«Luís Filipe Vieira preferiu Mantorras a Jardel» – Entrevista BnR com Drulović

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– O Início do Fim –

“Mantorras? Foi uma grande aposta de Luís Filipe Vieira e foi por causa dele que o Jardel não foi para o Benfica”

BnR: Arrependes-te de, quando deixaste o Porto, não teres aceitado o convite do Futre para ires para o Atlético Madrid?

D: Falámos nesse sentido, mas é o futebol… a minha família queria ficar em Portugal e, como não cheguei a acordo com o FC Porto, optei pelo Benfica. Quando cheguei à Luz, o clube não estava numa boa situação; foi também quando entrou Luís Filipe Vieira, que fez do Benfica aquilo que é hoje – um pouco à imagem do que fez Pinto da Costa no FC Porto. Foi Luís Filipe Vieira quem me escolheu para capitão, apesar de ter acabado de chegar, e nunca tive problemas com quem quer que fosse, pela minha maneira de estar. Ainda bem para o futebol português que existem estes dois grandes clubes e esta rivalidade, que desde que exista respeito é bonito.

BnR: Há tempos disseste que os balneários de Benfica e Porto não tinham nada a ver.

D: A exigência era muito diferente. Aquilo que senti como jogador do FC Porto (…) éramos muito disciplinados, inclusive nos treinos, que eram muito mais difíceis do que os jogos; era uma luta constante, mas séria e profissional. Quando cheguei ao Benfica, chegaram muitos jogadores, de muitas nacionalidades, e não era fácil construir uma equipa. Faltava atitude, mentalidade vencedora.

Fonte: Facebook de Drulovic

BnR: Mantorras foi o jogador com maior potencial com quem jogaste?

D: Não tenho dúvidas. Tive muita pena do que lhe aconteceu. Foi uma grande aposta de Luís Filipe Vieira e foi por causa dele que o Jardel não foi para o Benfica. Recordo-me de que o Doutor Martins, após tê-lo examinado, ter ido ter comigo e, em privado, dizer-me “O Pedro dificilmente vai voltar a ser um jogador de top”. Tinha tudo para ser um craque.

BnR: Em 2003, regressas a casa e a um país com um nome diferente daquele que deixaste onze anos antes. Os resquícios da guerra ainda estavam muito presentes?

D: Não, já estava tudo normal. O “culpado” do meu regresso à Sérvia foi o Ivica Kralj, com quem havia jogado no FC Porto. Na brincadeira disse-lhe para dizer ao diretor desportivo do Partizan que estava disponível para regressar e jogar a Liga dos Campeões e quando estou no aeroporto de Belgrado, de malas feitas para voltar para Portugal, tocou o meu telemóvel; era o diretor desportivo do Partizan e chegámos a acordo em dois minutos, apesar de ter propostas de outras equipas em Portugal.   

BnR: Nesse ano cruzas-te com Andrija Delibašić e Simon Vukčević no Partizan. Tinham qualidade para ter deixado uma marca maior no futebol português?

D: O que fizeram foi bom, mas podiam ter feito mais. Vukčević tinha tudo: um pé esquerdo fantástico, fisicamente era muito forte e difícil de lhe roubar a bola. Tinham qualidade para muito mais, mas há certas situações que não podemos controlar e num clube grande é preciso algo mais do que apenas qualidade.

BnR: Penduras as botas em Penafiel, comandado por um jovem chamado Luís Castro. Surpreende-te o seu trajeto?

D: Sim e não. Foi uma aposta do Presidente, quando o Manuel Fernandes saiu, e foi uma grande surpresa. Naquele ano assegurou a manutenção, mas no ano seguinte desceu. Depois foi para o FC Porto e isso talvez tenha sido o fator mais importante para a sua carreira; deve muito a essa experiência. É uma pessoa muito inteligente e, mais tarde, fez excelentes trabalhos nos clubes por onde passou. 

BnR: Portugal continua a ser o melhor país do mundo para viver?

D: Sim! Eu adoro Portugal e às vezes falo com a minha mulher e digo-lhe que gostava de voltar a trabalhar aí, apesar de financeiramente os clubes portugueses terem algumas dificuldades e se ganhar muito mais dinheiro em países como os Emirados Árabes Unidos ou o Uzbequistão.

Miguel Ferreira de Araújo
Miguel Ferreira de Araújohttp://www.bolanarede.pt
Um conjunto de felizes acasos, qual John Cusack, proporcionaram-lhe conciliar a Comunicação e o Jornalismo. Junte-se-lhes o Desporto e estão reunidas as condições para este licenciado em Estudos Portugueses e mestre em Ciências da Comunicação ser um profissional realizado.                                                                                                                                                 O Miguel escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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