«Não vejo Portugal como candidato a campeão do Mundo» – Entrevista BnR com Danilo Dias

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«Pedro Martins foi o treinador que me ensinou a jogar na Europa»

Bola na Rede: Quando chegaste ao CS Marítimo, estavam no plantel jogadores que fizeram a carreira toda no clube. Falo de jogadores como o Briguel ou o Luís Olim, por exemplo. Como foram os primeiros tempos?

Danilo Dias: O primeiro semestre foi muito complicado. Era tudo muito novo. Cheguei no último dia de pré-época. O treinador era o Mitchell van der Gaag, extremamente exigente. Quando ele sai, entra o Pedro Martins que foi um ponto de viragem para mim. Foi o treinador que teve paciência comigo e viu em mim qualidades.

Bola na Rede: Foi o treinador que mais espremeu o teu talento?

Danilo Dias: Foi. Lesionei-me duas vezes. No segundo ano com ele, antes de ir de férias, Pedro Martins injetou em mim uma dose muito grande de confiança. Disse-me que eu ia para o Brasil descansar e que, quando voltasse, ele ia tirar de mim tudo o que eu podia dar. Acabou por ser o meu melhor ano no CS Marítimo. Participei diretamente em quase 20 golos, levámos o clube à Liga Europa. Pedro Martins foi o treinador que me ensinou a jogar na Europa.

Bola na Rede: Sentiste diferenças no estilo de jogo?

Danilo Dias: Senti bastantes. Conduzia muito a bola e prendia o jogo. Não fazia movimentos sem a bola, só gostava de a receber no pé. Foi o Pedro Martins que me ensinou a fazer movimentos de rutura e diagonais e a acompanhar os laterais.

Bola na Rede: Mitchell van der Gaag é, atualmente, treinador-adjunto do Manchester United FC, clube que não passa um bom momento. Vês nele características para ajudar Erik ten Hag a arrumar a casa do Manchester United FC?

Danilo Dias: É um treinador muito ríspido a dar indicações para dentro do campo. Gosta muito do contacto físico e dos duelos. Para mim, que era um sul-americano que gostava de driblar e ter a bola, foi difícil apanhar um treinador que gostava do jogo com contacto. Não tinha corpo para isso.

Bola na Rede: Jogaste a Liga Europa em 2012/13, num grupo que tinha FCG Bordéus, Club Brugge KV e Newcastle UFC. Eram partidas que davam gosto jogar?

Danilo Dias: O jogo com o Newcastle UFC foi o que mais me marcou por estar num lugar onde nunca imaginei estar. A cultura inglesa, a receção dos adeptos, do staff do Newcastle UFC, o balneário… Vê-se que o futebol nasceu em Inglaterra. Empatámos 1-1. Não fiz golo, mas fui eleito Homem do Jogo. Não tinha estrutura física para os duelos, mas tinha versatilidade e irreverência.

Bola na Rede: Como é que um clube que não tem tanto impacto mediático em Portugal como é o caso do CS Marítimo, de repente, se vê a jogar a Liga Europa onde o foco está todo ali?

Danilo Dias:  Foi tudo muito novo para um clube centenário. A nossa equipa era boa. O mister Pedro Martins tinha o controlo do balneário. Apanhámos o FC Dila Gori no play-off. No jogo na Geórgia, fiquei no banco, porque o Pedro Martins queria explorar o Heldon e o Sami na frente. Quando sou chamado, o mister disse-me que ia mudar a história do jogo e, no fim, marquei o golo que carimbou a passagem à fase de grupos e que ficou para a história do clube. Foi um feito marcante um clube médio de Portugal entrar na fase de grupos da Liga Europa.

Bola na Rede: Que histórias ficaram dessas noites europeias?

Danilo Dias: No regresso da Geórgia, parámos num bar a caminho do aeroporto e o presidente [Carlos Pereira] pagou bebidas aos jogadores. Eu não bebia, mas o senhor do bar deu-me vodka, uma coisa horrível, e estava com a barriga vazia depois do jogo. No regresso à Madeira de avião, vim na cabine do piloto.

Bola na Rede: Ainda acompanhas o CS Marítimo?

Danilo Dias:  Acompanho. O CS Marítimo nunca teve um início tão mau. Na minha altura, o Estádio dos Barreiros era uma fortaleza. Quando entrávamos ali, tínhamos que marcar até aos 15 minutos. Mesmo quando sofríamos um golo por sermos tão afoitos, conseguíamos empatar antes dos 15. Hoje, o Estádio dos Barreiros deixou de ser uma fortaleza. 

Bola na Rede: Achas que o CS Marítimo tem capacidade de dar a volta à situação?

Danilo Dias: O CS Marítimo precisa de sangue novoO clube não pode ficar lá em baixo, nem no meio da tabela. O CS Marítimo tem pressão para lutar pela Liga Europa. O clube não pode perder o ímpeto de querer lutar com Vitória SC e com SC Braga no topo da classificação. Quando estava no CS Marítimo e andávamos em oitavo ou nono lugar era horrível. Queríamos estar em quinto ou sexto sempre.

 

Francisco Grácio Martins
Francisco Grácio Martinshttp://www.bolanarede.pt
Em criança, recreava-se com a bola nos pés. Hoje, escreve sobre quem realmente faz magia com ela. Detém um incessante gosto por ouvir os protagonistas e uma grande curiosidade pelas histórias que contam. É licenciado em Jornalismo e Comunicação pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e frequenta o Mestrado em Jornalismo da Escola Superior de Comunicação Social.

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