião sobre as mudanças que estão para vir no futebol português.

Reinaldo Teixeira concluiu o seu primeiro ano na liderança da Liga Portugal. Em celebração da data especial, o presidente escreveu um artigo de opinião para A Bola, no qual revelou uma série de detalhes sobre as mudanças que estão a ser planeadas no futebol português, começando pela questão da centralização dos direitos televisivos.

«No capítulo da centralização, desenhámos, de raiz, o seu modelo de comercialização e uma chave de repartição. O primeiro foi apresentado à Autoridade da Concorrência com quase um ano de antecipação ao prazo-limite. Após período de ajustes técnicos, juntamente com o regulador, que tem demonstrado profissionalismo e eficiência exemplares, será validado pelas sociedades desportivas, exclusivas proprietárias desses direitos, seguindo-se submissão formal, em conjunto com a FPF, com quem reunimos regularmente sobre este propósito e à qual tem sido fornecida toda a informação. Segue-se a votação da chave de distribuição das receitas e estou convicto de que os emblemas saberão estar à altura do momento, avançando para um primeiro ciclo de venda centralizada, com início em 2028/29. Tendo em conta sete manifestações de interesse reveladas por operadores nacionais e internacionais, o leilão será concorrido e o mercado maximizará o valor global. É fundamental realçar, em todo este processo, a colaboração de todos os emblemas profissionais»

A criação do novo programa «Liga+» foi também anunciada:

«Mas mal andaríamos todos se pensássemos que, por si só, a centralização resolve todos os problemas do futebol. Por isso não ser verdade, a Direção Executiva do organismo fará avançar o programa Liga+. Trata-se de um conjunto de iniciativas estratégicas orientadas para o reforço do ecossistema do futebol profissional português, assentes na captação de capital. Este programa constituir-se-á como um motor determinante para a valorização dos direitos audiovisuais e para o incremento do valor global do produto das sociedades desportivas. A implementação do Liga+ transformará o organismo num verdadeiro facilitador ao serviço das sociedades desportivas, disponibilizando recursos departamentais e competências variadas aos nossos associados».

De seguida, abordou a ‘democratização’ da Taça da Liga:

«A “democratização” da Allianz Cup/Taça da Liga é outro exemplo de medidas em curso, com a proposta de a alargar, a partir de 2027/28, a todas as sociedades desportivas, ao encontro da pretensão das que não têm o calendário tão ocupado quanto as que estão envolvidas em competições internacionais, e sem perder a tradicional “final four”».

Relativamente à posição no top-6 do Ranking UEFA, Reinaldo Teixeira escreveu:

«Por esta via, cumpriremos com outro objetivo: o da capacitação em contexto internacional, tudo sob a égide do desígnio Meta 2028. A excelente campanha das equipas portuguesas nas “eurotaças” antecipou a chegada ao Top 6 do Ranking UEFA. Porém, importa gerar competitividade aos emblemas com menor participação europeia. Para isso, e para consolidar a posição que nos garante seis equipas nas competições europeias, é preciso que todas tenham mais jogos, melhores índices físicos e mais rotatividade do plantel. Para tal, temos todos de melhorar: a gestão, a disciplina e os vários comportamentos em campo e fora dele, o serviço de arbitragem que é prestado ao futebol profissional e, reciprocamente, o respeito que o árbitro merece pelo seu trabalho. Respeito que queremos reforçar em regulamento».

O presidente falou também sobre as possíveis alterações no mercado de transferências:

«No imediato, a Liga Portugal está comprometida com ajustar, corrigir e melhorar tudo o que tem que ver com o seu “core”: as competições e os seus protagonistas. Nesse rumo, encontramo-nos a estudar a possibilidade de estender as janelas de transferências para evitar saídas dos planteis em momentos que impossibilitam reação no mercado».

Abriu ainda portas às bebidas de baixo teor alcoólico nos estádios:

«Neste primeiro ano também avançámos em dossiês de verdadeiro interesse das sociedades desportivas, como a redução do IVA na bilhética para os seis por cento, obrigando-nos a reuniões com todos os grupos parlamentares e com o Governo, e a introdução do consumo de bebidas de baixo teor alcoólico nos estádios. Neste caso, e em articulação com as autoridades de Segurança Pública e com os municípios, avançaremos em breve para jogos-piloto, contando que vários regulamentos de segurança dos estádios já foram alterados. O Futebol Profissional português é uma indústria que emprega diretamente mais de seis mil pessoas, com receitas na ordem dos 1.000 milhões de euros, contributo para o PIB de 956 milhões, que paga quase 300 milhões em impostos, que leva aos estádios mais de quatro milhões de pessoas e que, semanalmente, é apreciada por mais de milhão e meio de espetadores. São bons números, refletidos pelos exercícios de gestão da época anterior de todas as sociedades desportivas, cuja força em crescendo nos torna, enquanto Liga Portugal, também mais fortes. E se avançámos como o tenho descrito, isso se deve ao sentido de responsabilidade e colaboração dos 33 emblemas, sem exceção».

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