Rui Mota chegou ao Sporting em 2012/13, a época do 7º lugar: «Mudámos quatro vezes de treinador e a verdade é que a equipa pouco deu para um clube como o Sporting»

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Rui Mota foi o mais recente entrevistado pelo Bola na Rede. O técnico recordou a época 2012/13, onde foi analista no Sporting.

Rui Mota foi o mais recente entrevistado pelo Bola na Rede. Em entrevista, o treinador, atualmente no Waldhof Mannheim da Alemanha, falou sobre a temporada 2012/13, quando chegou ao Sporting, que terminou em 7.º lugar, como analista.

«Eu diria que esses momentos menos positivos são muito importantes também para nós, porque o futebol não é só ganhar, o futebol não são só rosas. Tem muitas fases em que as coisas não correm bem. Entrei para o Sporting nesse ano, tivemos uma série de treinadores diferentes, as coisas não começaram bem e não acabaram bem. Foram tantas as situações, porque isto não é só um fator. Quando as coisas não correm bem, por norma muda-se o treinador. Nessa época mudámos quatro vezes de treinador, foi o Ricardo [Sá Pinto], foi o Oceano, foi o [Franky] Vercauteren e foi o Jesualdo Ferreira e a verdade é que a equipa pouco deu para um clube como o Sporting. Isso dá que pensar. Houve uma onda negativa por não se ter ganho a Taça de Portugal contra a Académica e acho que isso penalizou muito o início do campeonato. Depois, também os problemas financeiros que o Sporting atravessava na altura, e como é óbvio, isso mexe com muita coisa. Há também aspetos do dia-a-dia que nós vemos, sinais que captando. E estar desperto para esses sinais, para essas situações, é importante para que, mais tarde, quando eles apareçam novamente, nós sabermos interpretá-los e sabermos o que fazer. Agora, não há receitas. Cada grupo é um grupo, cada contexto é um contexto, cada problema é um problema. Ali acho que havia um grande número de situações que não foram favoráveis. Mas sim, acho que as coisas negativas que nós passamos nos preparam muito para o futuro. Sobretudo, estar num clube enorme, com uma pressão enorme por parte da massa associativa, e ter que lidar com isso. Como é que nós damos a volta? Só há uma forma, é trabalhar. Trabalhar, acreditar, procurar soluções, não desistir. Acho que isso é fundamental, não só para o futebol, mas para a vida em geral», referiu Rui Mota, que prosseguiu a reflexão.

«Vive-se com muita intensidade, mas é preciso ter essa capacidade, e muito bem o que referiste, que é conseguir abstrair-se um pouco daquilo que está a acontecer e tentar ter um espectro maior para o perceber. Mas nem sempre é fácil. Depois, no futebol, isto muda de forma muito rápida. Tivemos isso e, no ano seguinte, tivemos um ano fantástico, em que houve muita coisa a mudar. Houve a entrada de um novo presidente, de um novo treinador, um plantel muito remodelado, e depois as coisas começaram bem. Às vezes o futebol é a bola entra ou não entra, a bola bate no poste ou não, o jogador mete o passo certo ou errado. São pequenas coisas. Quando às vezes os treinadores dizem os detalhes, é verdade, às vezes são coisas no detalhe. Esse detalhe não foi trabalhado ou não foi pensado? Muitas vezes foi, só que mais uma vez, isto é um jogo. Quando temos um jogo, não só temos as forças da equipa adversária que encontram as nossas, como também há variáveis muito grandes, porque o futebol é muito díspar. Há muitas variáveis que têm influência no resultado do jogo. Agora, como é óbvio, a reflexão é fundamental. Refletir, perceber, interpretar, mas nunca desesperar. Quando as coisas não estão a correr bem acho que não devemos ir contra a parede. Se as coisas não estão a correr bem, alguma coisa não está bem. A gente até acha que a parede é muito bonita, mas se nós não estamos a conseguir, não é ir contra a parede, vamos por outro lado e tentar de outra forma dar estratégias para a melhoria, mas também dar tempo para essa estratégia. Às vezes, no futebol falta tempo. Isto não como crítica, mas como reflexão. Reparem nas equipas que têm os seus treinadores, época após época, se essas equipas porventura não terão mais sucesso. Porquê?», destacou ainda o treinador.

Recorda a entrevista de Rui Mota na íntegra.

Diogo Ribeiro
Diogo Ribeirohttp://www.bolanarede.pt
O Diogo tem formação em Ciências da Comunicação, Jornalismo e 4-4-2 losango. Acredita que nem tudo gira à volta do futebol, mas que o mundo fica muito mais bonito quando a bola começa a girar.

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