Vinícius Júnior é um dos destaques mundiais na luta contra o racismo. A jornalista Tati Mantovani enquadra o extremo brasileiro neste cenário.
Nos últimos anos, foram várias as vezes que Vinícius Júnior assumiu o papel da frente na luta contra o racismo e na denúncia de insultos. A última, uma das mais mediáticas, aconteceu na Luz e envolveu Gianluca Prestianni.
O assunto correu mundo e, de acordo com Tati Mantovani, jornalista brasileira da TNT Sports foi uma de mais de duas dezenas de denúncias feitas por Vinícius Júnior nos últimos 1.000 dias. Ao Bola na Rede, a compatriota de Vini dá a sua visão sobre o papel do extremo na luta contra o racismo.
«O Vini é um jogador que fez a Espanha olhar-se ao espelho há três anos atrás quando começaram as denúncias mais ativas dos casos de racismo que sofreu em, se não me engano, 10 estádios diferentes. São mais de 20 denúncias somadas em três anos. Por isso ele sofre mais, por ter denunciado. Antes do Vinícius, isso não existia. De outros jogadores que sofreram racismo noutras décadas, que nem podemos julgar porque a sociedade estava num momento diferente, o Vinícius é o primeiro que, de forma ativa, denuncia e faz com que o sistema se movimente para denunciar tanto o clube como as competições nas quais ele é vítima de racismo. É complicado até dizer como ele é visto, porque a gente só vai entender o tamanho do que o Vinícius fez nesses anos daqui a uma década. Quando as coisas estão a acontecer, muitos vestem a camisa e não conseguem ver da mesma forma. Foi um passo muito importante que ele deu nestes últimos anos», destacou Tati Mantovani.
Quanto às celebrações do brasileiro, muito efusivas e com as danças a ser habituais, Tati Mantovani reforçou a forma como a cultura brasileira está retratada nestas.
«O brasileiro comemora absolutamente tudo cantando, dançando e sendo feliz. Para nós, a dança é uma forma de celebração e de comemoração. Que se utilize isso para justificar um ato de racismo é baixo e é vil e eu não consigo entender. Eu sou uma pessoa que não sei dançar e, mesmo assim, quando acontece uma coisa boa na minha vida eu danço, mesmo não sabendo. O Vinícius sabe, então ainda pior. É algo normal que já vimos inúmeras vezes, inclusive em jogadores como o Cristiano Ronaldo. Já dançou para comemorar golos. Que se utilize a dança para justificar um ato racista torna ainda pior o que a gente sente no Brasil», lamentou a jornalista.
Quanto aos anticorpos que Vinícius Júnior criou em Espanha e no mundo, Tati Mantovani reforça a dificuldade que ter voz pode ter neste aspeto.
«Quando alguém se torna a voz de quem não tem voz numa sociedade e num mundo, no geral, que não quer aceitar que aquela pessoa tem o direito de se posicionar quando é ela que está a sofrer, geralmente acaba por ser alvo de quem não acredita que o mundo tem de progredir e evoluir. Eu acho que o Vini é um desses casos», concluiu a jornalista brasileira.
O Real Madrid x Benfica joga-se esta quarta-feira, dia 25 de fevereiro, a partir das 20h. Na primeira mão, os merengues venceram por 1-0.



