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Relatório Tático: FC Porto x Manchester City | 1.ª jornada da fase de liga da Champions League

Rodrigo Lima · 15 min

Bouaddi e André Silva
Foto: Pedro Barrelas / Bola na Rede

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O FC Porto perdeu com o Manchester City por 2-0. Fica com o meu relatório tático do encontro da 1.ª jornada da fase de liga da Champions League.

O Manchester City venceu o FC Porto por 2-0, na 1.ª jornada da fase de liga da Champions League. Segue o meu relatório tático dedicado à análise do encontro, com foco na identificação dos principais comportamentos coletivos e individuais apresentados por ambas as equipas ao longo do jogo.

Relatório Tático – FC Porto x Manchester City

Manchester City

Organização ofensiva / Transição ofensiva

  • Primeira fase de construção: o Manchester City iniciava a saída com uma linha defensiva de quatro jogadores, acompanhada por Enzo Fernández e Bouaddi como dupla de médios. Em determinados momentos, Enzo Fernández baixava para junto da linha defensiva quando a bola entrava num dos centrais, enquanto Bouaddi se libertava e assumia uma posição mais adiantada (uma das dinâmicas de saída de bola).
  • Estrutura em posse instalada: já no meio-campo adversário, o Manchester City podia organizar-se com uma primeira linha de três, com Gvardiol a assumir uma posição mais baixa junto de Rúben Dias e Marc Guéhi, enquanto Matheus Nunes se projetava e dava largura no corredor direito.
  • Variação da saída: utilização de diferentes estruturas para criar superioridade na primeira fase, incluindo momentos em que Bouaddi baixava para formar uma linha de quatro e oferecer superioridade numérica perante a pressão do FC Porto.
  • Losango interior: com o regresso de Phil Foden ao onze inicial, o Manchester City utilizou uma estrutura próxima de um losango no meio-campo, com Bouaddi como médio mais baixo, Enzo Fernández e Phil Foden como interiores e Rayan Cherki no vértice mais adiantado, procurando aumentar a presença entrelinhas e as possibilidades de combinação pelo corredor central.
  • Lateralização de Enzo Fernández: uma das dinâmicas mais importantes do Manchester City passava pela lateralização frequente de Enzo Fernández para o corredor esquerdo numa segunda fase de construção. O objetivo era criar superioridade posicional nesse setor, atrair um dos médios do FC Porto e, a partir daí, libertar Antoine Semenyo para situações de 1×1 ou abrir espaço interior para jogadores como Rayan Cherki, Phil Foden, Bouaddi e até Erling Haaland baixarem e participarem na ligação.
  • Manipulação das referências: a lateralização de Enzo Fernández obrigava o FC Porto a tomar decisões sobre quem deveria saltar à pressão. Quando Pablo Rosário acompanhava o médio argentino, surgia espaço no corredor central; quando o FC Porto optava por não saltar com Pablo Rosário, e sim com Alberto Costa, o Manchester City procurava rapidamente encontrar Semenyo no exterior.
  • Exploração do 1×1: após criar superioridade posicional no corredor, num ou outro momento que Alberto Costa saltava em Enzo Fernandes, Manchester City procurava libertar Semenyo para atacar Nehuén Pérez no 1×1. A capacidade do extremo para receber com espaço obrigava o central do FC Porto a saltar rapidamente para evitar que a situação se transformasse numa vantagem clara para o Manchester City.
  • Movimentos dos interiores: Enzo Fernández e Phil Foden tinham também liberdade para atacar a última linha através de movimentos de rutura, procurando esticar a linha defensiva do FC Porto ou explorar especificamente o espaço entre central e lateral.
  • Sobrecarga da área: quando conseguia progredir pelos corredores, o Manchester City procurava colocar vários jogadores na área, com Haaland como principal referência aérea e Foden, Cherki, Matheus Nunes e Enzo Fernández a ocuparem diferentes zonas. Alguns jogadores procuravam fixar referências defensivas para libertar espaço para outros atacarem o duelo aéreo (Erling Haaland como referência expressiva).
  • Ataque pelo lado esquerdo: o corredor esquerdo assumiu particular importância, sobretudo pela combinação entre a lateralização de Enzo Fernández e a capacidade de Semenyo para atacar o 1×1. A partir daí, o City procurava acelerar a chegada de vários jogadores à área.
  • Phil Foden e Rayan Cherki: procura frequente de aproximar os dois jogadores entrelinhas, explorando a qualidade técnica de ambos e a capacidade para encontrar linhas de passe através de combinações curtas.
  • Bouaddi como gestor: Bouaddi assumiu importância na gestão dos ritmos de circulação, utilizando a qualidade do passe e a capacidade de interpretar o espaço para encontrar soluções interiores e dar continuidade às posses.
  • Anderson: na fase final da partida, Anderson também assumiu importância na progressão e continuidade das jogadas, sobretudo através dos seus timings para aparecer como solução de passe.
Descrição: O FC Porto procurou igualar a primeira linha de pressão à construção a três do Manchester City, colocando William Gomes e Pepê a pressionar Marc Guéhi e Gvardiol, respetivamente, enquanto centrais exteriores. No entanto, tal como já observado em vários jogos do Manchester City esta época, a utilização do médio defensivo , seja Anderson ou Bouaddi, a baixar para a linha defensiva permitia ao City passar para uma construção a quatro e criar superioridade numérica na primeira fase de construção. A partir dessa superioridade, procuravam posteriormente encontrar soluções pelo corredor central ou progredir através dos corredores laterais.

Organização defensiva / Transição defensiva

  • Estrutura de pressão: o Manchester City procurava pressionar alto numa estrutura próxima de 2-1-4, com Erling Haaland e Phil Foden na primeira linha e Cherki a assumir uma posição de apoio atrás dessa primeira linha de pressão.
  • Orientação de Foden: Phil Foden dividia o espaço entre Martim Fernandes e Jakub Kiwior, procurando simultaneamente fechar a linha de passe para o lateral e condicionar a saída do central do FC Porto.
  • Referências individuais: Rayan Cherki assumia uma referência individual sobre Alan Varela. Quando a bola conseguia entrar em Martim Fernandes, Matheus Nunes podia saltar imediatamente à pressão, enquanto Marc Guéhi ajustava a sua posição em função de Pepê.
  • Pressão sobre Diogo Costa: perante a utilização do guarda-redes do FC Porto como elemento adicional na construção, o Manchester City controlava os timings dos saltos sobre Diogo Costa, evitando sair de forma precipitada e permitir ao FC Porto encontrar o homem livre ou ativar a dinâmica do terceiro homem.
  • Estrutura após instalação do FC Porto: quando o FC Porto se instalava no meio-campo adversário, o Manchester City organizava-se numa estrutura em 4-2-3-1, com Enzo Fernández e Bouaddi como dupla de pivôs.
  • Linha de três na pressão: quando o Manchester City se projetava, deixando apenas a linha de três atrás (Ruben Dias, Marc Guehi e Gvardiol) , ou com uma estrutura de 3+1 através do recuo de Bouaddi, o FC Porto encontrava alguns espaços para transição rápida.
  • Controlo dos apoios frontais: apesar dos espaços concedidos na primeira pressão, Ruben Dias foi determinante na contenção de André Silva, conseguindo ganhar grande parte dos duelos e impedir que o avançado do FC Porto recebesse e jogasse de costas para a baliza com continuidade.

Comportamentos-chave

  • Enzo Fernández: lateralização para o corredor esquerdo como mecanismo de criação de superioridade, atração de referências e explorar o 1×1 de Semenyo.
  • Espaço entre referências: quando Enzo Fernández lateralizava e Pablo Rosário saltava à pressão, surgia espaço no corredor central que poderia ser explorado por Foden, Cherki ou Haaland através de movimentos de aproximação e rutura.
  • Bouaddi: capacidade para alternar entre baixar para formar uma linha de quatro, permanecer como pivô ou projetar-se, criando diferentes possibilidades de saída perante a pressão HxH do FC Porto.
  • Foden e Cherki: aproximação entrelinhas e procura de combinações curtas, tentando aproveitar a qualidade técnica dos dois jogadores para superar a compactação defensiva.
  • Movimentos de rutura: utilização dos interiores para atacar a última linha e explorar o espaço entre central e lateral quando o FC Porto era obrigado a deslocar uma referência para o corredor.
  • Semenyo: exploração imediata do 1×1 sempre que a lateralização de Enzo Fernández atraía Pablo Rosário ou outro jogador do FC Porto para o corredor, mas faltou melhor definição.
  • Haaland: referência central nas situações de cruzamento, procurando atacar os espaços de finalização e beneficiar dos movimentos de fixação realizados pelos restantes jogadores.
  • Mudança do lado de saída: perante a orientação da pressão do FC Porto para a esquerda do Manchester City, a equipa procurava forçar a circulação para o lado contrário, onde podia encontrar o homem livre. Os timings de descida de Enzo Fernández e Bouaddi eram fundamentais para ativar posteriormente a dinâmica do terceiro homem.
Descrição: Já com o Manchester City instalado no meio-campo adversário e com Enzo Fernández a lateralizar para o corredor esquerdo durante a construção, Pablo Rosário saía inicialmente da sua posição para acompanhar a movimentação do médio argentino. Este comportamento, contudo, acabava por abrir espaço no corredor central e aumentar as distâncias entre Pablo Rosário e Gabri Veiga, fazendo com que o bloco perdesse compactação. Perante este cenário, jogadores como Cherki, Foden, Haaland e Bouaddi posicionados em zonas centrais, poderiam explorar esses espaços e criar dificuldades à organização defensiva dos dragões.

Limitações

  • Espaço entre lateral e central: a resposta do FC Porto através dos saltos de Alan Varela a Enzo Fernandez abria, em determinados momentos, um grande espaço entre o lateral e Nehuén Pérez. Apesar de o City ter procurado explorar rapidamente Semenyo nesse setor, existiam também condições para atacar esse espaço através de movimentos interiores de Foden, Cherki ou Haaland.
  • Cherki entrelinhas: perante o bloco muito compacto do FC Porto em 5-4-1 ou 5-2-3, Rayan Cherki teve mais dificuldades para receber entrelinhas. A proximidade entre setores reduziu o espaço disponível para o médio francês receber, virar e combinar com Haaland ou Foden.
  • Exploração insuficiente de algumas vantagens: a meio da primeira parte, quando Alan Varela passou a saltar sobre Enzo Fernández, o espaço criado entre Alberto Costa e Nehuén Pérez poderia ter sido atacado com maior frequência através de movimentos de rutura de Foden, Cherki ou Haaland.
  • Transição defensiva: a projeção do Manchester City e a concentração de vários jogadores no último terço criaram espaços para o FC Porto explorar após recuperação. Os portistas conseguiram encontrar várias situações de transição rápida, sobretudo através de Pepê, William Gomes e Gabri Veiga, beneficiando do espaço disponível para atacar antes de o City conseguir reorganizar-se.

Impacto competitivo

  • Manipulação das referências do FC Porto: a lateralização de Enzo Fernández foi um dos principais mecanismos para alterar a estrutura defensiva portista, obrigando Pablo Rosário, Alberto Costa e Alan Varela a tomar decisões sobre o momento de saltar à pressão.
  • Criação de superioridades exteriores: a partir da atração das referências interiores, o Manchester City procurou libertar Semenyo para o 1×1 e criar condições para chegar à área com vários jogadores.
  • Haaland como referência final: a capacidade para colocar vários jogadores próximos da área, combinada com a presença física de Haaland, permitiu ao City transformar situações de progressão exterior em situações de cruzamento e disputa aérea.
  • Gestão da pressão do FC Porto: a capacidade de Bouaddi e Enzo Fernández para alterar a estrutura da primeira fase permitiu ao Manchester City encontrar diferentes soluções perante a pressão HxH e, em vários momentos, criar um homem livre.
  • Adaptação à compactação portista: perante a dificuldade de encontrar Cherki entrelinhas, o City procurou aumentar a utilização dos corredores.

FC Porto

Organização defensiva / transição defensiva

  • Primeira linha de pressão: Pepê e André Silva assumiam a primeira linha, procurando direcionar a construção do Manchester City para o seu lado esquerdo.
  • Pressão HxH: perante a saída do Manchester City em 4+2, o FC Porto assumia referências individuais a campo inteiro, com Gabri Veiga e Pablo Rosário a ajustarem as suas posições sobre Bouaddi e Enzo Fernández (em 2+4).
  • Estrutura em 5-2-3: numa segunda fase, quando o Manchester City conseguia instalar-se no meio-campo ofensivo, o FC Porto organizava-se em 5-2-3, procurando igualar a primeira linha de construção adversária através de uma situação de 3×3.
  • Referências da primeira linha: André Silva dividia a sua atenção entre Rúben Dias e Bouaddi, enquanto William Gomes pressionava Gvardiol e Pepê assumia Marc Guéhi. A intenção era impedir uma saída limpa através dos três jogadores da primeira linha do City.
  • Exigência sobre William Gomes: a estrutura mais agressiva do FC Porto colocava uma exigência elevada sobre William Gomes. A lateralização de Enzo Fernández para o corredor esquerdo obrigava o extremo portista a estar atento também a essa dinâmica exterior e, caso a bola entrasse em Semenyo, a ajudar Alberto Costa para impedir a criação do 1×1.
  • Primeira resposta a Enzo Fernández: numa primeira fase, Pablo Rosário acompanhava a lateralização de Enzo Fernández, mas esse movimento podia abrir espaço no corredor central para jogadores como Foden e Cherki receberem e atacarem a zona entrelinhas.
  • Alternativa através de Alberto Costa: em determinados momentos, Alberto Costa saltava sobre Enzo Fernández. Contudo, a rápida colocação da bola em Semenyo criava dificuldades ao FC Porto, uma vez que Nehuén Pérez tinha de saltar sobre o extremo ganês a partir de uma distância considerável.
  • Ajustamento de Alan Varela: numa segunda fase e com o FC Porto mais baixo no terreno, Alan Varela passou a assumir maior responsabilidade sobre Enzo Fernández quando este lateralizava. Esta alteração procurava proteger melhor Pablo Rosário e manter maior controlo da zona central.
  • Espaço entre lateral e central: a saída de Alan Varela para Enzo Fernández aumentava, contudo, a distância entre Alberto Costa e Nehuén Pérez, criando um espaço que poderia ser atacado por Foden, Cherki ou Haaland através de movimentos de rutura.
  • Pablo Rosário: Já quando o FC Porto se encontrava em bloco mais alto, pressionando a campo inteiro, Pablo Rosário podia saltar com maior segurança sobre Enzo Fernández quando este lateralizava para o corredor esquerdo.
  • Bloco baixo: quando o FC Porto se organizava em 5-4-1 ou 5-2-3, procurava manter grande proximidade entre linhas para reduzir os espaços interiores. Esta compactação dificultou a influência de Cherki entrelinhas, mas aumentava a importância da gestão dos corredores laterais.
  • Homem livre na construção do City: quando Bouaddi baixava para formar uma linha de quatro, o Manchester City conseguia, em determinados momentos, criar superioridade sobre a primeira linha de pressão do FC Porto e encontrar o homem livre (3×4)
  • Dificuldade no controlo de Haaland: perante a qualidade física e aérea de Erling Haaland, o FC Porto teve dificuldades para controlar o avançado norueguês em situações de cruzamento, sobretudo quando o City conseguia colocar vários jogadores a fixar e a atacar a área.
Descrição: Mais tarde, a equipa começou a ajustar o seu comportamento, com Alan Varela a sair da linha de cinco para acompanhar o movimento do médio argentino. Este movimento, contudo, acabava por abrir um espaço significativo entre Alberto Costa e Nehuén Pérez. Perante isso, Pablo Rosário tinha de sair, em determinados momentos e nos timings adequados, para recompor a linha de cinco, mas também não deixar que a bola entrasse em corredor central para jogadores do Manchester City.

Organização ofensiva / Transição ofensiva

  • Diogo Costa como homem adicional na construção: perante a pressão alta do Manchester City em 2+1+4, o FC Porto utilizava Diogo Costa como elemento adicional na construção. A presença do guarda-redes obrigava o City a controlar os timings da pressão para não permitir a criação de um homem livre.
  • Estrutura de saída: utilização de Alan Varela, Gabri Veiga e Pablo Rosário em posições mais baixas, procurando criar uma primeira fase de construção controlada e separar o setor defensivo do Manchester City do seu setor médio/ofensivo.
  • 3×3 na última linha: utilização de Pepê, André Silva e William Gomes para fixar os três defesas do Manchester City, Marc Guéhi, Rúben Dias e Gvardiol, criando uma separação clara entre a primeira fase de construção e os jogadores mais adiantados.
  • Qualidade da primeira fase: o FC Porto demonstrou capacidade para interpretar distâncias, timings e linhas de passe, procurando constantemente encontrar o homem livre ou ativar a dinâmica do terceiro homem perante a pressão individual do Manchester City.
  • Alberto Costa como solução interior: uma das dinâmicas mais relevantes passava pelo posicionamento de Alberto Costa, partindo da posição de lateral direito para assumir zonas mais interiores e diagonais, funcionando praticamente como um médio adicional e oferecendo uma linha de passe difícil de controlar pelas referências do City.
  • Movimentos de Alberto Costa ou Martim Fernandes: Utilização dos laterais Martim Fernandes e Alberto Costa, em determinados momentos da organização ofensiva, através de movimentos diagonais de rutura na profundidade, procurando atacar as costas da última linha defensiva do Manchester City e criar um fator de surpresa.
  • Apoios frontais: perante a pressão alta do Manchester City, os apoios frontais de André Silva eram importantes para permitir ao FC Porto sair da primeira pressão e ligar com os jogadores exteriores.
  • Dificuldade nos duelos: para que as saídas para o ataque tivessem maior continuidade, era fundamental que André Silva conseguisse ganhar os duelos frente a Rúben Dias e receber de costas para a baliza. O central do Manchester City conseguiu, contudo, controlar grande parte dessas situações.
  • Transições ofensivas: o FC Porto encontrou vários momentos para atacar rapidamente após recuperação, sobretudo através de Pepê, William Gomes, Gabri Veiga e André Silva.
  • Definição no último terço: apesar das oportunidades criadas em transição, faltou maior qualidade na tomada de decisão e na definição das jogadas no último terço.
Descrição: Na saída de bola do FC Porto, perante uma pressão do Manchester City em 2+1+4, o FC Porto procurou utilizar Diogo Costa como elemento adicional na construção, criando uma situação de superioridade na primeira fase. O Manchester City, por sua vez, apresentava timings muito específicos e controlados para saltar na pressão sobre o guarda-redes português. Cherki tinha como referência individual Pablo Rosário, enquanto Phil Foden procurava condicionar a construção pelo lado esquerdo do FC Porto, fechando a linha de passe para Martim Fernandes e, simultaneamente, saltando na pressão sobre Jakub Kiwior.

Comportamentos-chave

  • Pepê e André Silva: orientação da primeira pressão para o lado esquerdo do Manchester City, procurando condicionar a saída e encaminhar a construção para uma zona específica.
  • Pressão HxH: utilização de referências individuais a campo inteiro para limitar o tempo e espaço dos jogadores responsáveis pela construção do Manchester City.
  • 5-2-3 na segunda fase: utilização dos três avançados para igualar numericamente os três jogadores da primeira linha do City, mantendo Gabri Veiga e Pablo Rosário mais próximos dos médios adversários.
  • Diogo Costa: participação ativa na construção como ferramenta para criar superioridade e obrigar o Manchester City a gerir os timings da pressão.
  • Alberto Costa: capacidade para abandonar pontualmente a referência exterior e ocupar zonas interiores/diagonais, funcionando como homem livre ou terceiro homem na construção.
  • Variação da referência sobre Enzo Fernández: utilização de Pablo Rosário numa primeira fase e posterior ajustamento de Alan Varela quando o FC Porto baixou no terreno, procurando responder à lateralização do médio argentino.
  • Compactação defensiva: capacidade para reduzir os espaços interiores através do 5-4-1/5-2-3, dificultando a receção de Cherki e limitando as combinações entrelinhas do Manchester City.
  • Transição ofensiva: procura imediata de Pepê, William Gomes e Gabri Veiga após recuperação, explorando os espaços deixados pelo City quando tinha muitos jogadores projetados.

Limitações

  • Lateralização de Enzo Fernández: a dinâmica do médio argentino criou dúvidas nas referências do FC Porto. Quando Pablo Rosário saltava, abria-se espaço interior; quando Alberto Costa assumia a pressão, surgiam grandes distâncias para controlar Semenyo.
  • Espaço entre lateral e central: a saída de Alan Varela para Enzo Fernández aumentava a distância entre Alberto Costa e Nehuén Pérez, criando uma zona vulnerável à exploração através das roturas de Foden, Cherki ou Haaland.
  • Pressão sobre a construção: quando Bouaddi baixava para formar uma linha de quatro, o FC Porto tinha mais dificuldades para manter a pressão com os três avançados, permitindo ao Manchester City encontrar o homem livre (era importante que André Silva não saltasse em Ruben Dias porque rapidamente conseguiam colocar o Bouaddi de frente para o jogo)
  • Controlo da área: a presença de Haaland e a capacidade do City para colocar vários jogadores na área dificultaram o controlo dos duelos aéreos e da segunda bola.
  • Duelos ofensivos: André Silva raramente conseguiu ganhar os duelos com Rúben Dias, reduzindo a capacidade do FC Porto para utilizar o apoio frontal como mecanismo de saída da pressão.
  • Definição em transição: apesar dos vários contra-ataques encontrados, faltou maior qualidade na decisão no último terço, tanto na escolha do último passe como na execução das situações de finalização.

Rodrigo Lima

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