«No início do Belenenses SAD X SL Benfica vieram-me as lágrimas aos olhos» – Entrevista BnR com Tomás Ribeiro

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“O trabalho de apoios e a comunicação são os dois aspetos fundamentais para trabalhos mais defensivos”

Bola na Rede: E quanto ao estilo de jogo da equipa? Sentiste que também aí te integraste bem no Grasshoppers?

Tomás Ribeiro: Bastante. O mister [Giorgio Contini] dá-me muita liberdade para falar com ele e dentro do próprio jogo. É engraçado que vim de uma equipa que jogava numa linha de cinco para uma equipa que joga maioritariamente com uma linha de cinco também. A adaptação tem sido espetacular, porque os meus colegas também o proporcionam assim.

Bola na Rede: Sentes-te um jogador talhado para jogar numa linha de cinco?

Tomás Ribeiro: Gosto bastante de jogar numa linha de cinco. Não digo se prefiro ou não prefiro, porque quero é jogar.

Bola na Rede: Os centrais de fora, posição que costumas ocupar, nestes sistemas de cinco defesas, até costuma ser bastante exigente. Dependendo da abordagem da equipa, se o lateral salta no lateral contrário ou não, há ajustes que são necessários fazer.

Tomás Ribeiro: Os centrais de fora acabam muitas vezes por fazer de laterais quando a bola está nesse corredor. É uma posição que, muitas vezes, é mais exigente. Depende também do tipo de pressão. Se consegues fazer uma pressão eficaz, acaba por ser muito fácil.

Bola na Rede: De onde vem a tua capacidade de, mesmo sendo central, teres bola, a colocares no chão e seres protagonista com ela?

Tomás Ribeiro: É algo que sempre me deu prazer ver e que me dá prazer de fazer também. O meu papel principal é defender, mas procurei sempre trabalhar um pouco mais à frente. Não perdendo a capacidade de defender, tentei explorar a capacidade de ter a bola no pé, seja através do passe mais curto ou do passe mais longo.

Bola na Rede: Alguma vez tiveste algum treinador que te castigasse se apostasses no chutão na frente? 

Tomás Ribeiro: Não. Tive foi um treinador que me ensinou a tentar fazer com que uma interceção se tornasse num passe que possibilite uma transição rápida ou ficar com bola. Hoje, tenho essa preocupação.

Bola na Rede: Atualmente, o momento de pressão está muito desenvolvido e é um aspeto em que as equipas apostam bastante em termos estratégicos. Tu, como central, és exposto muitas vezes a saídas de jogo em zonas baixas do campo. Sentes-te confortável em jogar contra pressões altas? Consideras que tens que dar mais uso à criatividade por teres que jogar muito com aquilo que o adversário te dá?

Tomás Ribeiro: Sem dúvida. Há cada vez mais a preocupação de se pressionar bem e de se pressionar, principalmente, no momento certo. Não sei quantas equipas há no mundo, se é que há alguma, que consigam pressionar alto durante 90 minutos. A pressão alta tem que ser feita com cabeça, tronco e membros. Tive um treinador que nos dizia para pressionarmos muito forte durante os primeiros dez minutos. A partir daí, abrandávamos um pouco. Nos últimos dez minutos da primeira parte, voltávamos. Ou seja, acaba por ser um pouco estratégico. Se me sinto capaz de lidar com pressões altas? Sinto, mas isso é algo que acaba por ser muito coletivo. Mesmo que eu me sinta capaz, se a equipa não se sentir capaz, acaba por não funcionar. Gosto de sair por trás, sinto-me confortável, ainda que, às vezes, essa pressão alta possa criar espaço nas costas da defesa, da linha média ou da linha avançada do adversário. Por isso é que o pressionar alto pode criar muitas dificuldades à equipa que tem bola, mas, se não for feita como deve ser, pode criar muitas dificuldades à equipa que está a pressionar e ser mais fácil de a desmontar. 

Bola na Rede: Uma das características que tu também tens é o jogo de apoios. Valorizas esse aspeto?

Tomás Ribeiro: Muito. Tenho que agradecer muito aos treinadores que tive, porque foi um aspeto que foi sempre alvo de trabalho em treino. Esses pequenos detalhes acabam por se tornar muito importantes ao nível de jogo. Os apoios são uma das coisas mais importantes, ainda para mais numa equipa que queira, por exemplo, pressionar alto.

Bola na Rede: Isso é sempre complementado por outros aspetos como os alinhamentos e os ajustes.

Tomás Ribeiro: Diria que o trabalho de apoios, que é algo mais técnico, e a comunicação são os dois aspetos fundamentais para trabalhos mais defensivos. Por exemplo, quando cheguei cá, dois, três dias depois, estreei-me pelo Grasshoppers em Sion. A comunicação era toda feita em inglês. Para me virar para a esquerda, para a direita, para a frente, para a última linha de pressão, tinha que falar inglês, inglês, inglês. Nem sempre o consegui fazer com sucesso. Ora às vezes me saía em português, ora às vezes pensava em português e quando me saía em inglês já era tarde. Foi algo muito desafiante. É nesses pequenos aspetos que vou crescer bastante.

Francisco Grácio Martins
Francisco Grácio Martinshttp://www.bolanarede.pt
Em criança, recreava-se com a bola nos pés. Hoje, escreve sobre quem realmente faz magia com ela. Detém um incessante gosto por ouvir os protagonistas e uma grande curiosidade pelas histórias que contam. É licenciado em Jornalismo e Comunicação pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e frequenta o Mestrado em Jornalismo da Escola Superior de Comunicação Social.

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