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«É preciso revolucionar o Atletismo, apostar em jovens» – Entrevista BnR com Mariana Machado

– O orgulho de vestir as cores nacionais e a oportunidade de representar o «clube que se ama» –

«Tenho orgulho de pertencer a esta «seleção de guerreiros», reconhecendo o trabalho que tenho feito em prol do Desporto a nível nacional, e  em prol do Sporting Clube de Braga».

BnR: No ano passado, ganhaste três medalhas europeias, bateste inúmeros recordes (até os teus próprios recordes) e foste eleita como a atleta europeia do mês de novembro. Segundo estes dados, podes considerar 2019 como um dos teus melhores anos enquanto atleta?

Mariana Machado: Espero que [2019] não tenha sido o meu melhor ano. Aliás, espero que 2020 seja bem melhor. Mas, sim, acho que foi um ano incrível. Consegui as minhas primeiras medalhas a nível internacional. Sempre disse que já era das melhores a nível nacional, e que gostava de dar o salto a nível internacional, e alcançar as minhas primeiras medalhas. E 2019 foi o ano disso acontecer. Foi com muito trabalho e muito esforço que consegui, num ano em que muitos atletas acabam por abandonar o desporto, que é na entrada para a universidade. Tenho um quarto lugar no Campeonato do Mundo, um terceiro e segundo lugar no Campeonato da Europa, só me falta mesmo a medalha de ouro – que esteve à porta, nos 3000m do Campeonato Europeu de Pista. Mas, sim, 2019 foi um ano incrível, mas espero que, em 2020, consiga alcançar coisas melhores. A nível internacional é difícil, porque, parece que não, mas já sou Sénior, e agora começa a ser mais difícil de nos fazer destacar num escalão que abrange um número de atletas muito maior. Mas acredito que, mais tarde ou mais cedo, tenho tudo para alcançar ainda mais medalhas, e, agora, já será no escalão de Sénior.

Mariana Machado conquistou a medalha de prata nos 3000m no Campeonato Europeu de Boras, na Suécia, em 2019
Fonte: SC Braga Atletismo

BnR: Se tivesses que escolher uma palavra para definir o orgulho de representar a nossa bandeira, qual seria?

Mariana Machado: É uma boa pergunta. É uma sensação tão boa. Uma palavra… Seria mesmo orgulho. Inspiração, determinação, garra. Eu acho que, quando vestimos o equipamento da Seleção, nós transformámo-nos. Pelo menos, quando eu o faço, penso «sou invencível» (risos). A primeira vez foi assim, e acho que não há nenhuma vez como a primeira. É sempre especial. Mas, cada vez que represento Portugal, é sempre uma sensação muito boa e um orgulho extremo de dar tudo por tudo pelo nosso país.

BnR: Desde sempre que tens representado o SC Braga. Como é que tem sido fazer parte da história do clube minhoto?

Mariana Machado: É muito bom. Ainda só tenho 19 anos e já considerarem que faço parte da História do Clube [SC Braga] é incrível. Acho que, só os recordes que já alcancei, as medalhas que também já consegui, acho que já devo ter um lugarzinho naquele clube (risos). É sempre muito especial, é o clube da minha terra, o clube que eu mais gosto, que me faz feliz, o clube que me faz correr de uma forma diferente, porque estou a representar quem realmente gosto. E há poucas coisas como isso. É como representar a Seleção, mas, aqui em Portugal, represento o SC Braga. É muito gratificante, e espero que o clube também, da mesma forma que eu tenho este carinho imenso, retribua da mesma forma, tal como eu tenho orgulho de pertencer a esta «seleção de guerreiros», reconhecendo o trabalho que tenho feito em prol do Desporto a nível nacional, e, em prol do Sporting Clube de Braga.

BnR: Para ti, qual é a importância de fazer elevar o nível de um clube que não é, por norma, considerado um “grande”?

Mariana Machado: É muito bom. Ainda no ano passado fui à “Taça Europa das Nações”, e eu e mais um colega éramos os únicos atletas do SC Braga, e é sempre bom pôr o SC Braga nestas competições a nível internacional, e é gratificante ver que consigo estar também nas melhores a nível internacional, a representar este clube. É bom saber que estou a retribuir a confiança que o SC Braga depositou em mim.

Mariana Machado, juntamente com Ricardo Lima, na representação de Portugal e do SC Braga no Campeonato da Europa das Nações, em 2019
Fonte: SC Braga Atletismo

BnR: Consideras que tens uma espécie de “ritual” antes de cada prova? Qual é o teu “segredo” para manter a concentração?

Mariana Machado: Na verdade, eu não tenho assim nenhum «ritual». Eu só sou uma rapariga extrovertida, antes das provas falo com toda a gente, sempre divertida, a rir. Há pessoas que correm com uma pedra na mão, outras que vestem as cuecas ao contrário (risos), há situações mesmo caricatas, mas eu não tenho nenhuma. Gosto de estar alegre, porque vou fazer uma coisa que realmente gosto, e, quando chega a hora da prova, é ficar o mais concentrada possível, e dar tudo.

BnR: Se tivesses que escolher apenas um momento da tua carreira no Atletismo, qual é que escolherias?

Mariana Machado: É uma pergunta difícil, porque eu tenho muitos momentos. O momento que eu fui mais «feliz», foi quando fiquei em quarto no Campeonato do Mundo. Fiquei contente, porque um quarto lugar num Campeonato do Mundo é sempre um resultado incrível. É verdade que fiquei muito próxima das medalhas, e, por isso, é um sabor «agridoce». Outro momento que fui feliz, foi agora no Campeonato da Europa de Corta-Mato, e talvez tenha sido aquele que fui mais feliz, porque, apesar de ter ficado em terceiro, e acho que as pessoas depositaram mais expetativas em mim, a verdade é que o cross não era, de todo, bom para mim – muito duro, com muitas subidas – mas preparei-me para tal, e acho que foi por isso que consegui ganhar uma medalha. Pode não ter sido o resultado que muitos estavam à espera, mas, para mim, foi uma prova marcante. Sim, talvez a mais marcante (risos). Porque tinha, ao meu lado, toda a minha família, e isso nunca tinha acontecido nas competições internacionais. Então, ver toda a minha claque e ouvir o meu nome enquanto corria, foi uma sensação gratificante.

Mariana Machado conquistou a medalha de bronze no Campeonato da Europa de Cross-Country, em Lisboa, em 2019
Fonte: SC Braga Atletismo

Natural de Monção, a Angelina é Licenciada em Relações Internacionais e, atualmente, estudante do Mestrado em Economia Social pela Universidade do Minho. Vê o desporto como um dos bons lados da vida, que forma uma boa parceria com a escrita e o jornalismo. O seu interesse pelo desporto surgiu cedo, tendo como principal área de interesse o Futebol, o Ténis e a Fórmula 1.

Natural de Monção, a Angelina é Licenciada em Relações Internacionais e, atualmente, estudante do Mestrado em Economia Social pela Universidade do Minho. Vê o desporto como um dos bons lados da vida, que forma uma boa parceria com a escrita e o jornalismo. O seu interesse pelo desporto surgiu cedo, tendo como principal área de interesse o Futebol, o Ténis e a Fórmula 1.

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