«Quis regressar ao FC Porto, mas não estavam dispostos a isso» – Entrevista BnR com Derlei

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– Do ponto final na carreira à atualidade desportiva –

“Para se voltar a jogar futebol sem adeptos, o melhor seria cancelar a competição”

BnR: Acabas carreira em 2010 no Madureira um clube que já tinha representado em 1999. Para ti não foi difícil deixar o futebol?

D: Porque na verdade eu já me tinha decidido antes que eu jogaria até aos 34/35 anos, dependendo da situação que eu estivesse e da perspetiva. Eu acho que, quando você joga futebol simplesmente pela questão financeira sabendo que dificilmente você vai alcançar objetivos é como se você vivesse sem coração. Por aquilo que eu vivi dentro do Sporting CP naqueles dois anos, sabendo da inconsistência política que o clube vivia, dificilmente iríamos de ter condições para lutar pelo título nacional. Tanto que passando estes anos todos, o Sporting CP só piorou.

BnR: Em relação ao Jorge Jesus, surpreendeu-te o sucesso dele no Flamengo?

D: Aconteceu com o Jorge Jesus algo inédito e realmente incrível. O que aconteceu com Jorge Jesus foram dois fatores que realmente influenciaram muito no sucesso dele. Primeiro, tanto quanto sabemos, o primeiro convite que o Jorge Jesus recebeu não foi do Flamengo. Uma vez que ele aceitou esse convite, o Flamengo é o clube mais rico do Brasil. É o clube que financeiramente estava melhor estruturado, tal como o Palmeiras. Ou seja, assumindo o Palmeiras ou o Flamengo, as chances de êxito é de 50% para cima comparado com os outros clubes. Quando você tem um poder financeiro num clube tão grande como este, é normal que você consiga juntar os melhores jogadores do país. Quando o Jorge Jesus chegou, o Flamengo já era dos melhores ataques do campeonato brasileiro e ele chegou e consertou também a defesa do Flamengo que sofria muitos golos. E na equipa do Flamengo, 80% dos jogadores titulares já haviam atuado no futebol europeu. Ou seja, são atletas que já sabem a forma de treinar do técnico europeu.

BnR: Conviveste com o Mourinho durante três anos em dois clubes diferentes. Nunca te deu o “bichinho” para seguires a carreira de treinador?

D: No final do ano passado eu até tive uma conversa com ele em relação a isso e ele perguntou: “O que é que tu queres fazer?”. E eu respondi: “Cara, eu não sei se tenho perfil para trabalhar dentro do campo, acho que vou continuar fora do campo”. Mas, até antes desta pandemia, muitos amigos meus vêm me pedindo para que eu fizesse os cursos e fosse fazer carreira de treinador pela facilidade que tenho de comunicar com os jogadores. Cheguei até a inscrever-me aqui num curso da CBS, mas não é o primeiro objetivo, é mais para enriquecer o currículo para estar preparado para qualquer situação. Para já o principal objetivo é trabalhar fora das quatro linhas.

BnR: O Brasil é neste momento o terceiro país com mais casos e covid-19 no Mundo. Como é que estás a viver esta situação em São Bernardo do Campo?

D: Infelizmente a gente acaba por apontar o dedo sempre à direção. O povo é como um rebanho, os governantes são os pastores e o povo são as ovelhas e as ovelhas vão para onde o líder indica. Não estou aqui acusando o Presidente, o que eu acho é que os dirigentes devem ser as primeiras pessoas a dar a cara e mostrarem a direção às pessoas e neste momento o povo brasileiro está todo perdido e sem rumo. Houve a troca de ministros da Saúde em dois meses. Isso mostra a fragilidade muito grande a nível de administração e de conhecimento por parte da direção do país. Isso é inadmissível em qualquer país, mas aqui no Brasil essas coisas acontecem e as pessoas acham normal.

BnR: Em Portugal o campeonato já tem data prevista para começar a 3 de junho. Concordas com o regresso da competição? Qual achas que seria a melhor solução?

D: Eu acho muito ruim, enquanto atleta, parar o campeonato como aconteceu na reta final. Treinar em casa não é igual, a motivação é outra e você basicamente não tem musculatura. Depois de dois meses, vamos voltar, mas sem adeptos só para cumprir o protocolo, porque a finalidade do futebol profissional são os adeptos. Sem público não existe espetáculo. O que eu penso é que, para se voltar a jogar futebol sem adeptos e apenas pela televisão, o melhor então seria cancelar a competição. A partir do momento em que você libera shoppings, praças e transportes públicos, então porque o futebol não volta? Se num estádio cabem 40 mil pessoas e não se quer colocar 40 mil pessoas, então coloca-se 15 ou 20 mil pessoas e já era um público muito bom.

Nélson Mota
Nélson Motahttp://www.bolanarede.pt
O Nélson é estudante de Ciências da Comunicação. Jogou futebol de formação e chegou até a ter uma breve passagem pelos quadros do Futebol Clube do Porto. Foi através das longas palestras do seu pai sobre como posicionar-se dentro de campo que se interessou pela parte técnica e tática do desporto rei. Numa fase da sua vida, sonhou ser treinador de futebol e, apesar de ainda ter esse bichinho presente, a verdade é que não arriscou e preferiu focar-se no seu curso. Partilhando o gosto pelo futebol com o da escrita, tem agora a oportunidade de conciliar ambas as paixões e tentar alcançar o seu sonho de trabalhar profissionalmente como Jornalista Desportivo.

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