A Referência do Wrestling Português – Entrevista a Bruno “Bammer” Brito

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Bruno “Bammer” Brito é um dos nomes mais conhecidos do circuito de Wrestling em Portugal. Em entrevista ao Bola na Rede, falou-se da sua carreira, das suas referências, o desenvolvimento Wrestling Portugal, da WWE e até da questão Chris Benoit e Hall of Fame.

 

Bola na Rede: Como nasceu a tua paixão pelo wrestling?

Bammer: A maior parte do pessoal lembra-se sempre do dia e do combate. No meu caso, não me lembro ao certo de qual era o combate. Estávamos em 1992 ou 1993, estava a ver a RTP ou a Sky, vi uns gajos a bater uns nos outros e pareceu ser diferente do boxe. Não me fascinou desde o início mas achei diferente do que conhecia e comecei a investigar. Fiquei intrigado mas não me lembro realmente do combate. No entanto, pela apresentação, pelo ringue ser diferente, pelos comentadores, senti que aquilo era uma coisa diferente do boxe.

BnR: Treinaste na Academia do Lance Storn, no Canadá, um país com grande tradição no Wrestling. Isso influenciou o teu estilo de Wrestling?

B: Sim, eu sempre cresci a gostar de lutadores do Canadá. Primeiro do Bret Hart e do Owen Hart, depois do Jericho e do Benoit. Reparei que os canadianos eram poucos mas eram realmente bons. Curiosamente, havia uma escola de Wrestling canadiana, a Hart Dugeon, onde eu queria treinar quando acabasse o curso. Cheguei a trocar emails com alguns lutadores da escola para saber mais, mas durante a minha licenciatura a escola fechou. Felizmente, abriu outra escola, do Lance Storm, lutador da WWE e da WCW, e fui para lá.

Bammer com Sami Zayn Fonte: Facebook Oficial de Bruno "Bammer" Brito
Bammer com Sami Zayn
Fonte: Facebook Oficial de Bruno “Bammer” Brito

BnR: Tens algum wrestler que te tivesse influenciado na tua entrada para o mundo do Wrestling?

B: Sim, o Chris Benoit. Sei que ele é daqueles nomes que não pode ser mencionado, mas é a descrição de ídolo para mim, que me fez ir ao ginásio, ficar em forma. Dentro do ringue, ele era tudo o que eu queria ser e sei que se não fosse ele eu não teria ido para o Canadá.

BnR: É o melhor wrestler tecnicista que já houve na WWE?

B: Na minha opinião, sim. O melhor trabalho dele foi até na WCW e no Japão, mas pela consistência eu diria que sim. Não é um lutador tão versátil como alguns que tens agora como o AJ Styles, que não tem um mau combate com ninguém. O Benoit era menos flexível, mas tudo o que fazia era credível e isso é muito importante para mim. Quando estou a estudar Wrestling, quero que tudo pareça credível e ele nesse aspecto era o maior.

BnR: Tal como referiste, o nome do Benoit é um nome polémico na WWE e fala-se muito da questão do Hall of Fame. Há quem diga que ele deve entrar, pelo que deu ao Wrestling, outros não concordam, pelo que aconteceu fora da companhia (homicídio da família e suicídio). Qual é a tua opinião?

B: Por muito fã que eu seja do Benoit, eu acho que não deve entrar. O que ele fez fora do ringue, infelizmente elimina o que ele fez dentro. As pessoas vão pesquisar sobre o Benoit para saberem mais sobre ele e vão encontrar aquela informação. Não é uma pessoa com problemas com álcool ou com drogas como muitos wrestlers, mas tirou a sua vida e a vida de duas pessoas e isso é mais dramático. Por muito que ele tenha feito no Wrestling, ficará sempre associado a isso. Infelizmente é um dos nomes mais populares do Wrestling mas não pelas melhores razões. Teve 20 anos de alto nível mas não é reconhecido por isso.

BnR: Na altura, falou-se das lesões que sofreu na cabeça e da influência que isso teve nos seus actos. Achas que este acontecimento mudou a forma como a WWE passou a ver as lesões e as marcas que estas deixam nos lutadores?

B: Sim,  até já há quem estude os traumatismos cranianos e as suas consequências, como o Chris Amann. Quem conhecia o Benoit, dizia que ele estava a começar a ter demência, estava a ficar paranóico, sentia-se perseguido e isso são tudo sintomas desse tipo de lesões. O problema do Wrestling é não teres uma off-season, um período de descanso. Se quiseres recuperar de lesões, podes fazê-lo, mas podes perder o teu push, a tua relevância, o público esquecer-se de ti e muitos lutadores, se tiverem uma lesão pequena, vão decidir continuar até não conseguir mais. A WWE tem uma Welness Policy que faz os lutadores serem constantemente avaliados pelos médicos, mas pelo que sei, é uma política algo leve e que está feita para que voltem ao activo o mais depressa possível. É qualquer coisa, mas a melhor forma de fazeres isto é teres dois planteis e teres alguma rotatividade.

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