À conquista do Mundo – Entrevista a André Fialho

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André Fialho prepara-se para combater este sábado no cartaz principal daquela que é a segunda maior organização de MMA do mundo: a Bellator. Apesar de ser algo só por si já espantoso, ganha outras proporções quando se sabe que André se estreou no desporto apenas em 2014, após ter sido campeão nacional de Boxe no ano anterior. “Apaixonei-me um bocado pelo desporto e comecei a levar aquilo a sério. Na altura ainda estava na escola, mas decidi levar aquilo a 100%. Queria ser o melhor do mundo e decidi que não podia fazer as duas coisas”, diz André quando lhe perguntei pelo seu percurso até então.

A jornada de André Fialho fez-se de decisões difíceis e abdicações: deixou a escola para treinar, deixou a Nóbrega Team por razões que, segundo André, “não vale a pena pôr em público”, e deixou Portugal para ir para a América em busca do sonho. Concorreu no The Ultimate Fighter, mas não ficou:

“Tinha um recorde de 6-0, 21 anos – só podes entrar para a casa com 21, fiz dia 7 de Abril e aquilo foi a 25 de Abril – e ainda por cima era europeu. Não tinham lá nenhum português de certeza… Perguntaram-me qual era o meu forte e eu disse que era Boxe, mas nem me viram fazer nada… Só grappling! Aquilo é um minuto e meio de “submission”, se passares fazes um minuto e meio de striking e depois tens uma entrevista. Eu fiz o minuto e meio de grappling e não passei sequer para mostrer o meu striking. E dominei o outro. Não fiz nada de doido, mas dominei o outro. Eles não me deram uma oportunidade. Fiquei irritado, claro. Fiz um minuto e meio de grappling e mandam-me embora”.

A oportunidade surgiu noutro lado, e essas, diz André, vai “agarrá-las todinhas”. Foi para a AKA, academia que conta com lutadores como Luke Rockhold e Daniel Cormier, ambos campeões na UFC, Cain Velasquez, ex-campeão da UFC, e Khabib Nurmagomedov. Apesar de estes serem os nomes mais sonantes, André garante que “o nível é muito alto e qualquer um é bom”. Marcou hotel para poucos dias, fez alguns treinos e captou a atenção de Javier Mendez, fundador da academia de San José, Califórnia. No último dia de hotel, Scott Coker, o Presidente da Bellator, foi vê-lo fazer sparring e achou que tinha potencial. Quando lhe disseram que ia assinar, André ligou para casa: “pai, já não volto”, disse. O futuro estava na América.

André Fialho (à direita) na AKA  Fonte: Facebook André Fialho
André Fialho (à direita) na AKA
Fonte: Facebook de André Fialho

Os primeiros tempos não foram fáceis. Quando lhe perguntei como estava a ser viver nos Estados Unidos da América, André foi rápido em dizer que “não tem nada a ver com Portugal”. Portugal, continuou Fialho, “é um paraíso do caraças. A comida é ótima, a gente é gira… E a água, sinto falta da água”. Tem-se habituado e cada vez gosta mais de onde vive, mas fácil não foi: chegou a ter de alugar quartos a uma hora e meia do ginásio até conseguir arranjar a sua própria casa. “Não há nada como ter o teu canto”, disse.

Gonçalo Caseiro
Gonçalo Caseirohttp://www.bolanarede.pt
Entusiasta de MMA e futebol, o Gonçalo apoia fervorosamente o Benfica e a ideia de que desportos de combate não são apenas socos e pontapés.                                                                                                                                                 O Gonçalo não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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