«Podia encaixar muito bem na tática do Sporting e também na do Benfica» – Hildeberto Pereira

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«Estava muito bem com o mister Lito Vidigal, as coisas corriam-me bem, depois lesionei-me, fui operado e a minha cabeça foi muito abaixo… Voltei a aumentar o peso e voltou tudo ao mesmo»

Bola na Rede: Em 2017, foste para o Legia de Varsóvia, para a Polónia, uma liga periférica do continente europeu… Como é que foi essa experiência?

Hildeberto Pereira: Fui para o Legia de Varsóvia com um contrato muito bom, mas, na altura, tinha ficado no Nottinghan Forest praticamente seis meses sem jogar, de março a Agosto. E engordei um bocadinho… Estava com um bocadinho de peso a mais quando cheguei à Polónia, mas trabalhei forte e, em apenas um mês, consegui chegar ao meu peso ideal. Comecei logo a jogar mas, infelizmente, acabei por lesionar-me e depois fiquei de parte. Até cheguei a treinar e jogar pela segunda equipa do Legia… Foi então que decidi regressar a Portugal e assinei pelo Vitória de Setúbal.

Bola na Rede: Mas ainda passaste pelo Northampton Town, da League One, não foi?

Hildeberto Pereira: Sim, sim, ainda estive no Northampton. Foram seis meses… Deu para recomeçar a ganhar ritmo novamente.

Bola na Rede: E chegas, então, finalmente, em 2018, à I Liga portuguesa, para jogares no Vitória de Setúbal. Jogar no principal escalão do futebol português foi um sonho tornado realidade?

Hildeberto Pereira: Sim. Lembro-me bem da sensação do primeiro jogo pelo Vitória de Setúbal, contra o Sporting, no Estádio de Alvalade. Comecei no banco, mas depois entrei. E lembro-me de estar a conversar com os meus amigos de infância e estar a dizer-lhes: “– Quem diria, eu, passados todos estes anos, estar aqui, a jogar contra o Sporting, em Alvalade, perante 30 ou 40 mil pessoas…”. E foi nesse momento que voltei a ter esperança e disse para mim mesmo: “– Já cheguei aqui, agora vou manter o foco, continuar a trabalhar, a dar tudo”. Queria poder representar muito bem o Vitória de Setúbal – e acho que representei – para depois poder sair e ir para um clube grande.

Bola na Rede: Quando chegaste ao Vitória de Setúbal impressionaste imediatamente. Ganhas a titularidade, marcaste três golos no Bonfim frente ao Moreirense… Nas primeiras sete jornadas desse campeonato já tinhas marcado quatro golos. Referes, muitas vezes, a questão da mentalidade que te faltava. É isso que explicar teres perdido consistência após esse arranque… Depois já só marcaste mais um golo em 24 jogos… O que falta ao Berto Pereira para ter essa regularidade, para que possas mostrar o teu futebol e aquilo que as pessoas esperam de ti?

Hildeberto Pereira: É como já te tinha dito. Tenho de manter a postura que tinha quando comecei no Vitória de Setúbal. Nos primeiros dois meses estive muito bem. Nesse período, aconteceu de tudo: marquei três golos contra o Moreirense, fui o melhor em campo contra o FC Porto, marquei um golo espetacular contra o Nacional… Aconteceu mesmo tudo. E acho que é isso que me falta. Manter-me focado e continuar no mesmo ritmo. Não posso estar dois meses bem e depois estar dois meses mal… Andar sempre em altos e baixos. Isso não é bom para mim, e tenho de meter isso na cabeça. E não é só em relação à temporada em curso, mas de toda a carreira. A partir de agora, aos 25 anos, não pode haver altos e baixos, tem de haver apenas um só momento, e de preferência sempre a subir. Acho que foi apenas isso que me faltou no Vitória de Setúbal e nos outros clubes por onde passei. Comecei muito bem, lesionei-me e fui-me muito abaixo. Estava bem até àquele momento, já havia clubes grandes portugueses que falavam comigo, que estavam atentos, mas depois com a lesão fui-me muito abaixo e isso não pode voltar a acontecer. No futebol acontecem lesões, isso é normal. E se isso acontecer tenho de continuar ao mesmo ritmo. E não foi isso que aconteceu no Vitória de Setúbal. Eu estava muito bem com o mister Lito Vidigal, as coisas corriam-me bem, depois lesionei-me, fui operado e a minha cabeça foi muito abaixo… Voltei a aumentar o peso e voltou tudo ao mesmo.

Fonte: Vitória FC

Bola na Rede: Então, no teu caso, o segredo é mesmo a mentalidade. Se tiveres força e mantiveres o foco nos momentos menos bons acreditas que vais continuar com bom rendimento e num patamar competitivo alargado…

Hildeberto Pereira: Exatamente, exatamente.

João Amaral Santos
João Amaral Santoshttp://www.bolanarede.pt
O João já nasceu apaixonado por desporto. Depois, veio a escrita – onde encontra o seu lugar feliz. Embora apaixonado por futebol, a natureza tosca dos seus pés cedo o convenceu a jogar ao teclado. Ex-jogador de andebol, é jornalista desde 2002 (de jornal e rádio) e adora (tentar) contar uma boa história envolvendo os verdadeiros protagonistas. Adora viajar, literatura e cinema. E anseia pelo regresso da Académica à 1.ª divisão..                                                                                                                                                 O João não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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