«Se calhar teria valor para jogar na Primeira Liga» – Entrevista BnR com Jordan Santos

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– As provas internacionais e o legado de Madjer –

«Fiquei surpreendido com o abandono do Madjer».

BnR: No ano em que ganhas o título de melhor jogador do mundo, vences também o Mundial e tens uma época de sonho no SC Braga. Foi o melhor ano da tua carreira?

JS: Sim, não escondo isso. Foi o melhor ano da minha carreira. Até porque acho que melhor é impossível para qualquer atleta. A partir do momento em que sou eleito o melhor jogador do mundo, sou campeão do mundo e europeu de seleções, sou campeão europeu de clubes, sou campeão do mundo de clubes, sou campeão nacional, ganho a Taça de Portugal… Acho que é impossível pedir mais! Com todo o respeito pela ambição que tenho, vai ser difícil repetir este ano. Mas sou um atleta determinado e continuo a trabalhar de forma igual para o novo ano.

BnR: Qual o papel de Mário Narciso neste sucesso e na forma como consegue retirar o melhor de cada um de vocês?

JS: O mister Mário Narciso, além de um grande treinador, é um grande homem. Sei que faz a força toda dele para nós. Ele foi atleta, sabe o que um jogador sente, e ele é um treinador, mas, acima de tudo, é um grande amigo nosso. É como se fosse um pai para nós. Tudo isso está a dar os seus frutos e a prova disso é termos conseguido ganhar tudo com ele.

BnR: O facto de Portugal ter sido eliminado em 2017 nos quartos-de-final foi também uma motivação extra para se fazer algo muito melhor neste ano? Ficou um amargo de boca?

JS: Não, não… Não foi uma espécie de vingança, sequer. Não foi por aí. Nós sabemos que existem outras seleções que também trabalham bem. Por exemplo, o Brasil, neste ano, foi eliminado como nós fomos em 2017. E o Brasil era o principal candidato e o campeão em título. O Futebol de Praia de hoje em dia não é como o Futebol de Praia de antigamente, que se baseava em três seleções, no máximo. Hoje em dia, a modalidade está muito bem trabalhada e há muitas seleções boas. Qualquer uma pode lutar pelo título. Em 2017, calhou-nos a nós ficar de fora e este ano calhou ao Brasil. É claro que, na altura, ficámos tristes porque tínhamos o sonho de ser campeões do Mundo, mas este ano tudo mudou e acabámos por ser nós a ganhar.

BnR: Consideras-te o herdeiro de Madjer na seleção nacional?

JS: O Madjer teve uma história bonita. O Madjer foi, durante muitos anos, a “cara” da seleção nacional. Mas o Madjer é o Madjer e o Jordan é o Jordan. Estou a construir a minha história e aquilo que podem esperar de mim é aquilo que tenho sido até hoje: um atleta determinado, com vontade de vencer em todos os jogos e com uma ambição enorme por ser o melhor em todos os jogos e competições. É isso com que Portugal pode contar, da minha parte. O Madjer teve a história dele e eu respeito-o muito, até porque fui, e continuo a ser, fã dele. Mas eu também estou a construir a minha história para um dia ser lembrado na modalidade.

Jordan é visto como o herdeiro de Madjer na seleção nacional
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

BnR: Existe uma responsabilidade maior por assumir o legado de Madjer, que foi, por diversas vezes, o melhor jogador do mundo?

JS: A responsabilidade existe sempre, independentemente de existir um legado. Se representas a seleção nacional, tens uma responsabilidade grande por representares o teu país. Neste caso, como fui eleito o melhor jogador do Mundo, é óbvio que há responsabilidade. Porque fui eleito o melhor e tenho mais olhos em cima de mim. Mas eu gosto disso e, se eu quero ser o melhor, tenho de lidar com essa responsabilidade. Mas é o que digo: estou a construir a minha história. Sem ser o Madjer, não houve mais nenhum português que tivesse sido o melhor do mundo. E é isso que eu quero que fique na memória das pessoas. Que se recordem de mim como um líder e um ícone do Futebol de Praia em Portugal.

BnR: Ficaste surpreendido com o anúncio da sua saída? Em declarações ao nosso programa, Bola na Rede TV, ele até tinha dito que só se devia retirar em 2020, após o Mundialito…

JS: Fiquei surpreendido pelo facto de ele não nos ter avisado antes de que se poderia retirar após este Mundial. Mas acaba por ser uma saída em grande, não é? O Madjer aproveitou o facto de termos sido campeões do mundo para sair em grande. Acho que ele fez muito bem, deixou a sua imagem e o seu legado, que foram espetaculares. Deu muita projeção ao Futebol de Praia e será sempre lembrado como uma lenda.


O momento em que Madjer anuncia, em primeira-mão, o adeus
ao Futebol de Praia, no Bola na Rede TV

BnR: Qual é a importância de Madjer dentro do grupo? Vai deixar um vazio na equipa ou há futuro na equipa de Portugal?

JS: O facto de o Madjer ter deixado de jogar não quer dizer que deixe de fazer parte de nós. Nós fomos liderados por ele durante muitos anos e é óbvio que ele não nos vai deixar a sós. Ele vai continuar ligado a nós. Mas também na certeza de que temos um futuro promissor. Temos vários atletas a surgir e a Federação Portuguesa de Futebol está também a trabalhar muito bem para termos mais jogos e mais competições. Mas o Madjer é o nosso líder, embora tenhamos outros líderes também. E o próprio Madjer sempre disse isso, várias vezes.

Mário Cagica Oliveira
Mário Cagica Oliveirahttp://www.bolanarede.pt
O Mário é o fundador e diretor-geral do Bola na Rede. É também comentador de Desporto na DAZN, SIC e Rádio Observador e professor universitário.

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