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«Não vai demorar muito para o SC Braga ser campeão» – Entrevista BnR com Paulão

-Anos dourados no SC Braga-

«Nós víamos que incomodávamos os grandes e parecia que eles, de alguma maneira, tinham de fazer alguma coisa para parar o Braga»

Bola na Rede: Depois veio o Braga e uma época que até não começou muito bem, com a eliminação na Liga Europa, mas que acabou por ser uma época histórica para a equipa.

Paulão: No primeiro ano, eu tinha essa consciência de que tinha grandes jogadores na minha posição e eu estava vindo da Naval, precisava realmente trabalhar, e trabalhar muito, mas sabia também das minhas condições, da minha capacidade, porque não tinha sido contratado só porque fiz muitos jogos na Naval, mas sim pela minha qualidade, pela minha capacidade de jogar. Foi até o Carlos Freitas que me contratou na época e ele me diz quando eu cheguei “você realmente veio para somar e para assumir a posição no eixo da defesa do Braga”, mas eu sabia que ia ser difícil, porque tinha grandes centrais como o Moisés, como o André Leone, como o Alberto Rodríguez, tinha o Frechaut e a equipa era muito, muito, muito forte. Então, o primeiro ano meu foi… nem sei quantos jogos eu fiz, mas foi pouquíssimos e eu falei com o Domingos Paciência na época e disse “eu preciso sair, eu preciso jogar, eu sei que se continuar aqui, com estes centrais aqui, você vai dar sempre a preferência para eles, porque já estão aqui no clube e são jogadores também com muita qualidade, então, no máximo que eu fizer aqui, mas só que eu vou ser sempre a segunda opção”. E ele falou comigo e falou “olha, Paulão, você está no nível deles realmente, a oportunidade que surgir eu vou-te colocar, eu confio muito em você, mas nessa opinião sua, se um deles sair, eu prefiro que você fique, porque eu creio que um deles vá ser vendido e eu quero que você fique e você vai assumir” e eu falei que eu não posso esperar, eu não posso esperar um sair para começar a jogar e ele disse “eu não quero que você saia e você não vai sair, que você tem contrato”. Mas, eu fiquei no não, mas eu preciso sair e ficamos assim nessa reunião, no eu vou sair, ele você não vai sair e ficamos nessa. Vim de férias para o Brasil com essa ideia de sair e ele com essa ideia de eu ficar que ia ter oportunidade e foi mais ou menos isso até eu começar realmente jogar e deu no que deu.

Bola na Rede: Ainda nessa primeira época, a equipa esteve muito perto de ser campeã. Falemos sobre a suspensão do Vandinho e do Mossoró, que foi algo que marcou a temporada, como é que se ressentiu o balneário dessa situação?

Paulão: Foi uma coisa que, dentro do balneário, a gente acreditava que tinham sido coisas mandadas, porque o Braga estava muito forte. E eu creio que, se não fosse isso, podia acontecer que o Benfica realmente se sagrasse campeão, mas seria muito difícil tirar aquelo título nosso, porque o Vandinho e o Mossoró eram pilares da equipa e do balneário. Então, para a gente,… não pelos outros jogadores como o Andrés Madrid, que assumiu a titularidade e conseguiu manter isso até ao final, mas o Vandinho e o Mossoró, não só para nós no balneário, mas para os adeptos, para os adversários, era muito importante ali. E nós realmente sentimos o impacto e, a cada dia que passava, a cada jogo que passava, a cada jornada que passava, nós víamos que incomodávamos os grandes e parecia que eles, de alguma maneira, tinham de fazer alguma coisa para parar o Braga. Para a gente foi duro, porque eles eram muito importantes na equipa e no balneário.

Bola na Rede: Essa foi a primeira vez que o Braga acabou no podium da Liga e este ano fê-lo pela terceira vez na história. Tens acompanhado o futebol português, achas que o Braga tem hipóteses de no futuro de finalmente conseguir esse título?

Paulão: Eu tenho acompanhado, sim, porque eu agora estou noutra missão como empresário, então tenho que acompanhar, e o Braga é um clube que, para mim, acompanho de perto mesmo e o Salvador é assim, cada dia que eu vejo, isso não vai demorar muito. Porque o Braga, eu já considero um grande, eu já considerava antes, mas agora ainda mais com tudo isso que está acontecendo, cada dia fortalecendo mais, não só em jogadores, mas em estrutura, oferecendo cada dia mais como os grandes, aproximando as estruturas dos grandes de Portugal e, então, eu creio que não vai demorar muito para ser campeão.

Bola na Rede: O ano seguinte, começa com o apuramento para a Champions, que inclui aquele jogo louco em Sevilha, como foi essa qualificação e o poder jogar a Champions?

Paulão: Rapaz, acho que nem nós acreditávamos que ia ser tão maravilhoso aquele ano, porque eram jogos difíceis, o Celtic e o Sevilha, que são equipas que estavam acostumados com esses jogos e o Braga não era acostumado com esses jogos, a não ser os jogos grandes em Portugal, que era o Porto, o Benfica e o Sporting, mas não tinha essa dimensão ainda de Champions League. Então, depois que a gente passou do Celtic, fica “vamos desfrutar deste momento e já fizemos história no Braga, mas já que estamos aqui vamos dar o nosso máximo sabendo das nossas limitações e sabendo que o Sevilha era superior”, mas a gente tinha possibilidades também, era 50-50, e quando a gente conseguiu o 1-0 em casa, “ah agora acho que a gente consegue” e deu no que deu e conseguimos aquela histórica vitória.

Bola na Rede: Depois, tem a Champions em si, onde ficam em terceiro lugar no grupo, vão para a Liga Europa e fazem também aí uma caminhada soberba. E o Paulão a certa altura assume-se finalmente como titular.

Paulão: Foi aí, quando o Moisés saiu. O Moisés saiu, não sei a altura em que ele saiu, e foi a oportunidade em que eu falei agora não posso deixar escapar, não posso deixar escapar a oportunidade de fazer história aqui em Portugal, no Braga. Nós acreditamos muito mais na hipótese de fazer história na Liga Europa e deixamos o Campeonato assim, como se diz, de segunda opção, porque nós vimos possibilidades de fazer coisas grandes na Liga Europa, então, a gente assumiu, eu consegui dar conta do recado, consegui responder à altura, porque o Moisés já vinha num patamar muito elevado, com grandes exibições, eu precisava entrar e dar conta do recado e responder à altura do que é um grande central. Eu creio, e as críticas na altura também acompanhavam, que foram grandes exibições na altura que eu estava vindo a demonstrar.

Bola na Rede: Como foi perder a final da Liga Europa?

Paulão: Foi… foi decepcionante. A gente sabia que ia ser difícil, porque o Porto estava muito forte, o Porto estava muito, muito forte, mas era um clube que a gente conhecia, na maneira de jogar. Apesar do poderio dele ser muito, a gente conhecia e sabia que seria um jogo de detalhes, que seria mais ou menos como foi, um a zero, um a um,… o clube que falhasse, ali estaria o título, o que aconteceu. O Porto conseguiu o seu golo, uma falha individual nossa e, depois, o Mossoró com aquela oportunidade grande de empatar o jogo e não conseguiu. O jogo se se recorda foi um jogo estudado, em que nenhuma das equipas queria arriscar muito, porque sabia que um erro e acabava ali. Então, acho que foi um jogo mais estudado, um jogo mais tático e aquele que errasse, o outro ia aproveitar. E o Porto aproveitou da melhor maneira possível, também com o Falcão, era difícil ele falhar na época e ele realmente não falhou, a oportunidade que ele teve, ele colocou para dentro.

Fonte: FC Porto

Bola na Rede: Ainda sobre o Braga, o Alan chegou ao Braga um ano antes do Paulão e acabou por se tornar uma das figuras da história do clube. Já na altura se notava que seria um líder da equipa no futuro?

Paulão: Sim, eu creio que sim. Já no Guimarães, a gente percebia que o Alan era diferente. Depois que eu cheguei no Braga, eu vi realmente que era diferente, que o Alan se ia tornar num ídolo, num jogador de referência. Então é assim, a gente já sabia, porque a qualidade dele era acima mesmo, acima da média e os adeptos gostavam muito – e gostam até hoje- e a gente já percebia que ia ser um jogador referência.

O José tem 24 anos e é de Direito. Adora escrever e, para ele, o desporto deve ser em quantidade e em variedade. O Ciclismo é a sua grande paixão e em 2015 redescobriu o Wrestling.                                                                                                                                                 O José escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

O José tem 24 anos e é de Direito. Adora escrever e, para ele, o desporto deve ser em quantidade e em variedade. O Ciclismo é a sua grande paixão e em 2015 redescobriu o Wrestling.                                                                                                                                                 O José escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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