«Acho uma injustiça que o Paulinho e o Horta não sejam sequer convocados» – Entrevista BnR com Barroso

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– O Estádio das Antas ficou rendido –

BnR: Depois, vai para o Porto…

JB: Na altura, estava para ir para os clubes grandes todos. Como não tinha empresário, o presidente é que estava dentro dessas situações. Pelo que eu sabia, o Benfica só dava jogadores ao Sporting de Braga, não dava dinheiro. O Sporting de Braga precisava de dinheiro para pagar os ordenados em atraso, logo os jogadores não interessavam muito. Acabei por ir para o Porto que pagou [o equivalente a] 500 mil euros. Ajudou o clube, porque pagou três ou quatro ordenados em atraso. Numa altura até houve várias rescisões de contrato e o presidente ligou-me às três da manhã, a pensar que eu tinha rescindido. Só que a minha maneira de ser não ia deixar isso acontecer, porque não ia deixar o meu clube com as calças na mão. O Sporting de Braga saiu beneficiado com a minha venda, porque foi o clube que me deu tudo. Depois fui para o Porto e estive no ano do tri e do tetra. No primeiro ano no Porto, joguei quase todos os jogos e as coisas correram bem. Tive tempo para me adaptar, jogar logo e ganhar. Na segunda época, fui encostado de uma maneira esquisita. O empresário José Veiga é que metia lá os jogadores todos, eu como não tinha empresário… se calhar foi por isso… Depois fui para a Académica. Quando fui jogar pela Académica ao Estádio das Antas, fui substituído e o estádio cheio bateu-me palmas de pé. Foi das melhores coisas que me aconteceu na vida futebolística. As pessoas também notaram que as coisas não foram bem feitas a meu respeito. Não saí pelo meu valor, mas por outras coisas do futebol.

BnR: Teve pena de não fazer parte da equipa que ganhou o penta?

JB: Tive. O treinador que foi para lá [Fernando Santos] disse que tinha o Barroso e o Paulinho Santos, logo não precisava de médios defensivos e fui dispensado. É sinal que não fui dispensado pelo treinador, não fui dispensado pelo meu valor nem pelo que tinha feito no Porto. Estou de consciência tranquila. Ainda agora, pela altura da Taça da Liga, encontrei, aqui em Braga, pessoas do Porto que, quando me viram, me vieram dar um abraço muito satisfeitos com o trabalho que fiz no Porto e uma pessoa disse-me que não saí do Porto por causa do meu valor. Por outro lado, foi bom, porque acabei por regressar a Braga e terminei a carreira no meu clube do coração, que sempre foi um dos meus sonhos.

Fonte: Facebook de José Barroso

BnR: O que é que fazia o Porto ser tão dominador naquela época?

JB: O Porto tinha uma excelente equipa. Ao longo da sua história, teve várias possibilidades de conseguir o tri, mas nunca o tinha conseguido. Isso foi mesmo um sonho concretizado. Entrei na história do Porto, juntamente com os meus colegas. Éramos uma equipa que tínhamos muitos jogadores portugueses, o que era muito importante, e o balneário era bom.

BnR: Em 1998 ganha a Taça de Portugal ao Braga…

JB: Fizemos a dobradinha. Joguei muitos jogos da Taça, mas não joguei a final. O meu sentimento era de que o Porto tinha que ganhar. Eu estava no Porto, não havia volta a dar. Claro que gostava que o Sporting de Braga ganhasse a Taça de Portugal se fosse contra outra equipa. O Braga já merecia ter mais títulos, apesar de já ter conseguido alguns.

BnR: Jogou com Sérgio Conceição no Porto. Vê o caráter do Sérgio refletido na atual equipa do Porto?

JB: Vejo. Quando o Sérgio Conceição foi treinar o Porto, porque o Porto estava mal, eu disse que ele era a melhor opção para o Porto. Ele tem estatuto e disciplina. Nada funciona se não houver disciplina. Eu sou igual, gosto de disciplina. Eu disse que ele ia meter disciplina naquilo e assim foi. Felizmente, para ele e para o Porto, isso veio a refletir-se nos resultados, apesar de que os plantéis do Porto não têm sido grande coisa.

Francisco Grácio Martins
Francisco Grácio Martinshttp://www.bolanarede.pt
Em criança, recreava-se com a bola nos pés. Hoje, escreve sobre quem realmente faz magia com ela. Detém um incessante gosto por ouvir os protagonistas e uma grande curiosidade pelas histórias que contam. É licenciado em Jornalismo e Comunicação pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e frequenta o Mestrado em Jornalismo da Escola Superior de Comunicação Social.

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