«A minha maior mágoa foi não ficar no FC Porto» – Entrevista BnR com Cláudio Pitbull

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-As mágoas da carreia e o futuro nas… apostas-

«Ser treinador? É impossível. Não tenho perfil para isso»

Bola na Rede: Com a carreira terminada, sentiste-te traído pelo futebol? Por todas as questões diretivas com que tiveste de lidar?

Cláudio Pitbull: A que mais senti foi a do FC Porto. O facto de ter muito carinho pelo clube, me sentir bem, onde fiquei com a minha família e os meus pais quase 15 anos, foi uma das coisas com que tenho mágoa. Não do clube, mas da forma como algumas pessoas trataram da minha situação. Quero deixar bem claro que não é nada com o Pinto da Costa, que é uma pessoa que sempre me tratou bem, mas são questões internas. O meu sonho era jogar no FC Porto porque, até hoje, há portistas que me seguem nas redes sociais e dizem que eu tinha o ADN do FC Porto, mas não joguei e é a coisa que mais me incomoda.

Bola na Rede: Depois de terminares a carreira, o que pensaste em fazer?

Cláudio Pitbull: Esse é o grande problema, é que não sabemos o que fazer. Pensamos em muitas coisas e acaba por não fazer nada. Aconteceu eu ter alguns projetos, quer aí em Portugal, quer no Brasil, abrir restaurantes… Só que acaba por não ir para a frente porque temos dúvidas e resolvi entrar neste projeto. Não podia apostar porque jogava, mas era uma coisa que sempre me chamou a atenção como algo que entendo, que vivi praticamente a minha vida toda e que gosto de fazer.

Bola na Rede: Quem falou contigo para montares esse negócio?

Cláudio Pitbull: Isto já vinha de uma ideia minha, de poder-me aperfeiçoar no mercado. Quando paras, a grande dificuldade é só saberes jogar futebol. Ficamos sem rumo, não sabemos o que se vai fazer. Nesse tempo, tive uma conversa com um pessoal e disseram «porque não entras nesse meio? Podes ser um pioneiro, ires desde jogador até ao mundo das apostas». Cheguei a fazer um curso e tomei gosto nisto.

Bola na Rede: Quais são as tuas ideias diferentes nesta área? Como jogador, como olhas para as apostas?

Cláudio Pitbull: Posso passar muitas coisas para o pessoal das apostas não tenha, coisas vividas dentro de campo, situações que podem acontecer devido a ter estado muito tempo lá dentro. Mas não é só por ter sido jogador que vou fazer lucros. Vou ter de estudar, ver a probabilidade, ver tudo. Isso motivou-me para o projeto e saber juntar o que sei com os estudos para encontrar um denominador comum para ter resultados. Digo-te que 96% do pessoal das apostas perde, só 4% ganha. Há muitos aldrabões aí, que dizem que apostam 500 e ficam com 2 mil no final do mês. É tudo mentira.

As camisolas de alguns dos clubes que Cláudio Pitbull representou, expostas no escritório do antigo jogador brasileiro

Bola na Rede: Não posso deixar de olhar para as camisolas que tens na parede. Essa do FC Porto, é a do teu primeiro jogo?

Cláudio Pitbull: Eu mostro-te: tenho a do Vitória FC, da final da Taça da Liga, a do Rapid Bucareste, da Roménia, a do FC Porto é a da estreia no campeonato português. Tenho a do Manisaspor, da Turquia, e estas quatro: a do Grêmio, a do Santos FC, do Bahia e a do Fluminense. Ainda faltam algumas, mas já não tenho espaço. Faltam a do Gil Vicente FC, a do CS Marítimo, clubes que sei que as pessoas vão ficar chateadas, mas não posso colocar todas.

Bola na Rede: Desses clubes todos, qual é que te marcou mais?

Cláudio Pitbull: Pela história foi o Vitória FC. Pelo facto de me identificar com o pessoal da cidade, ser muito bem tratado lá, poder retribuir o carinho dentro de campo e conseguir títulos.

Bola na Rede: Algum que não fizesses questão de ter a camisola?

Cláudio Pitbull: Não, não. O único clube que fiquei chateado mesmo foi o Gil Vicente FC, pelo facto de não poder jogar. Não porque não quis, em condições normais jogaria muito. Só que as pessoas às vezes pensam que inventamos lesões, que não estamos lesionados e eu tive um problema delicado de joelho e não conseguia jogar.

Cláudio Pitbull no estádio do PSG com Thiago Silva, ex-colega de equipa no Fluminense

Bola na Rede: Nunca pensaste ser treinador?

Cláudio Pitbull:[risos] Nem pensar…

Bola na Rede: Porquê?

Cláudio Pitbull: Pensa bem. Estou quase a fazer 40 [anos] e tenho esta cara. Se for treinador, em três anos fico cheio de cabelos brancos. É impossível, não tenho perfil para isso. É preciso gostar dessa área, mas pensa comigo: tens de controlar um balneário com 25 jogadores, os 11 que jogam vão estar felizes, vão estar sete ou oito no banco, que vão ficar brabos e os que não são convocados? É uma situação em que tem de se ter o perfil e gostar daquilo. É uma coisa que nunca me agradou e nem perto me passa isso.

Bola na Rede: Com essa tua ideia sobre ser treinador, ficavas com compaixão quando eles tinham de lidar com os teus problemas?

Cláudio Pitbull: Com certeza. É que o jogador reclama muito. Se joga 60 minutos e é substituído, reclama. O que entra 30 minutos reclama e o que não jogou também vai reclamar. Para controlar um balneário é preciso ter liderança e saber como é esse processo. Senão, acabas perdido nesse processo.

Bola na Rede: Também é por causa disso que só tiveste problemas com dirigentes e não com treinadores?

Cláudio Pitbull: Eu já tive problemas com treinadores no Brasil, em Portugal acho que não. Mas o que me indigna é a postura das pessoas. É mais fácil falares a verdade do que ficar a mentir e, no outro dia, falar com o mesmo diretor que mentiu para mim e ele rir-se. Não consigo aturar isso. Seja sincero, diga as coisas e pronto. Agora, sempre a dar tanga, como vocês dizem, e no outro dia dar-me um abraço é uma coisa com que não consigo viver, incomoda-me. Sempre fui frontal e gosto das coisas bem feitas.

Bola na Rede: Qual foi o jogo que mais te marcou na carreira?

Cláudio Pitbull: Foi na Liga dos Campeões, quando fiz a estreia contra o Inter Milão. Apesar de só ter jogado 45 minutos, foi uma coisa que até hoje me lembro, e o jogo da Taça da Liga contra o Sporting CP.

Bola na Rede: Disseste que gostavas muito de viajar. Que viagens tens planeadas para o futuro?

Cláudio Pitbull: Agora não posso viajar muito. Tenho de levar a patroa, fica mais difícil [risos]. Aí ela é que escolhe os destinos. Geralmente, gosto de olhar para um lugar que vi numa notícia, que acho que a cidade é boa e vou. Ia muito a Marraquexe, gosto muito. Ia a Barcelona, muito a Madrid. Tenho muitos amigos que jogam aí, eu ia visitar o Thiago Silva a Paris, vi alguns jogos do Marcelo no Real Madrid CF. Quando dava, ou viajava ou via um jogo da Champions League.

Todas as fotografias usadas nesta entrevista foram retiradas das redes sociais do entrevistado Cláudio Pitbull de forma consentida.

João Reis Alves
João Reis Alveshttp://www.bolanarede.pt
Flaviense de gema e apaixonado pelo Desportivo de Chaves - porque tem de se apoiar o clube da terra - o João é licenciado em Comunicação e Jornalismo na Universidade Lusófona e procura entrar na imprensa desportiva nacional para fazer o que todos deviam fazer: jornalismo sério, sem rodeios nem complôs, para os adeptos do futebol desfrutarem do melhor do desporto-rei.                                                                                                                                                 O João escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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