Rui Mota foi o mais recente entrevistado pelo Bola na Rede. O técnico estava no Sporting quando Jorge Jesus trocou de lado na Segunda Circular.
Rui Mota foi o mais recente entrevistado pelo Bola na Rede. Em entrevista, o treinador, atualmente no Waldhof Mannheim da Alemanha, falou da mudança de Jorge Jesus, agora na seleção nacional, do Benfica para o Sporting, que testemunhou nos leões, e elogiou o treinador.
«Não, nem lá dentro. Não estávamos à espera, sinceramente. Agora, acho que foi uma jogada de mestre, porque o mister Jorge Jesus tinha feito umas campanhas no Benfica fantásticas. Eu lembro-me de quando ele chegou ao Benfica, de como o clube estava e depois como ele pôs a equipa a funcionar. E depois, não é só o ganhar, é a forma como ele ganhava. Ficámos todos admirados. Não se previa que ele o fizesse, mas a verdade é que ele tem um impacto muito grande também quando chega. Alterou uma série de situações para valorizar os jogadores e a própria estrutura. Lembro-me, por exemplo, que quando chega, uma das coisas que ele fez logo foi criar um ambiente balneário mais apelativo aos jogadores. Mudou coisas no estádio. Ele também vinha de uma máquina que já estava assim. Ele trouxe esse know-how e a experiência dele para dentro do Sporting. O Sporting cresceu muito nesse aspeto. Do meu ponto de vista, foi também mais um marco muito importante naquilo que foi o meu crescimento. Com ele, com a equipa técnica dele, pessoas muito válidas, muito experientes, e que, sinceramente, abriram-me completamente o livro, vamos assim dizer. Foi uma época em que é pena não termos conquistado aquele campeonato, porque, sinceramente, era uma equipa que jogava. A tal situação que nós falávamos há bocado, dos jogadores gostarem de jogar aquilo. Nós próprios tínhamos gozo e prazer em ver a equipa jogar. Era espetacular. E os jogadores sentiam-se», elogiou Rui Mota, que prosseguiu com palavras de admiração.
«Ele é tudo. Ele é tudo. Ele é aquela força que eu admiro muito, aquela forma de ele estar na vida, a forma como ele acredita nele próprio, na forma como ele trabalha, no detalhe que ele tem com o jogador. Às vezes, por algumas situações que nós vamos vendo no dia-a-dia, na comunicação social, fala-se muito da comunicação dele. A comunicação dele é excelente. Para os jogadores, é excelente. Ele consegue meter na cabeça do jogador a ideia que ele quer ao pormenor, de uma forma que o jogador vai mesmo contra a parede [risos]. Vai, vai, vai. Ele consegue incutir no jogador, tem muito bem na sua mente pensado o modelo de jogo, o processo de treino e como chegar a esse modelo de jogo através do processo de treino. Sinceramente, foi um treinador que me enriqueceu muito na passagem da ideia do treinador para grupo. Não quer dizer que os outros não tivessem, porque têm, cada um à sua maneira. Para mim, eles são três treinadores de nível muito elevado, do qual eu me sinto muito orgulhoso de ter trabalhado com eles, aprendido com eles e vivenciado o dia-a-dia com eles. Mas o Jorge Jesus, nesse aspeto, tem uma característica muito forte. Por isso é que ele, por onde passa, vai conquistando títulos. Se não ganha títulos, está lá muito perto de os fazer. Acho que é um treinador que marca também o nosso futebol», considerou o técnico.
Recorda a entrevista de Rui Mota na íntegra.

